"Movimentos Sociais e organizações não
aceitam a exportação de etanol e outros agrocombustíveis
e denunciam a insustentabilidade da produção do etanol
brasileiro”
Brasília, 06/05/2008. A Ministra Marina garantiu na
semana passada ao Ministro do Meio Ambiente alemão, Sigmar
Gabriel, a existência de ‘critérios’ que
garantem a sustentabilidade na produção de etanol brasileira
às vésperas da assinatura de um contrato bilateral de
cooperação energética entre os dois países;
o acordo deve promover a exportação de agrocombustíveis.
A sociedade civil brasileira desconhece a existência de quaisquer
critérios de sustentabilidade supostamente adotados no Brasil
para a produção de agrocombustíveis, bem como
a forma que tenham sido definidos pelo Governo ou implementados na
prática. Além disso, conforme a declaração
conjunta da Conferência Nacional de Agroenergia, (Curitiba,
outubro 2007) movimentos sociais e organizações de todo
o país rejeitam a produção para exportação
e a expansão mundial do mercado agrocombustíveis e vêm
reiterar a denúncia sobre as violações de direitos
humanos na cadeia de produção do etanol no Brasil, bem
como os impactos sobre a biodiversidade. Recentemente um conjunto
de organizações alemãs (FIAN, as agências
Misereor, EED e Pão Para o Mundo) realizaram uma missão
internacional investigativa ao país para averiguar as denúncias,
alertar os governos e a sociedade civil européia.
O governo do Presidente Lula tenta eximir o etanol de cana do debate
mundial sobre a crise do preço dos alimentos e os impactos
da competição entre alimentos e energia. Com sua declaração,
a Ministra Marina Silva reforça a ‘força tarefa’
do governo para vender o etanol a qualquer custo. Entendemos que o
governo brasileiro deveria neste momento - ao invés de fazer
coro ao setor sucroalcooleiro - assumir o debate democrático
e necessário sobre os graves impactos da expansão do
agronegócio de energia sobre as populações camponesas
e sobre a biodiversidade.
Nós, os movimentos e organizações da sociedade
civil brasileiras abaixo relacionados, defendemos que é preciso
tratar da raiz do problema - o modelo de produção e
de consumo insustentável de energia - e que o agrocombustíveis
são uma falsa solução às mudanças
climáticas. Defendemos a Soberania Alimentar e Energética
dos povos, a reforma agrária, e a produção camponesa,
local e agroecológica, como verdadeira solução
para a crise alimentar, ambiental e energética global.
Assinaram o documento final da Conferência Nacional
de Agroenergia:
Via
Campesina Brasil: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
Movimento dos Pequenos Produtores (MPA), Movimento das Mulheres Camponesas
(MMC) e Movimentos dos Atingidos Por Barragens (MAB), Pastoral da
Juventude Rural (PJR), Comissão Pastoral da Terra (CPT), a
Federação dos Estudantes Agronomia do Brasil (FEAB);
Conselho Indigenista Missionário (CIMI); CUT, REBRIP, FBOMS,
GT Energia do FBOMS, Terra de Direitos, Amigos da Terra- Nat Brasil,
FASE, Plataforma DHESCA Brasil, IEEP, REPAS, Cooperbio, Rede Ecossocialista,
Fetrasp, Feraesp, SindPetro.
Assinam
esta declaração:
FIAN
Brasil- Rede de Informação e Ação pelo
Direito a Se Alimentar, Centro Ecológico, Inesc - Instituto
de Estudos Socioeconômicos e Rede Social de Justiça e
Direitos Humanos