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Número 106 - Maio 2006


ASIA

LUTAS LOCAIS E NOTÍCIAS

China: o problema habitual das plantações de eucalipto e a água

Os eucaliptos foram introduzidos pela primeira vez na China aproximadamente em 1890 e foram plantados originalmente como árvores ornamentais e para providenciar sombra à beira da estrada. A principal “preamar” das plantações de eucalipto na China, principalmente para a produção de madeira, aconteceu depois da fundação da República Popular da China. Não foi até a década de 50 que vastas áreas de plantações foram estabelecidas por fazendas florestais estatais com o fim de fornecer madeira para mineração (esteios de mina), postes para a construção e lenha. Os programas de plantação patrocinados pelo governo durante a década de 70 e 80 aumentaram as áreas de plantação para aproximadamente 600.000 hectares. Em 1954, uma grande área de plantações de eucalipto foi estabelecida na Península de Leizhou, na Província de Guangdong. A introdução do eucalipto começou em cidades portuárias e costeiras do sul e do sudeste, convenientes para o tráfego internacional.

A atual ênfase está em estabelecer plantações de curto prazo -principalmente de eucalipto- sob métodos de manejo intensivo, incentivando os Departamentos em cada nível para manejá-las, estimular a exportação, estabelecer fábricas de produção de lascas de eucalipto e estabelecer fábricas de pasta de eucalipto. Em decorrência disso, a China possui uma área de quase 1,5 milhões de hectares de árvores plantadas até a presente data (cifras de 2004).

A província sul de Guangdong possui uma área de mais de 677.300 hectares plantados com árvores de eucalipto. Coincidentemente, a província tem experimentado uma seca crescente nos últimos anos. Os deputados locais do congresso popular provincial de Guangdong e os membros da conferência consultiva política popular provincial de Guangdong apresentaram suas observações a respeito dos prejuízos causados pelas árvores de eucalipto ao meio ambiente ecológico da província.

Até as vozes dos acadêmicos deram o alarme. Li Sidong, um professor da Guangdong Ocean University -e também membro da conferência consultiva política popular provincial de Guangdong-, instou o departamento florestal para fortalecer ainda mais o manejo da plantação de árvores de eucalipto. Li disse que estava preocupado porque a plantação de eucaliptos em grande escala reduziria a qualidade do solo, absorveria a umidade e criaria um “deserto verde”.

De acordo com o jornal China Daily, o governo da cidade de Yunfu aplicou uma proibição da plantação de eucaliptos em março deste ano, e Zengcheng, uma cidade suburbana de Guangzhou, tem decidido seguir essa orientação.

Mas como é costume, muitos expertos florestas se têm negado a acreditar que os eucaliptos têm absorvido a água subterrânea e contribuído com a seca. O experto florestal Xu Daping, por exemplo, rejeitou a possibilidade de que os eucaliptos tenham danificado os ambientes ecológicos locais e que as árvores fossem prejudiciais para a fauna, com base no fato de que “Na Austrália, os eucaliptos albergam muitos cangurus e marsupiais”. O argumento desse experto florestal está baseado em uma concepção totalmente errada: que as plantações de árvores em grande escala podem equiparar-se com florestas!

Bem longe de qualquer enfoque acadêmico, esse conceito errado -a propósito, repetido uma e outra vez por promotores das monoculturas de árvores em grande escala- elimina qualquer consideração básica pelos ecossistemas e a biodiversidade. Os eucaliptos -originados há 35 e 50 milhões de anos- dominam a flora de árvores das florestas australianas. Muitas árvores de eucaliptos crescem por cima de uma sub-floresta de banksias (flores silvestres nativas) e grevilleas (pequenos arbustos com bonitas flores) e há quase 600 espécies que podem ser achadas em quase todas as partes do continente, adaptadas a todas as condições climáticas da Austrália. Como pode essa imagem ser comparada com grandes plantações de curta rotação, manejadas intensivamente e de alto rendimento, de 4 ou 5 espécies de eucaliptos?

Enquanto os expertos florestais chineses lançam uma pesquisa para determinar se as árvores de eucalipto têm danificado o meio ambiente com base em que não há suficiente evidência para provar que as árvores de eucaliptos absorvem grandes volumes de água, as pessoas que sofrem os efeitos na prática têm uma idéia clara sobre isso. Eles já tem experimentado e denunciado que o crescente número de árvores de eucaliptos tem contribuído em parte com a crescente seca na província de Guangdong, no sul da China.

A experiência direta tem ensinado às pessoas, que geralmente os expertos florestais são relutantes a aceitar que as plantações de eucalipto em grande escala têm terríveis impactos sobre a água. Já há muitos casos no mundo inteiro que evidenciam isso. Que outra coisa precisam?

Artigo baseado em informação de: “eucalypts blamed for worsening drought”, Zheng Caixiong, China Daily, http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2006-04/10/content_563658.htm ; Eucalypt tree improvement in China, Martin van Bueren, Centre for International Economics, dezembro de 2004, http://www.aciar.gov.au/web.nsf/att/JFRN-6BN9E8/$file/ias30.pdf


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Índia: será o final dos despejos florestais? Novo Projeto de Lei Florestal

Desde que a Índia obteve sua independência política em 1947, as Áreas de Proteção e os projetos de desenvolvimento como as grandes represas, minérios, indústrias, estradas e acantonamentos militares deslocaram milhões de pessoas no país. As estimativas da Comissão de Planejamento indicam que 21,3 milhões de povoadores foram deslocadas por projetos de desenvolvimento entre 1951 e 1990 somente. As estimativas sobre os povoadores despejados pelo Departamento Florestal (para criar novas Áreas de Proteção e limpar “invasões na floresta”) não estão disponíveis. Conforme vários movimentos que trabalham com as comunidades florestais indianas, umas 300.000 famílias foram despejadas nos últimos cinco anos! Não houve reabilitação e povoadores de todas as idades foram expulsas de suas casas, florestas e terras para dar lugar a plantações e áreas silvestres.

Para os povoadores das florestas indianas, isto é uma longa e antiga história de perseguição, repressão e despejo. Historicamente, o conceito de floresta mantém suas raízes fincadas no “outro” social e político, o espaço que abriga animais selvagens, o marginal e o derrotado e portanto destruído (ou combatido) como alheio e prejudicial. Inversamente, as florestas também têm sido “valorizadas” como terra: para anexar, colonizar e estabelecer sujeitos que o estado pudesse controlar. Não importou que os nativos que moravam nas florestas perecessem -física e culturalmente- durante o processo, em cada período identificável da história indiana.

A independência do país trouxe uma maior miséria para povoadores das florestas. O novo Estado endureceu as velhas leis coloniais, limitando o acesso das pessoas às florestas. Enquanto isso, em nome da produção florestal, a redução das florestas naturais continuou. As florestas continuaram a desaparecer, e o raj da “Máfia Florestal” começou como uma nova classe de comerciantes e empreiteiros que colaboraram com uma administração florestal cada vez mais corrupta. A pilhagem das florestas, seja ela oficial ou não, destruiu a ecologia das comunidades tradicionais. A pobreza, o desemprego e a fome obrigaram tanto migrantes quanto nativos a virarem assalariados sob a Máfia florestal, e assim começou o processo de proletarização dos povoadores das florestas do país.

Também houve, oficialmente, a “necessidade” de tornar 33% da área geográfica da Índia parte da floresta, seguindo a nova Política Florestal Nacional de 1988, e a nova exaltação “conservacionista” do Departamento Florestal assumiu o “desafio”, apesar de que até então tinha cortado e serrado mais da metade das florestas da Índia (entre 1951 e 1979, mais de 3.33 milhões de hectares de floresta natural foram derrubadas para dar passagem às plantações “industriais”). Em lugar de avaliar os vários fatores sócio- econômicos do desmatamento, o departamento propôs a lógica simplificada da “invasão”, como se a extensão da floresta no país milagrosamente aumentasse com o despejo das comunidades sem-terra que ocupam e utilizam a terra florestal para a subsistência. A força impulsionadora da conservação continuou, os despejos começaram em larga escala e nem o Governo da Índia, nem as ONGs conservacionistas deram atenção ao fato de a maioria das florestas indianas terem sido tiradas das comunidades pelo Governo colonial sem estabelecer nenhum direito e o grande usurpador é o próprio Departamento Florestal! O processo de estabelecimento de direitos, o qual é obrigatório antes de declarar qualquer área como Floresta Governamental conforme o decreto Florestal Indiano de 1927, nunca aconteceu em muitas áreas, e em muitas outras as pesquisas foram incompletas

As pessoas com direitos não registrados habitam num “espaço estatal”, onde elas são tratadas como intrusas, usurpadoras e enemigas da floresta e da fauna. O governo não precisa justificar qualquer ação coercitiva contra eles, e até há abusos físicos, assédio sexual e assassinato. Os despejos florestais na Índia estão marcados pela exemplar brutalidade com que foram acompanhados. O recente relatório da Tiger Task Force (apontada pelo Primeiro Ministro da Índia para investigar as mortes de tigres em várias reservas) descreve a situação como uma “verdadeira guerra implodindo desde dentro das reservas e levando tudo no seu caminho”.

No Estado Madhaya Pradesh da Índia central uma aldeia Korku, lar de 10 famílias foi saqueada e queimada em julho de 2003. No distrito de Khanwa, um adivasi foi morto a tiros ao enfrentar os oficiais florestais que tinham apanhado sua esposa depois de ter afastado os moradores de suas terras. A Força Especial de Proteção das Reservas (SRPF, sigla em inglês) estava preparada para entrar em combate nas áreas Adivasi de Gujarat para ajudar os oficiais do departamento florestal. Os moradores são ameaçados, suas casas saqueadas e os homens são freqüentemente arrestados e espancadas. Em locais como Bastar em Chattisgarth, as vilas estão rodeadas pelo CRPF. Diante do menor sinal de oposição, os Adivasis foram estigmatizados como extremistas, arrestados ou baleados e assassinados.

Um Comitê Central Autorizado (CEC sigla em inglês), constituído pelo Supremo Tribunal e integrado por oficiais florestais e protetores da vida silvestre e conservacionistas linha-dura, aumentou a confusão através da pilhagem. O CEC tem percorrido o país emitindo ordens de despejos à vontade. Uns dez mil pescadores que secam peixe na ilha Jambudwip do Sunderban sul no estado oriental de Bengala do Leste foram despejados através dessas ordens. A polícia de Bengala do Leste deu pauladas nos pescadores que foram à ilha em 16 de outubro de 2003, no Dia Mundial do Alimento. Seu equipamento e pacotes de alimento foram destruídos e jogados no mar. O CEC também foi responsável pelo massacre de inocentes Adivasis sem terra que se abrigaram no Santuário de Vida Silvestre de Muthanga no distrito Wayanad de Kerala.

Em uma operação coordenada para parar os despejos em larga escala, os Adivasis e outras comunidades florestais nos estados de Orissa, Maharshtra, Gujarat, Rajasthan e Tamil Nadu, Bengala do Leste e Madhya Pradesh começaram a apresentar demandas pelo seu direito de posse das terras junto à repartição dos respectivos Cobradores de Distrito. Este processo de apresentar demandas tomou a forma de um movimento de massas. A Campanha para a Sobrevivência e a Dignidade, uma plataforma de organizações de Adivasis e os moradores da floresta de onze estados, lançou protestos organizados, esclarecendo os detalhes do que estava acontecendo, a situação legal, como esta tinha sido violada sistematicamente e o que deveria ser feito a respeito disso.

Para dissipar a tensão em alta nas áreas tribais do país, e para compensar, o governo emitiu duas novas circulares em 2004 que determinavam a regularização de terras cultivadas por tribos desde 1993 e a transformação de todas as aldeias florestais (as colônias de trabalhadores das plantações nas terras florestais) em aldeias rentáveis em 6 meses. Elas foram suspensas pelo Supremo Tribunal da Índia. Em dezembro de 2004, um conjunto adicional de diretrizes proibiu o despejo de membros de tribos exceto “intrusos não aptos“ (o que significava que os despejos continuariam). Em 12 de maio de 2005, mais uma diretriz proibiu os despejos de qualquer morador da floresta sem o devido processo de verificação. Um conjunto final de diretrizes foi emitido em 3 de novembro de 2005, que pela primeira vez estipulou um processo na aldeia para reconhecer os direitos. Porém, os despejos continuam até hoje, e neste mês, vários povoadores foram despejados das terras florestais no pequeno estado himalaio de Sikkim.

As coerções políticas do presente governo e a pressão constante e eficaz dos movimentos florestais levaram ao controversial Projeto de Lei de Direitos de 2005 que pela primeira vez na História da Índia fala de demarcações tribais e direitos nas florestas e promete cuidar deles. O projeto propõe 13 direitos específicos, que podem ser herdados mas não alienados nem transferidos, como por exemplo, a posse de terras até 2.5 hectares, direitos à produção florestal e pastagem, restituição de cancelações ilegais de títulos, concessões e arrendamentos de terras, direitos tradicionais e consuetudinários, direitos aos recursos comunitários comuns, direitos de habitat para os grupos tribais autóctones, direito de acesso à biodiversidade e direito comunitário à propriedade intelectual e conhecimento tradicional e direito à proteção das florestas.

O projeto indignou o grupo de pressão “conservacionista” indiano, com ONGs e oficiais florestais expressando sua oposição. Eles estão contra o projeto devido a que a lei distribuirá terras florestais a famílias tribais e enfraquecerá a proteção florestal, e porque a vida silvestre e as pessoas não podem coexistir. O projeto foi interpretado como “o final do tigre indiano”! Também se opuseram os movimentos florestais porque achavam que ele era muito impreciso. O Governo teve de mandar o projeto a um Comitê Parlamentar Conjunto que só agora concluiu seu relatório sobre o projeto, depois de registrar os depoimentos de ambos os movimentos florestais e os “conservacionistas” durante os três últimos meses. O relatório ainda não foi publicado e é necessário esperar para ver o que o governo da Índia decidirá fazer a respeito disso. Mas sem dúvida o projeto anuncia um novo capítulo no história florestal da Índia, e vão acontecer mudanças, sejam elas para bem ou para mal.

Com o projeto de lei sobre direitos florestais, a luta das comunidades florestais indianas entra em uma “fase política” mais decisiva, onde os movimentos florestais necessitam estar em constante alerta para conseguir os benefícios possíveis e a ajuda do projeto de lei para os oprimidos e os pobres entre os diversos grupos de pessoas étnica e economicamente diferentes que moram dentro e ao redor das florestas da Índia. Existe uma necessidade de garantir que o programa de trabalhos para estabelecer um controle social das comunidades florestais sobre as florestas da Índia, não seja eclipsado pela repentina e duvidosa “comunalização” do forte grupo de pressão do Papel e Polpa deste país e do Banco Mundial, e o entusiasmo para ver o final da hegemonia do Estado sobre as florestas, não significa colaborar com estas forças que também defendem reformas legislativas e políticas em prol das comunidades para o setor florestal. A luta pelos direitos das pessoas e o projeto de lei florestal vira então uma luta contra a iminente corporatização ou privatização das florestas. Apesar de os contornos desta luta ainda não estarem bem definidos, é sensato ficar alerta e não abaixar a guarda por um falso sentido de segurança e euforia que o projeto de lei possa provocar.

Por Soumitra Ghosh, endereço eletrônico: soumitrag@gmail.com e C.R. Bijoy, endereço eletrônico: rights@rediffmail.com . Fonte: Campanha para a Sobrevivência e a Dignidade, Fórum Nacional das Pessoas da Floresta e dos Trabalhadores Florestais,


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Indonésia: expansão das plantações madeireiras para obter pasta de celulose, incluindo a Acácia

Em 2004, o Ministro Florestal, através do Decreto 101/Menhut-II/2004, emitiu uma política sobre a aceleração do desenvolvimento da madeira para obter pasta de celulose, para abastecer a indústria da celulose e do papel. A política recebeu ampla aceitação na província de Jambi, pela PT Wira Karya Sakti (PT WKS), uma companhia florestal subsidiária da gigante Sinar Mas Group (SMG).

O SMG é um dos principais conglomerados que operam nos EUA, na Austrália, em Cingapura, na China, em Hong Kong e na Holanda, que cobre uma amplia variedade de atividades comerciais: plantações de dendezeiros, propriedades, financiamento através do Bank International Indonesia/BII, e a indústria da celulose e do papel. A Asia Pulp & Paper (APP) é o grupo comercial do SMG que se encarrega da celulose e do papel (vide Boletim Nº 101 do WRM). Esse gigante grupo possui duas fábricas de pasta de celulose na Indonésia, a PT Lontar Papyrus em Jambi e a PT Indah Kiat Pulp & Paper (IKPP) em Riau, e lhes foram alocadas duas concessões madeireiras para a obtenção de pasta de celulose: a PT Arara Abadi (Riau) e a PT Wira Karya Sakti (Jambi).

Na realidade, o abastecimento para a APP não provém apenas dessas duas concessões mas também de florestas naturais convertidas. A APP colapsou durante todo o ano de 2000, a Bolsa de Valores de Nova Iorque até suspendeu a venda de suas ações em janeiro de 2001, e seu endividamento aumentou para USD 13,4 bilhões. No entanto, conseguiu ‘manter' seu reino comercial.

Atualmente, está expandindo sua operação (desenvolvimento madeireiro para a obtenção de pasta de celulose), assumindo o controle de mais terras. Somente em Jambi e Riau, conseguiu expandir suas concessões para até 490.000 hectares. Em Sumatra do Sul, sua nova concessão abrange 380.000 hectares. Além disso, tem assumido o controle da PT Finnantara em Kalimantan Oeste, antigamente de propriedade da companhia finlandesa Stora-Enso. Mais de doze financiadores e Agências de Crédito às Exportações estão envolvidas em seu desenvolvimento, entre outras a Barclays (Reino Unido), a Norddeuscthe Landesbank (Alemanha), a Dresdner Kleiwort (Reino Unido/Alemanha), a ING (Holanda), a Credit Suisse (Suíça) e a Hermes (Alemanha).

A PT WKS em Jambi está desenvolvendo a Acácia mangium, a matéria prima para pasta de celulose, e é a principal fornecedora para a companhia de pasta de celulose e papel PT Lontar Papyrus Pulp and Paper (LPPI) que está atualmente expandindo muito sua área de operações. Até a presente data, a área transformada e a ser transformada em ‘área de acácias' pela companhia tem atingido 500.000 hectares na província, um aumento dramático desde 2004. Essas concessões da subsidiária da Sinar Mas estão em 4 distritos em Jambi, a saber Tanjung Jabung Timur, Tanjung Jabung Barat, Muaro Jambi e Batanghari .

Mais de 100.000 hectares de áreas de florestas que eram antigamente concessões madeireiras vão fazer parte da plantação industrial de madeira do Grupo Sinar Mas. Há algum tempo, a PT WKS assumiu o controle de 38.000 hectares que costumavam ser uma concessão madeireira. Aparentemente isso não foi suficiente: a PT WKS também tem assumido o controle de 65.000 hectares de concessões que tinham pertencido à PT Sadarnilla e à PT Lokarahayu estava na época controladas pela companhia estatal PT Inhutani V. A companhia justifica sua expansão dizendo que é ‘terra crítica' abandonada, esquecida, onde está acontecendo a atividade madeireira ilegal. De fato, a PT WKS já controla uma concessão de madeira industrial de 190.000 hectares.

Enquanto isso, um ativista baseado em Jambi, Deni Kurnia, denunciou as ‘surpresas' financeiras dadas pela PT WKS e a PT LPPI, tanto para o estado quanto para todas as partes/pessoas envolvidas. Não apenas o suposto lucro financeiro oferecido pelas companhias é de nenhum jeito comparável com as conseqüências ambientais das práticas destruidoras e funestas, mas também o governo outorga muitas facilidades todo ano para que as duas companhias para que atinjam su ‘objetivo de produção'. Além disso, a expansão comercial do gigante grupo tem enfrentado um conflito sobre limites e posse com os povos locais, o que fica evidenciado pelo grande número de “reclamações” e “reivindicações”.

O esquema das plantações industriais veio com promessas de geração de divisas estrangeiras para o Estado, mas os relatórios locais falam de seus resultados de digressão legal, complexidades burocráticas e degradação sociocultural, econômica e ambiental.

Artigo baseado em informação de: “Cooking Acacia in Policy Spices. Policy and Social Analysis of PT Rimba Hutani Mas/Sinar Mas Group, Jambi”, Helmi Rivani Noor, Community Alliance for Pulp Paper Advocacy (CAPPA), dezembro de 2005; “ Position Statement for the withdrawal of the permit extending the area of PT WKS”, dezembro de 2004, apresentado ao Ministro Florestal da Indonésia, MS Kaban em Jakarta, por diferentes organizações e pessoas.


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República do Laos: a Suez Energy International e a barragem de Houay Ho

"Queremos responsabilizar as companhias que construíram ou que obteram lucros com a barragem - a companhia coreana que a construiu ou a companhia belga que é a proprietária da barragem agora. Deveriam existir cartas enviadas dizendo ‘Vocês estão obtendo lucros com isso, por que não assumem a responsabilidade e ajudam as pessoas atingidas por esse projeto - e lhes permitem voltar?' Precisamos ter suficiente terra para cultivar, o que significa deslocar-nos para áreas que consideramos nossos antigos territórios, e precisamos que se nos outorgue o direito de viver lá com dignidade e independência.”

Um homem Nya Heun, da província de Champasak no sul do Laos disse isso para Melanie Scaife da Oxfam Austrália em novembro de 2005. A barragem da que ele fala é a barragem de Houay Ho, construída por um consórcio da Daewoo (Coréia do Sul), a Loxley (Tailândia) e a Electricité du Lao. A eletricidade da barragem de 150 MW é exportada para a Tailândia. Em 2001, uma companhia belga, a Tractebel Electricity and Gas International comprou a participação majoritária na barragem. Em 2003, depois de uma fusão, a Tractebel EGI transformou-se na Suez Energy International, uma subsidiária totalmente controlada da corporação multinacional Suez.

A entrevista de Melanie Scaife com um homem Nya Huen, que ela chamou Boun para proteger sua identidade, está publicada na edição de abril de 2006 de World Rivers Review da International Rivers Network.

“Antes de que a barragem fosse construída costumávamos ter suficientes alimentos” disse Boun para Scaife. “Pescávamos nos rios, colhíamos vegetais na floresta e tínhamos muito arroz. Éramos auto-suficientes e não tínhamos que depender da ajuda ou apoio de ninguém. Agora, nas áreas de reassentamento estamos totalmente empobrecidos e dependemos de outros.”

Boun foi deslocado para uma área de reassentamento a aproximadamente 30 quilômetros de sua casa. “Precisamos suficiente terra -esse é o problema básico para nosso povo,” disse Boun. “Não temos acesso a recursos agora porque nos deslocaram para uma área sem florestas nem terras que sejam nossas. Meu povo costumava viver em uma grande floresta e costumávamos viver em uma vasta área com um grande número de recursos naturais. Agora temos sido colocados em uma área muito concentrada onde todos os recursos que nos rodeiam são propriedade de outras pessoas e é um grande choque para nós, uma enorme mudança do que estávamos acostumados."

Desde que foram deslocados para a área de reassentamento, muitos aldeões tiveram que vender sua mão de obra para sobreviver, trabalhando em aldeias próximas capinando as terras de outras pessoas. Alguns aldeões têm começado a voltar para áreas próximas a suas antigas aldeias. “Estamos voltando o mais próximo possível a nosso antigo território, a terras não alagadas pelo reservatório,” disse Boun. Não estamos autorizados a voltar a nossas antigas áreas, portanto oficialmente estamos vivendo nos locais de reassentamento, mas na realidade quase não estamos lá. No ano passado, aproximadamente a metade das famílias abandonaram os locais de reassentamento - neste ano, até dois terços. Até este momento o governo não tem feito nada para que não voltemos, mas no futuro, quem sabe?”

Em 2004, Proyecto Gato, uma ONG belga, promoveu uma ação de acordo com as Diretrizes para Empresas Multinacionais da OCDE, alegando que a Suez Energy International deveria ser responsável pela adequada compensação para as pessoas forçadas a deslocar-se para deixar o caminho livre para a barragem. Proyecto Gato também pediu que a Suez Energy International providenciasse serviços de saúde básicos, equipamentos educacionais e medicinas para os aldeões reassentados.

A Suez Energy International alegou que não era responsável, porque o reassentamento foi levado a cabo antes de que entrasse no projeto. A OCDE apoiou a posição da companhia, citando uma carta do Ministro de Indústria do Laos, que estabelecia que a Energy International tinha cumprido suas obrigações contratuais perante o governo laosiano.

Em fevereiro de 2005, em decorrência da pressão de Proyecto Gato, a Suez Energy International consertou vários poços de água potável na área de reassentamento Houay Ho. Mas os assuntos cruciais para os meios de vida dos Nya Heun, como a terra, permanecem sem serem resolvidos.

Em outubro de 2005, o Vientiane Times informou que a Houay Ho Power Company (da que a Suez Energy International possui 70 por cento) planejava investir USD 20 milhões para expandir a produção de eletricidade de nove horas ao dia para 24 horas ao dia. O trabalho incluiria desviar água de outros dois rios para o reservatório de Houay Ho.

Por coincidência, antes de ler a entrevista de Melanie Scaife com Boun, eu tinha escrito três vezes para Pascal Brancart, Vice-presidente Senior de Desenvolvimento Comercial Sustentável da Suez Energy International. Eu pedi para Brancart uma cópia da avaliação do impacto ambiental para a expansão, bem como uma lista completa de todos os documentos apresentados neste projeto. Eu perguntei se o trabalho envolvia a construção de quaisquer novas barragens (seja pela Suez Energy International ou quaisquer outras companhias). Eu perguntei se o trabalho resultaria em novos despejos. Eu perguntei sobre estudos dos impactos rio abaixo das águas desviadas no reservatório de Houay Ho. Eu perguntei se a Suez Energy International acha que os problemas de reassentamento associados com a barragem Houay Ho estão resolvidos agora. E eu pedi uma cópia do relatório de avaliação ambiental (que os consultores suíços Electrowatt completaram enquanto a construção da barragem estava sendo levada a cabo na década de 90) e o relatório de devida diligência (realizado pela firma de consultoria de engenharia Knight Piésold antes de que a Tractebel comprasse a participação majoritária na barragem), documentos que a companhia se tem negado repetidamente a divulgar.

Brancart não respondeu meus e-mails. Até agora, ele não tem respondido minhas ligações. Eu vou continuar tentando. Quando possa falar com ele, vou transmitir-lhe a mensagem de Boun para a Suez Energy International: “Primeiro: assumam a responsabilidade pelos impactos da barragem. Segundo: ajudem-nos a voltar a nosso lar."

Por Chris Lang, e-mail: chrislang@t-online.de , www.chrislang.blogspot.com

 

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