Os
Governos Expressam Forte Preocupação sobre os Biocombustíveis
Para Comunicação Imediata - 6 de julho de 2007
Expertos Governamentais
no Órgão das Nações Unidas Expressam Forte
Preocupação sobre os Impactos dos Biocombustíveis
na Biodiversidade
Contato:
Simone Lovera, Global Forest Coalition (inglês, espanhol, francês,
holandês) +31 (0)62.245.7495
Orin Langelle, Global Justice Ecology Project/Global Forest Coalition
(inglês) +33 (0)66.929.4560
Paris, França—Uma
esmagadora maioria de governos, incluindo o da Noruega, da Suécia,
da Alemanha e da Indonésia expressaram sérias preocupações
sobre os riscos da produção de biocombustíveis
em grande escala para as florestas, ecossistemas, povos indígenas
e comunidades locais em uma reunião do órgão
de assessoria científica sobre diversidade biológica
da ONU realizada em Paris, nesta semana [1]. Vários governos
pediram um enfoque precautório a respeito dos biocombustíveis.
Um grande número de ONGs
e Organizações de Povos Indígenas do mundo inteiro
presentes nessa reunião também expressaram suas preocupações
e pediram uma avaliação científica profunda dos
riscos dos biocombustíveis e uma moratória de todas
as formas de apoio financeiro aos biocombustíveis, enquanto
estiverem pendentes os resultados dessa avaliação, com
base no princípio precautório.
"Estima-se que a ilha onde
moro, a Ilha de Marajó, no delta do Amazonas, vai submergir-se
nos próximos 30 anos devido ao aquecimento global, mas o governo
brasileiro está apenas promovendo soluções falsas",
diz Edna Maria da Costa e Silva da Cooperativa Ecológica das
Mulheres Extrativistas do Marajó. "Meu governo [Brasil]
alega que apóia o desenvolvimento, mas não apóia
minha comunidade na produção de biocombustíveis
sustentáveis para consumo local, apenas apóia a produção
de agrocombustíveis em grande escala para consumidores urbanos."
acrescenta.
Na reunião de Paris, o
Brasil bloqueou o consenso dos países para desenvolver um processo
para começar a abordar os impactos negativos dos biocombustíveis,
que já estão sendo sentidos em numerosos locais no mundo
inteiro. Ao mesmo tempo, o Presidente do Brasil Lula está viajando
pela Europa para promover os biocombustíveis como uma solução
verde para a mudança climática.
"Já há uma
clara estratégia do governo brasileiro de bloquear qualquer
consideração pelos impactos sociais e ambientais dos
biocombustíveis, e isso pode interferir com seus interesses
comerciais", acrescenta Mateus Trevisan do MST, o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil. Trevisan também diz
que "Eles somente estão promovendo as grandes monoculturas
e defendendo os interesses das companhias de cana de açúcar
e corporações de biotecnologia como a Syngenta, que
tem representantes na delegação do Brasil aqui. Essa
estratégia não vai beneficiar o povo brasileiro."
Um relatório das Nações
Unidas emitido há poucas semanas [2] advertia que a produção
em grande escala de biocombustíveis já está tendo
impactos devastadores sobre os Povos Indígenas, cujas terras
estão sendo objetivadas para a expansão do dendezeiro
e a expansão de outras monoculturas, incentivadas pelo boom
da mercadoria, causado pela abruptamente crescente demanda de biocombustíveis.
O uso de plantações
de monoculturas de árvores em grande escala, incluindo árvores
geneticamente modificadas está planejado para a produção
de biocombustíveis de segunda geração.
"Viemos aqui procurando uma
solução para os problemas que os agrocombustíveis
já estão causando a nossas comunidades" disse Marcial
Arias de Kuna Yala (Panamá), acrescentando "agora vamos
embora frustrados, vendo como o governo não apenas não
lida com nossas preocupações, mas está promovendo
ainda mais desses projetos de agrocombustívies destruidores
em nossa terra."
Comunicado conjunto da Global
Forest Coalition, EcoNexus, Global Justice Ecology Project, Movimento
Mundial pelas Florestas Tropicais, MST-Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra do Brasil, Timberwatch Coalition, BUND/Amigos da
Terra Alemanha, NABU/BirdLife Germany, Sobrevivencia/Amigos da Terra
Paraguai, Campanha STOP GE América do Norte.
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Nota para editores:
[1] A 12ª reunião do Órgão Subsidiário
de Assessoria Científica e Tecnológica (SBSTTA) da Convenção
das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica
se realizou em Paris, França, em 2-6 de julho de 2007.
[2] O relatório do Relator Especial do Fórum Permanente
sobre Assuntos Indígenas "Dendezeiros e outras Plantações
Comerciais de Árvores, Monoculturas e os Impactos sobre a Posse
da Terra e os Sistemas de Manejo dos Recursos e Meios de Vida dos
Povos Indígenas ", http://www.un.org/esa/socdev/unpfii/documents/6session.crp6