disponível em Francês, Espanhol e Inglês

Número 119 - Junho 2007

NOSSA OPINIÃO
COMUNIDADES E FLORESTAS

COMUNIDADES E MONOCULTRAS DE ÁRVORES

AGROCOMBUSTÍVEIS

SUMIDOUROS DE CARBONO

NOSSA OPINIÃO


- Plantações de árvores, árvores GM e agrocombustíveis: apelo para a CDB

 

O objetivo principal da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é a conservação e o uso sustentável da diversidade biológica do mundo.  Portanto pareceria óbvio que qualquer coisa que ameaçasse a biodiversidade deveria ser adequadamente abordada pelos signatários da convenção.

 

Em virtude de que o Órgão Subsidiário de Assessoria Científica e Tecnológica (SBSTTA) da Convenção estará reunindo-se em Paris no começo de julho, achamos que essa pode ser uma boa oportunidade para abordar os impactos das plantações de monoculturas de árvores, árvores geneticamente modificadas e desenvolvimento dos agrocombustíveis sobre a diversidade.

 

A respeito das plantações de monoculturas de árvores, sua expansão está tendo um grande impacto sobre a diversidade vegetal e animal, particularmente –apesar de que não somente- nos trópicos ricos em biodiversidade. Apesar disso, os órgãos oficiais continuam definindo elas como "florestas" outorgando-lhes portanto uma imagem positiva. Achamos que a CDB deveria impugnar –da perspectiva mais ampla da biodiversidade- o uso dos termos "plantações florestais" e "florestas plantadas" com referência às plantações de monoculturas de árvores.  Nesse sentido, o SBSTTA poderia fornecer assessoria científica à Conferência das Partes, solicitando-lhe que separe claramente as florestas das plantações de monoculturas de árvores e que inclua as últimas como uma ameaça para a biodiversidade que devem ser adequadamente estudadas e analisadas.

 

A respeito das árvores geneticamente modificadas (GM), a última Conferência das Partes (COP8) adotou uma importante e positiva medida (Decisão VIII/19), recomendando as Partes "serem cautelosas ao abordarem a problemática das árvores geneticamente modificadas". Em uma carta enviada ao secretariado da CDB em novembro de 2006, um grande número de ONG forneceram análise e informação sobre a ameaça apresentada pelas árvores GM e concluem que " as árvores GM não têm nenhum papel na conservação da diversidade biológica das florestas e, ao contrário, reduzirão a diversidade florestal, com sérias conseqüências sociais", acrescentando que "o alto risco indicado pela ciência disponível, apesar de incompleta, mostra que a tecnologia poderia resultar na extinção de espécies de flora e fauna da floresta com impactos negativos severos na biodiversidade". A carta instava a CDB "a avançar desde a atual recomendação feita às Partes de serem cautelosas para uma decisão obrigatória, declarando imediatamente a proibição da liberação de árvores geneticamente modificadas." Esse é outro assunto onde achamos que o SBSTTA poderia ter uma função importante, recomendando essa proibição.

 

A respeito dos agrocombustíveis fica claro que as plantações de agrocombustíveis estão sendo fortemente promovidas no mundo inteiro e particularmente no Sul. Na maioria dos casos, essas plantações consistirão em monoculturas em grande escala de diferentes cultivos agrícolas (cana-de-açúcar, soja, milho e outros), bem como plantações de árvores e de dendezeiros. Todas essas monoculturas –na maioria dos casos acompanhadas pelo excessivo uso de agroquímicos- terão um impacto sobre a biodiversidade. Para piorar a situação, no caso das plantações de árvores está sendo levada a cabo pesquisa para modificar geneticamente árvores para a produção de etanol. Aqui também o SBSSTA poderia fornecer à CDB informação pertinente sobre os impactos do desenvolvimento dos agrocombustíveis na biodiversidade.

 

As que antecedem constituem grandes ameaças para a biodiversidade que ainda não têm recebido suficiente atenção da CDB. Portanto esperamos que o SBSTTA as aborde em sua próxima reunião e forneça a necessária assessoria científica para a Conferência das Partes.

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COMUNIDADES E FLORESTAS

 

- Brasil: indígenas amazônicos forçados a fazer contato

 

Em maio deste ano, um grupo de indígenas, que até então tinha permanecido em isolamento voluntário, fez contato com o mundo exterior. Isto ocorreu ao norte do Estado de Pará. Os indígenas caminharam durante 5 dias mais de 100 km na densa floresta  Amazônica, atravessaram a divisa com Mato Grosso e chegaram inesperadamente a uma aldeia dos índios Caiapós.

 

É importante salientar que esse contato não foi fruto de uma decisão livre, mas o resultado da invasão de madeireiros em suas terras, obrigando-os a fugir e fazer esse longo e difícil percurso até a chegada à aldeia.

 

Trata-se de um grupo de 87 índios Metyktire – subdivisão dos Caiapós. Eles foram contatados inicialmente no ano 1950, mas na época decidiram se adentrar na floresta amazônica, optando pelo isolamento voluntário até agora.

 

Conforme as informações, o primeiro contato foi realizado por dois homens que emitiram alguns sons perto de uma das casas da aldeia e foram vistos por dois jovens. Uma vez superada a desconfiança mútua resultante do inesperado encontro, o restante do grupo foi entrando paulatinamente na aldeia Caiapó.

 

Como medida preventiva, determinou-se que o contato com os Metyktire ficasse restrito aos integrantes dessa aldeia, para evitar o contágio de doenças contra as quais eles não têm defesas imunológicas. Esta aldeia está integrada por indígenas da mesma etnia que nos anos 50 decidiram manter contato com os brancos. O líder da aldeia -Megaron Txucarramãe- quem é também representante perante a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), está a cargo da interlocução com os recém chegados. Segundo a FUNAI, não há informações de índios Metyrike feridos ou mortos na área que ocupavam, ou da existência de membros do grupo que ainda não tenham decidido sair do local.

 

Os Metyktire eram considerados desaparecidos e seu paradeiro não era conhecido. Foram recebidos pelos Caiapós com muita alegria, entre cânticos e danças. Ainda não há imagens disponíveis, mas podem ser ouvidas as gravações dos cânticos que foram transmitidas pela rádio local (visite: http://www.survival-international.org/news/2462). Conforme os relatos, os Metyktire falam uma versão mais pura do mebengokré (a língua dos Caiapós), eles são altos e fortes, usam o cabelo comprido e “botoque” (disco de madeira preso no lábio inferior). 

 

Segundo Gilberto Hazaña e Sydney Possuelo do Centro de Trabalho Indígena, os índios em isolamento voluntário são povos que “…ao longo do tempo (500 anos!), buscaram regiões isoladas ou se refugiaram nelas ou, para melhor dizer, regiões não procuradas pela sanha mercantilista (ou missioneira) dos nossos ‘frentes de expansão‘. Na Amazônia (brasileira principalmente, mas também na boliviana, peruana, colombiana, venezuelana,  equatoriana e guianesa) estimamos que ainda existem dezenas de povos indígenas que vivem quase nas mesmas condições que viviam há quinhentos, seiscentos ou mil anos atrás: vestidos apenas com seus enfeites de penas ou seus estojos penianos, sobrevivendo da caça, da pesca, da colheita e da agricultura em pequena escala, com machados de pedra e fogo, sem doenças viróticas, em um ambiente de plena abundância. Hoje, é um fato que a maioria dos povos isolados na Amazônia estão vivendo uma situação extremamente grave em função do avanço das frentes predatórias (madeireiros e mineradoras) sobre as últimas áreas ainda virgens da região”.

 

Este contato recente do povo Metyktire, oferece uma boa oportunidade para refletir sobre o futuro destes povos, deixando de lado o fato folclórico e a cobertura sensacionalista que a maioria dos médios de comunicação fazem da questão.

 

O primeiro ponto para a reflexão é que eles não fizeram contato por decisão própria. Pelo contrário, as primeiras versões afirmam que vinham fugindo dos madeireiros e que por 5 dias fugiram através da mata fechada até finalmente fazer contato com seus irmãos Caiapós. Ou seja, poderiam ter sido exterminados a balaços pelos madeireiros -como tem ocorrido em muitos casos- sem deixar rastros. Afortunadamente, conseguiram escapar.

 

Ao mesmo tempo, surge uma série de perguntas: Qual é o futuro destas comunidades forçadas a fazer contato com um mundo exterior onde reina o mercantilismo e onde o principal interesse desta história serão as imagens dos índios com seus corpos nus e botoque nos lábios? Qual será o futuro destas comunidades integrando-se a um mundo, e a um país, onde prevalece o racismo e grande parte dos povos indígenas vivem em condições de extrema pobreza? Qual será o futuro das dezenas de comunidades que ainda vivem na floresta -particularmente no Brasil- quando suas terras sejam entregues às empresas madeireiras, mineradoras ou petroleiras, em nome do “desenvolvimento e crescimento econômico” do país?

 

Mas talvez a pergunta mais importante seja: O que podemos fazer para garantir os direitos destes povos e para que eles possam optar livremente entre viver em isolamento ou não?

 

Nesse sentido, entendemos que a primeira coisa a fazer é dar a conhecer sua existência e conseguir que seja compreendida e respeitada sua decisão de viver em isolamento. Fazer compreender às pessoas que não se trata de povos ignorantes que vivem na miséria, mas de povos com uma cultura própria, adaptada a utilizar de forma sustentável o “ambiente de plena abundância” em que vivem.

 

Ao mesmo tempo, é imprescindível conseguir que os governos reconheçam os direitos territoriais destes povos - que antecedem a existência dos atuais Estados nacionais- e que garantam que eles sejam respeitados, impedindo o ingresso de madeireiros, mineradoras e outros agentes de destruição em suas terras.

 

Sem o apoio da sociedade exterior, esses povos não têm condições de defender seus territórios ancestrais perante agentes externos bem armados e inescrupulosos; sua única opção é fazer contato contra sua vontade ou sumir. É por isso que fazemos um chamado a tod@s –e, em particular aos povos dos países amazônicos- para redobrar esforços visando proteger os direitos de todos os povos indígenas que vivem em isolamento voluntário.

 

Artículo elaborado com base em informações de: “Indio brabo”, artículo de Rodolfo Salm publicado no Correio da Cidadania, http://www.correiocidadania.com.br/content/view/434/57/; Survival Internacional, http://www.survival-international.org/news/2462 ; Boletín 87 del WRM, http://www.wrm.org.uy/boletin/87/AM.html#Brasil

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- Equador: levantamento por um país livre de mineração em grande escala

 

As comunidades equatorianas afetadas pela mineração convocaram para um Levantamento Mineiro em 5 de junho, Dia do Meio Ambiente. Estabeleceram--se diferentes pontos de resistência espalhados pela geografia nacional em Imbabura, Quito, Chimborazo, Cañar, Azuay, El Oro, Zamora e Morona. Apesar de o protesto ter se desenvolvido em forma pacífica, a força pública reprimiu as comunidades em Levantamento durante os primeiros dias, especialmente em Tarqui, Victoria del Portete, Molleturo e San Carlos-Balao, causando indignação na população frente aos brutais atropelos cometidos pela polícia, sobre cujas responsabilidades está se exigindo pesquisa e punição.

 

De qualquer jeito, o Levantamento foi um sucesso total por ter mobilizado milhares de pessoas prejudicadas pelos megaprojetos mineiros nos locais de maior conflito no país. Assim se fortaleceu a decisão das comunidades e das organizações constituídas como a Coordenadora Nacional pela Defesa da Vida e a Soberania, para continuar lutando até atingir os objetivos propostos na plataforma de luta e avançar para a declaração do Equador como “país livre de mineração em grande escala”. Além disso, os esforços desdobrados pelas comunidades serviram para tematizar definitivamente o problema mineiro tanto em nível nacional quanto internacional.

 

Um dos pontos mais preocupantes para as comunidades em resistência contra a atividade mineira no país é a falta de decisão política do governo para respeitar e fazer respeitar a Constituição e os interesses coletivos dos equatorianos frente à terrível ameaça que pesa sobre as vidas das comunidades afetadas, com a onipresença das transnacionais mineiras e sua iminente atividade em alguns dos casos. Com sua posição contra a mineração, o que as comunidades defendem são seus direitos, sua água, suas florestas e um meio ambiente sadio para as futuras gerações. As empresas mineradoras, por sua vez, apoiaram-se na força pública ou nos seus próprios corpos de segurança, e em um enxame dos chamados "relacionadores comunitários", perseguindo e intimidando dirigentes e comunidades, criando assim um estado permanente de insegurança e violência (ver Boletim Nº 118).

 

Na província amazônica da Zamora, as concessões mineiras ocupam inteiramente o cantão Yantzaza. Esta região, de uma flora e fauna únicas no mundo pela sua riqueza e diversidade, tem ainda frondosas florestas que conseguiram sobreviver aos embates da lógica depredadora que impera desde as épocas da conquista. Além disso, Zamora Chinchipe é o berço de povos originários e acolheu com generosidade milhares de famílias do município de Loja e de outras províncias, deslocadas pelo desmatamento, sua conseqüente seca e outras situações críticas. A cultura agrícola que elas desenvolveram nas bacias férteis dos rios lhes permite gozar de auto-suficiência alimentar e fornecer outras regiões do país de alimentos sadios. A Rede de Defesa da Natureza, a Dignidade e a Vida desta província manifesta: “Queremos que o Estado estabeleça políticas que nos ajudem a nos enraizar e a permanecer nos nossos povos, vivendo em um país que sonhamos ecológico, agrícola, e não mineiro”.

 

Nos flancos ocidentais dos Andes, as comunidades da zona norte-ocidental de Intag, na província de Imbabura, defendem também uma floresta tropical nublada, habitat de uma biodiversidade única no mundo. Graças a um processo organizacional alternativo, pioneiro no país, as comunidades desta parte desenvolveram uma variedade de atividades produtivas que consolidam o processo contra a mineração que significaria não apenas o deslocamento de famílias e comunidades para dar lugar ao projeto mineiro, como também a destruição destas valiosas florestas.

 

Também, a Coordenadora Nacional manifesta sua “decisão de pressionar o governo para se decidir a atuar em favor de seu povo”. Há empecilhos para a atividade anti-mineira nos últimos dias, depois da demissão do Ministro da Energia e Minas, Alberto Acosta,  no início, ele parecia disposto a apoiar as comunidades e por momentos foi visto como um possível grande aliado dentro do governo, apesar de não ter chegado a concretizar nenhuma medida para retirar as concessões mineiras - o que é uma das reclamações firmes das comunidades afetadas. Com certeza, foram as pressões dos diferentes grupos de interesse as que demitiram esta semana o Ministro Acosta.para apresentar sua candidatura a Congressista em face da Constituinte.

 

Com ou sem Ministro aliado, a luta anti-mineira continua convocando todos os setores da sociedade a participar no Levantamento que pretende continuar a finais deste mesmo mês de junho, com vistas a deter a invasão das transnacionais estrangeiras que pretendem saquear os minerais do subsolo deixando no país pobreza, desemprego, poluição ambiental e social. A Coordenadora Nacional insta o governo a ouvir o clamor de milhares de famílias que estão defendendo sua vida e a dignidade nacional para “que atue em forma urgente deixando sem valor as concessões, suspendendo imediatamente as atividades das mineiras transnacionais em todo o país e exigindo que abandonem nossas comunidades”.

 

Em face da Constituinte, medidas propostas pelas comunidades em resistência incluem, entre outras, declarar toda a Amazônia, bem como o nascimento e ribeiras das águas, reservas ecológicas intocáveis pelos interesses privados comerciais de extração e exploração; que a água superficial e subterrânea não possa estar submetida a nenhum tipo de privatização; nacionalização dos recursos naturais e uso segundo as características ecológicas, sociais, culturais e ancestrais dos povos e comunidades; indenização imediata pelos prejuízos ecológicos, psicológicos e sociais causados pelas atividades mineiras às comunidades; um marco regulatório para melhorar as práticas de mineração artesanal; garantias para os agricultores quanto à posse do solo e subsolo, garantindo sua atividade por cima da extração mineira; garantias às comunidades para não serem deslocadas.

 

Por Guadalupe Rodríguez, correio eletrônico: guadalupe@regenwald.org

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-Indonésia: a floresta atacada pela indústria florestal

 

A Indonésia tem a terceira maior floresta tropical do mundo, depois do Brasil e  da República Democrática do Congo. Ainda que represente apenas 1,3 por cento do total da área florestal mundial, a floresta da Indonésia abriga 10 por cento das espécies de flora do mundo, 12 por cento dos mamíferos do mundo, 17 por cento dos répteis e anfíbios do mundo e 17 por cento das aves do mundo. Indonésia é o segundo país em termos de riqueza de vida selvagem. Suas florestas também abrigam espécies em perigo de extinção como os orangotangos, os tigres, os rinocerontes e os elefantes asiáticos.

 

A floresta é a segunda maior fonte para a economia nacional do país depois do azeite. O Estado tem usado as rendas obtidas das florestas para manter seu poder durante os 32 anos do regime New Order sob as ordens do ex-presidente Suharto. As atividades florestais – na forma de concessões florestais (Hak Pengusahaan Hutan – HPHs), plantações industriais de árvores (Hak Pengusahaan Hutan – HPHs), e outras plantações (como dendezeiros e seringueiras) – foram distribuídas entre a família do governante, amigos e sócios, militares importantes e políticos de elite como recompensa por sua lealdade. Quem controlava as florestas tinha considerável riqueza e poder.

 

Para as comunidades que dependem da floresta, esta tem um significado totalmente diferente.  O manejo abusivo e destrutivo tem deixado as florestas nuas e teve um grande impacto negativo no setor camponês pobre. Para eles, a floresta abrange valores culturais. A maioria das comunidades rurais que moram fora das densamente povoadas ilhas de Java, Bali e Madura praticam uma combinação de agricultura de subsistência e  comercial com o arroz gogo (de terras altas, arroz não irrigado), outras lavouras anuais e plantações de árvores. Eles também usam outros produtos florestais como rotim, mel, resinas, ervas, frutas, peixes e animais e plantas silvestres tanto para fins comerciais  quanto domésticos. Cerca de sete milhões de pessoas em Sumatra e Kalimantan dependem, para seu sustento das plantações de seringueiras, que cobrem uma área total de aproximadamente 2,5 milhões de hectares. Em Sumatra, as comunidades locais manejam cerca de quatro milhões de hectares de florestas utilizando variadas práticas agroflorestais que combinam manejo de floresta natural e hortas de frutíferas, sem ajuda externa.

 

As comunidades florestais têm um conhecimento profundo do manejo florestal tradicional que herdaram de seus ancestrais. Este manejo tradicional da floresta foi especificamente reconhecido na Constituição Nacional do ano 1945.

 

Como a maioria dos povos das florestas não têm documentos oficiais de propriedade, o estado sob o mando do Presidente Suharto ignorou os direitos dos indígenas e controlou as extensas e produtivas terras florestais da Indonésia. O regime “New Order” de Suharto incluia uma agenda de desenvolvimento guiada pelo desmatamento das florestas do país. O estado exigia mais de 90 por cento do total das terras florestais fora de Java. A chamada “floresta estatal” foi designada sem um devido processo nem uma compensação adequada para as comunidades locais. As florestas maduras que tinham sido manejadas de forma sustentável pelas comunidades indígenas por gerações e que eram ricas em flora e fauna, foram exploradas para obter madeira e transformaram-se em extensas plantações de monoculturas de árvores exóticas de rápido crescimento.  

 

A rápida expansão e desenvolvimento  das indústrias que processam madeira ultrapassa a capacidade de produção para o abastecimento das áreas florestais e das plantações. Em decorrência disso, os madeireiros avançam no interior da floresta natural, cortam madeira em áreas protegidas bem como na floresta estatal ainda reclamada pelas  comunidades indígenas. O Banco Mundial, que recentemente criticou o desmatamento ilegal produzido pelo desenvolvimento excessivo da indústra da celulose, é responsável, em parte, do problema. Na década de 80, o Banco Mundial foi uma das entidades envolvidas em promover a expansão da indústria da celulose e do papel. Em 1984, por exemplo, o Banco Mundial financiou um estudo realizado pela consultora florestal finlandensa Jaakko Pöyry, com o intuito de “ fortalecer a estrutura da indústria da celulose e do papel na Indonésia”:

 

Uma pesquisa realizada pelo grupo ambientalista WALHI aponta que pelo menos 72 por cento das florestas do país foram destruídas. Em um comunicado de imprensa em 2004, WALHI mostrou que o índice de desmatamento na Indonésia atingiu 3,8 milhões de hectares anuais, o maior índice no mundo de perda de floresta. Para colocar este índice de destruição de floresta em perspectiva, seria como se uma área de floresta equivalente a seis bases de futebol americano fosse destruída na Indonésia a cada minuto. Com base neste cálculo, cada minuto o governo da Indonésia perde US$ 1.300 por conceito de taxas e direitos alfandegários não pagos (três vezes a renda média anual de uma família indonésia) enquanto uns poucos conglomerados e empresários de elite embolsam US$ 24.000 do roubo das florestas da Indonésia. 

 

O impacto deste rápido desmatamento tem sido generalizado e variado. Impactou sobre o meio ambiente incluindo a perda de biodiversidade única, aumentou a ocorrência de enchentes e secas, diminuiu a qualidade e a quantidade da água e aumentou a ocorrência de incêndios florestais que poluem o ar e agravam a mudança climática global.

 

Cada vez mais pessoas percebem os impactos ambientais, no entanto, sabem muito pouco a respeito deles e raramente discutem os impactos do desmatamento ilegal sobre os direitos humanos. A capacidade excessiva das indústrias processadoras de madeira e a incapacidade das plantações industriais de árvores para abastecer as demandas desta indústria levou à exploração destruidora das florestas da Indonésia, tanto legal quanto ilegal. Como em outros setores que são ilicitamente rentáveis, as redes criminais têm um importante papel como chantagistas e protetores das operações ilegais, e não duvidam em usar a violência para acabar com a oposição a suas atividades. Na Indonésia, o setor ilegal e o uso da violência, em muitos casos, estão ligados a funcionários governamentais.

 

Ironicamente, o desmatamento e a perda dos meios de vida das comunidades locais são decorrentes de políticas governamentais que segundo o governo foram pensadas para trazer prosperidade à nação. O conceito de desenvolvimento de Suharto, como o adotado por muitos países industrializados emergentes, consistia em acelerar a expansão da economia através da exploração de recursos naturais. No entanto, a meta de expansão da economia perdeu importância e foi eventualmente substituída pela agenda de Suharto para consolidar seu poder através do apoio político, concedendo licenças para a exploração de recursos naturais. Mais de 62 milhões de hectares de terras florestais foram adjudicadas como concessões florestais (HPHs), sem o apropriado processo de oferta, a magnatas e companias florestais de propriedade do estado que têm laços familiares com a família de Suharto, ou com militares. Apesar da queda de Suharto em 1998, o país ainda vive com o legado de seu regime de mau manejo florestal e falta de aplicação da lei.

 

Extraído e adaptado de “Social conflict and environmental disaster: A report on Asia Pulp and Paper’s operations in Sumatra, Indonesia”, por Rivani Noor e Rully Syumanda, agosto de 2006, http://www.wrm.org.uy/countries/Indonesia/Book8.pdf

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- Laos: não há sucesso como o fracasso – A política versus a realidade no setor florestal

 

Durante a passada década, dezenas de milhões de dólares têm sido investidos pelas agências de financiamento para melhorar o manejo florestal no Laos com o objetivo estabelecido de ajudar para o desenvolvimento rural e a segurança dos meios de vida.  Apesar desses investimentos –incluindo projetos envolvendo muitos milhões de dólares apoiados pelo Banco Mundial, o Governo da Finlândia e a Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Sida), entre outros- o manejo incorreto das florestas de produção do Laos continuam sendo a regra. 

 

Na última edição da Watershed Magazine (Vol. 12 No. 1, julho 2006-fevereiro 2007), Benjamin D. Hodgdon, silvicultor e ecologista social com uma década de experiência na Indochina, narra a experiência de um projeto apoiado por ONG recentemente descontinuado pelo governo do Laos para salientar os sérios problemas que abundam na florestas de produção do país.

 

Seu artigo No success like failure: Policy versus reality in the Lao forestry sector (Não há sucesso como o fracasso: A política versus a realidade no setor florestal laosiano) oferece uma original olhada para o mundo real da atividade madeireira no Laos, uma realidade que aparece em gritante contraste com a legislação florestal aprovada pelo governo à ordem de seus principais patrocinadores financeiros.

 

O artigo começa apresentando a razão pelo florestamento comunitário no contexto do Laos, bem como o desenvolvimento da versão laosiana do florestamento comunitário focalizado principalmente na produção de madeira, chamada "manejo florestal sustentável participativo" (MFSP). O MFSP, resultado de um processo de política de uma década apoiado pelo Banco Mundial e o Governo da Finlândia, estipula no papel que os aldeões que vivem em ou adjacentes a áreas de florestas de produção determinadas têm o direito de envolver-se em planejamento e manejo florestal e que têm direito a uma percentagem significativa dos lucros da venda da madeira.

 

Essa é a política. Mas a realidade é bem diferente.

 

Para ilustrar esse ponto, Hodgon conta a história de um projeto apoiado pelo WWF que objetivava iniciar MFSP na Província de Xekong, uma província afastada e predominantemente indígena no sul do país. O projeto –implementado em uma área de 10.000 hectares chamada Phou Theung- trabalhava com agências florestais do governo provinciais e de nível central para envolver sete aldeias (os Krieng étnicos, os Alak e os Souay) no planejamento e manejo florestal de acordo com a legislação nacional de MFSP.

 

No tempo, no entanto, e especialmente enquanto a estação madeireira instalava-se em plena atividade, surgiu um sério abuso pelos sócios governamentais do projeto.

 

"Os silvicultores cotidianamente deixavam seu trabalho com o projeto ou eram realocados para trabalhar com companhias que estavam removendo ilegalmente madeira da área de projeto" escreve Hodgdon. Ao ser apresentada a evidência desse abuso, as autoridades provinciais alegaram ignorância ou que eram as atividades de operações "isoladas". Na realidade, no entanto, como mostra o artigo, essas remoções ilegais de madeira eram "totalmente conhecidas e aprovadas pelos funcionários do governo.”

 

Em decorrência das atividades do projeto para melhorar o manejo florestal e implementar a lei nacional, pessoas poderosas no Departamento Florestal e o governo provincial de Xekong conluiaram para descontinuar o projeto, citando o fato de que "apenas o estado" tem o direito de tomar decisões sobre atividade madeireira.

 

O encerramento do projeto, escreve Hodgdon, ilustra quantas pessoas do governo laosiano não apóiam o MFSP tanto por razões políticas quanto econômicas. Politicamente o projeto representava um afastamento do governo no poder de tomada de decisões sobre recursos madeireiros valiosos, enquanto economicamente se "traduzia como menos dinheiro indo para os bolsos de uns poucos conectados.”

 

O artigo conclui sustentando que sem mudanças fundamentais às instituições políticas e legais no Laos há pouca esperança para que o MFSP se consolide. "Na essência" diz Hodgdon, "reformas democratizadoras como a legislação MFSP requerem instituições democráticas para funcionar.”

 

O artigo na íntegra está disponível em http://www.terraper.org/pic_water/Watershed%2012(1).pdf

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- Povos Indígenas da África Central: perdem sua saúde junto com suas florestas

 

Os povos indígenas caçadores- coletores das florestas da África Central, chamados povos Pigmeus, fazem parte de, no mínimo, 15 grupos etnolingüísticos diferenciados. Incluem os Gyéli, Kola, Baka, Aka, Bongo, Efe, Mbuti, Twa do oeste e  Twa do leste e vivem em dez países da África Central: Angola, Camarões, Guiné Equatorial, República Centro-Africana, Gabão, República do Congo (Congo), República Democrática do Congo, Uganda, Ruanda e Burundi. Calcula-se que a população total está entre 300.000 e 500.000 pessoas.

 

O termo Pigmeus pode ter conotações pejorativas, mas aqui é usado como um termo adotado pelos ativistas indígenas e as organizações de apoio a fim de abranger os diferentes grupos de caçadores-coletores das florestas centro-africanas e os anteriores caçadores-coletores, e de distingui-los de outros grupos étnicos que vivem nas florestas, mas que são mais dependentes da agricultura e dominantes tanto econômica quanto politicamente.

 

Os riscos para a saúde dos povos Pigmeus vêm mudando a medida que as florestas da África central- que são a base de sua tradicional estrutura social, cultura e economia de caçadores-coletores- vêm sendo destruídas ou desapropriadas por projetos de conservação, agricultura e desmatamento.

 

“…desde que fomos despejados de nossas terras, a morte está nos perseguindo. Sepultamos pessoas quase todos os dias. A aldeia está se esvaziando. Estão nos extinguindo. Atualmente, todos os anciãos morreram. Nossa cultura também está agonizando…” disseram dois homens Twa deslocados do Parque Nacional Kahuzi-Biega na República Democrática do Congo.

 

A forma de vida tradicional dos Pigmeus consiste em viverem em pequenos e nómades grupos igualitários cujas estratégias de sobrevivência estão baseadas na caça, coleta, lavoura em pequena escala e intercâmbio de produtos florestais com seus vizinhos agricultores. Eles consideram que pertencem à floresta, que estão intimamente ligados através dos espíritos de seus ancestrais e da floresta. As comunidades de Pigmeus continuam mantendo sua sobrevivência baseada na floresta sempre que possível, mas muitos passam tempo demais nos assentamentos que bordeiam os caminhos, tendo contatos mais próximos com as comunidades de agricultores Bantu, e maior dependência da agricultura e do trabalho assalariado.

 

Na área dos Grandes Lagos da África Central, o desmatamento extensivo das florestas provocou que a maioria dos Twa ficassem sem terras, empobrecessem e lutassem para manter sua identidade cultural.

 

As taxas de mortalidade nas comunidades de Pigmeus são altas, bem como as taxas de fertilidade. A perda do meio de vida baseado na floresta pode ser associada com a mortalidade crescente. A importância vital da terra para eles sobreviverem ficou evidenciada pela queda da mortalidade em crianças menores de 5 anos de 59% a 18% quando as famílias Twa da Uganda receberam terras.

 

Nos locais onde os recursos alimentares florestais se esgotaram em decorrência do desmatamento destrutivo ou da caça furtiva comercial e os povos Pigmeus ficam sem terras para cultivar alimentos alternativos, o estado nutricional diminui. As crianças e as mulheres grávidas são especialmente vulneráveis, e o problema vem sendo agravado pela interrupção dos tradicionais sistemas de compartilhar alimentos.

 

A perda das florestas também priva as comunidades de Pigmeus de sua renomada farmacopéia tradicional de ervas, que contém compostos ativos contra doenças como helmintíase, verme da Guiné, icterícia, malária, diarréia, dores dentais e tosse.

 

A medida que as comunidades de Pigmeus passam mais tempo longe da floresta em assentamentos fixos, a malária aumenta e os parasitas se acumulam devido ao aumento da densidade populacional e aos escassos serviços de sanidade.

 

Os mecanismos tradicionais para lidar com tensões e desacordos ( cerimônias nocturnas com cânticos para recuperar a harmonia entre os integrantes do grupo e a floresta) estão desgastados; o abuso do álcool e a violência doméstica contra a mulher aumentam.

 

Na maior parte da área rural da África Central, os serviços sanitários básicos não existem, têm um funcionamento rudimentar ou têm sido destruídos durante os conflitos. Mesmo em locais onde os centros de atendimento existem, muitos Pigmeus não podem usá-los por não poderem pagar as consultas nem os medicamentos; não têm os documentos de identidade necessários para viajarem ou obterem tratamento hospitalar, ou estão sujeitos a tratamento humilhante e discriminatório.

 

Os povos Pigmeus se mostraram resilientes; durante séculos têm se adaptado a novas situações enquanto mantinham suas características culturais, sempre que tivessem acesso às florestas. Os grupos Pigmeus que ainda são capazes de levar uma vida baseada majoritariamente na floresta têm melhor saúde que os grupos agricultores vizinhos. As florestas são o lugar onde se sentem à vontade, um componente vital para seu senso de bem-estar e saúde espiritual e mental. Pelo contrário, a perda de terras florestais e recursos, e a conseqüente sedentarização, aumenta os riscos de nutrição inadequada, doenças infecciosas, parasitas, e HIV/AIDS sem que isso signifique um aumento do acesso ao atendimento em saúde.

 

Para proteger e melhorar a saúde dos povos Pigmeus, os governos, as agências de desenvolvimento, os missionários e as organizações não governamentais devem trabalhar a fim de garantir os direitos dos povos Pigmeus a suas terras consuetudinárias e aos recursos, ou seja a suas florestas.

 

Extraído e adaptado de: “Health of Indigenous People in Africa”, Nyang’ori Ohenjo, Ruth Willis, Dorothy Jackson, Clive Nettleton, Kenneth Good, Benon Mugarura, Series of Social Determinants of Health, http://www.who.int/social_determinants/resources/articles/lancet_ohenjo.pdf

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COMUNIDADES E MONOCULTRAS DE ÁRVORES

 

- África do Sul: plantações comerciais como opção de desenvolvimento de “pegar ou largar” para áreas rurais

 

A página web http://www.southafrica.info, editada pelo Conselho de Marketing Internacional da África do Sul, incluiu em março um artigo que afirmava “A África do Sul tem indicado as províncias de Eastern Cape e KwaZulu-Natal como peças chaves para o desenvolvimento do setor florestal, da madeira e do papel, sendo o reflorestamento uma parte vital da estratégia”. Para quem não conhece a linguagem do florestamento, cabe salientar que na África do Sul o termo “reflorestamento” implica, na realidade, a plantação de extensas monoculturas de árvores de espécies exóticas em ecossistemas de pradaria nativa. O artigo apresentava uma foto com a legenda “A África do Sul está olhando para o setor do florestamento, madeira e papel a fim de fomentar o investimento e o emprego em Eastern Cape e KwaZulu-Natal”

 

Após todos estes anos de experiência com as plantações de árvores e seus impactos nas pessoas e no ambiente, parece incrível que a indústria possa falar seriamente ao afirmar que  as plantações são geradoras de emprego e que o governo possa continuar com sua promoção.

 

A parte positiva do artigo (disponível em http://www.southafrica.info/doing_business/investment/oppurtunities/forestry-010307.htm) é que gerou um debate interessante. A seguir, a mensagem enviada por Sinegugu Zukulu, que trabalha para a organização Endangered Wildlife Trust, e descreve sua experiência pessoal em Zululand do Norte.

 

Sinegugu começa explicando por quê ele considera que “o povo receberá isso como uma importante medida”: porque “é apresentada a eles como uma opção sem opção, (opção de desenvolvimento para “pegar ou largar” nas áreas rurais!).”

 

Ele, então, explica por quê já foi provado que se trata de uma opção ruim:

 

 “Tive a oportunidade de observar como foi implementado o florestamento em Zululand do Norte. Por volta de 1995/6, visitei a família Mlambo que freqüenta minha igreja em Mtubatuba, localizada no meio de plantações de Gum [eucaliptos ]. Todas as famílias tinham transformado as terras em plantações de eucaliptos ou cana-de-açúcar. O resultado foi o esgotamento de todos os mananciais e córregos locais. Havia longas filas no local em que acostumava a ser um manancial permanente. As pessoas deviam esperar que a água chegasse. Quando disse a eles que isso era devido às árvores de gum que eles tinham plantado, não acreditaram em mim. E prognostiquei que os córregos e o manancial logo secariam.  

 

Poucos anos depois, eles telefonaram para dizer que minha predição era certa. As terras de pastagem para o gado desapareceram, já que as árvores de gum substituíram todas as pradarias. A água dos córregos que acostumava a fluir livre e permanentemente em locais como Mtunzini estava no momento estagnada e alguns deles tinham secado.

 

As pessoas tinham que comprar os comestíveis cada mês. Os cultivos comerciais não eram cultivos alimentares. As pessoas sem dinheiro para comprar mantimentos morriam de fome. As culturas de milho cercadas por plantações de gum tornaram-se amarelas, já que as raízes das árvores de gum foram se espalhando e absorveram toda a água. Foram queimadas sob altas temperaturas por serem protegidas dos ventos refrescantes.

 

É a isso que querem que nós estejamos sujeitos? O povo será informado de todos esses efeitos secundários e dos impactos ambientais? , nós já temos mais que suficientes plantações de gum e Black wattle [acácia]. Acho que é mais uma solução rápida da que não foi feita nenhuma avaliação do impacto ambiental para informar o povo das conseqüências. O governo de nosso país não implementa a maravilhosa constituição que temos, que nos garante o direito a um ambiente saudável e inofensivo e a um ambiente protegido em benefício das futuras gerações. As avaliações de impacto ambiental (EIA) são inúteis a menos que o povo seja informado para poder engajar-se no processo. Portanto, o primeiro passo é dar informação ao público. Nossos governos se arriscam a propor qualquer desenvolvimento porque sabem que o povo é analfabeto nas áreas rurais.

 

Eu não apoiaria isso para minha comunidade. Seria feliz se pudesse fazer alguma coisa para reduzir o número de plantações de gum que já temos. Esse é outro projeto para satisfazer a avidez de grandes empresas madeireiras como a SAPPI e a MONDI. Os principais culpáveis da perda de biodiversidade no país são as plantações de madeira. Também são os maiores financiadores da educação ambiental. Acho muito exquisito o fato de os Centros de Educação Ambiental estarem financiados pelas mesmas empresas que causam o problema. Tal situação coloca os profissionais em problemas porque não podem dizer nada contra os culpáveis enquanto informam o público. É ridículo.”

 

Os impactos mencionados não são invenções de Sinegugu. Quase os mesmos impactos podem ser documentados em cada país- da América Latina à Ásia- em que foram estabelecidas tais plantações. Até quando o setor da polpa e o papel prevalecerá sobre as pessoas e o ambiente? Até quando os governos do Sul apoiarão essa atividade destruidora? Até quando continuarão mentindo sobre os empregos gerados?

 

Artigo baseado no correio eletrônico enviado por Sinegugu Zukulu, que autorizou o WRM a usá-lo.

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- Brasil: resposta à tentativa da Veracel de obter o selo do FSC para suas plantações

 

A certificadora SGS tem iniciado um processo de consulta para certificar perante o FSC as plantações de eucalipto da companhia florestal Veracel Celulose S.A. –propriedade da sueco-finlandesa Stora Enso e da norueguês-brasileira Aracruz Celulose-, estabelecidas em 78.000 hectares no extremo sul do Estado da Bahia e cujos impactos ocasionam grande resistência local (vide Boletim Nº 109).  A avaliação principal será realizada entre 23 e 27 de julho de 2007.

 

A seguir publicamos uma Carta Aberta que significa um alerta para impedir que a Veracel receba esse selo, ao mesmo tempo que reflete a indignação perante a pretensão de certificar um empreendimento que tem causado e continua causando tanta dor e sofrimento.

           

Carta Aberta à mulheres e homens de boa vontade

 

Vou falar de coisas que acredito serem muito contraditórias. Como compreender a Certificação de PLANTAÇÃO DE ÁRVORES? Não, não é tão simples assim. Não se trata de arvores nativas do Bioma MATA ATLANTICA, onde nasci e cresci. Onde vivenciei vários ciclos de destruição mas nada comparado a este último: a monocultura de eucalipto!! Eu vi a mata sendo tombada para dar lugar a plantação de eucalipto! EU VI. Eu vi rios, córregos e nascentes secarem! Eu vi o trabalhador rural, o homem do campo, que não sabe ler nem escrever e que só aprendeu trabalhar na terra, com os dez, onze filhos vindo para cidade chorando, temendo o destino incerto. Hoje, os filhos mais velhos estão vendendo drogas nas esquinas, alguns até já foram presos e mais velho a policia matou. Ora, trata-se de bandido de alta periculosidade!! Vejam só. E o pai chorando, repete como para se convencer de que não teve culpa. — eu não ensinei o meu filho roubar nem matar, minha senhora!! Eu ensinei ao meu filho como plantar e colher, ensinei o ciclo das plantações o que se plantar em cada época. E ele aprendeu, era muito bom nisso, mas nos faltou a terra...

 

Os filhos mais novos e os netos, filhos do filho morto foram para a Casa de recuperação SOS vida para se recuperar da desnutrição profunda, causada pela falta de alimentos.

 

E neste momento, recebo um texto, extraído do “Valor Econômico” com o titulo, Veracel se arma contra opositores à fábrica, que diz: “A indústria de celulose está se municiando de informações estatísticas encomendadas de instituições independentes para mostrar os efeitos econômicos e sociais de seus empreendimentos e refutar as críticas geradas contra suas fábricas.

 

A Veracel, fabricante de celulose situada no extremo Sul da Bahia, divulga hoje um estudo indicando que já é responsável por aproximadamente 15% do PIB agropecuário da região. A fábrica, que começou a operar em maio de 2005, respondeu por 60% de todo o crescimento econômico regional no período de 2003 até 2006.

 

"Sabemos que a Veracel tem um efeito positivo sobre a Bahia e a região, mas não sabíamos o quanto", diz o presidente da companhia, Renato Gueron.

 

Ele explica que uma das razões para elaboração do estudo realizado pela divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi obter dados concretos para contrapor a opinião de pessoas contrárias às fábricas de celulose. "Existem organizações não-governamentais, movidas por ideologia, e outros grupos sem argumentos técnicos que se opõem ao nosso tipo de empreendimento", alega Gueron”.

 

Eu faço parte do grupo, que segundo o diretor da empresa, age por ideologia e não possui argumentos técnicos. Ora, então pressuponho que o que vejo, não é a realidade, não é cientificamente comprovado. Para ser cientificamente comprovado, necessito de um técnico, um acadêmico, que siga as normas e regras pré-estabelecidas e manipuladas, uma pessoa que tenha lido centenas e centenas de livros e que diga em um relatório extenso e incompreensível que o que tenho visto e vivenciado é verdade!

 

Mas esta situação é vista e vivenciada por homens, mulheres, jovens e crianças da pior forma. Sentimos na pele todos os dias as conseqüências nefastas do crescimento econômico regional que respondeu por 60% no período de 2003 a 2006!  Mas de qual crescimento estão falando e para quem!!! Certamente eles estão falando dos lucros distribuídos entre Aracruz e Stora Enso, sócias da Veracel! É só isso que é verdadeiro, os lucros são tecnicamente comprovados. E depois se ninguém se dispõe a comprovar que o povo desta região está vivendo miseravelmente, como provar? Pobres passando fome, pobre assaltando e roubando, que mal há nisso? Temos é que construir presídios! Já passou da hora de Eunápolis ter um presídio!

 

A justiça, os políticos, os cientistas, os acionistas não vivem aqui e os poucos que vivem, tem segurança particular e constrói muros altos para proteger suas casas e suas famílias. São os homens de bem, que detém a verdade! E a verdade é que a região tem crescido economicamente e já é responsável por 15% do PIB. Diante disto, vamos esquecer que para obter este resultado, a empresa desmatou a Mata Atlântica; que a empresa recebeu do IBAMA no ano de 2005 uma multa por ter impedido a regeneração de 1.200 hectares de mata em estágio de regeneração; que recebeu outra multa do IBAMA em 2007 por ter jogado veneno em nascentes; que a justiça determinou que ela cumprisse a lei e retirasse o plantio de eucalipto do entorno dos Parques Nacionais (Pau Brasil, Descobrimento e Monte Pascoal); que está sendo obrigada pela justiça federal a pagar direitos trabalhistas sonegados aos trabalhadores do Instituto Veracel; vamos esquecer também que este instituto era uma fachada, onde as crianças recebiam roupas novas e sapatos para esperar as visitas ilustres da Suécia e da Finlândia e quando a visita ia embora os funcionários eram obrigados a pegar de volta as roupas e sapatos deixando as crianças chorando descalças e com roupas rasgadas; vamos esquecer que a empresa não cumpre as condicionantes determinadas no licenciamento ambiental concedido pelo Conselho de Meio Ambiente do Estado da Bahia como por exemplo, fornecer madeira para outros fins para evitar pressão sobre o que resta da Mata Atlântica ou não adquirir áreas de pequenos proprietários sem aval do Sindicato dos Trabalhadores Rurais; vamos esquecer que em apenas um município, Eunápolis, do ano de 1996 ao ano 2000 perdeu-se cerca de 7 000 famílias do campo visto que as terras foram vendidas para a empresa Veracel; que ela destruiu uma comunidade (Maurília) para construir a fábrica e que as pessoas desta comunidade vivem hoje nas periferias das cidades, sem emprego,  na miséria; que a comunidade localizada ao lado da fábrica (Barrolândia), tem gente morrendo de inanição e fome pois as pessoas viviam das atividades rurais e hoje no seu entorno só existe plantação de eucalipto; que além da fome as pessoas desta comunidade estão morrendo de Hanseníase e tuberculose;  vamos esquecer o desrespeito desta empresa com a Legislação Brasileira e CERTIFICÁ-LA.

 

O objetivo da Veracel é conquistar a certificação FSC (sigla de Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) que é uma Organização não-governamental surgida em 1993, no Canadá. Esta certificação comprova que todo processo produtivo de uma empresa, desde a produção de sementes de eucalipto até a fabricação de celulose, é realizado de forma ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. E pelo que podemos verificar ela é apenas economicamente viável, e economicamente viável para os seus acionistas estrangeiros! Restam apenas miséria, fome e desemprego para o POVO BRASILEIRO!

 

A plantação desenfreada de eucalipto na região do Extremo Sul da Bahia, já se apropriou de quase todas as terras produtivas, fazendas tradicionais, comunidades de referencia do campo, agrovilas, estradas, riachos, casarios centenários, enfim de tudo que compõe a cultura de um povo.

 

Tudo isso foi conquistado pela empresa através de falsas promessas e enganações. A população regional foi ludibriada pelo poder econômico e a capacidade intelectual dos técnicos desta empresa. Hoje o povo da região está consciente dos malefícios causados pela Veracel e periodicamente encontramos na imprensa, manifestações populares, acusando a empresa de desrespeito e irresponsabilidade.

 

Conceder certificação a uma empresa como a Veracel significa dizer que o POVO BRASILEIRO não deve existir, que o POVO BRASILEIRO está condenado a morrer de fome!!!

 

Eunápolis, 20 de junho de 2007.

 

Por Ivonete Gonçalves, Educadora e Coordenadora Executiva do CEPEDES - Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul – Bahia.

Nasceu e vive em Eunápolis, município castigado pela monocultura de eucalipto e a fábrica de celulose da Veracel.

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- Equador: clamor popular pela revisão do Plano Agrário Florestal

 

Através de vários programas e iniciativas estatais, apoiados por órgãos de cooperação internacional, as monoculturas de plantações de árvores de variedades de rápido crescimento têm sido estabelecidas nas três regiões continentais do Equador e espalham-se de forma rápida, geralmente destruindo ecossistemas primários.

 

Tanto as plantações usadas como sumidouros de carbono na região dos Páramos, quanto as plantações de pinheiros na Serra Central ou as plantações de eucaliptos e de dendezeiros na zona tropical da província de Esmeraldas na região do Chocó são desenvolvidas dentro do mesmo modelo: monoculturas em longa escala para o grande mercado exportador e para beneficiar o agronegócio. Ficam pelo caminho as economias locais, as formas de vida e culturas das comunidades e sua soberania alimentar, a água, o solo, o futuro...

 

Diante desta situação, numerosas comunidades afetadas reuniram-se no mês passado e apresentaram a carta a seguir:

 

 “Carta Aberta ao Presidente Rafael Correa e à População Equatoriana Sobre o Plano Nacional de Florestamento e o Plano Nacional Agrário

 

As organizações indígenas, afrodescendentes e camponesas reunidas na cidade de Quito, em 24 de maio de 2007, para analisar os planos nacionais de florestamento e agrário, queremos manifestar nossa preocupação ao Senhor Presidente Rafael Correa.

 

Sabemos que é prioridade de seu Governo o trabalho em benefício das populações que tradicionalmente têm sido excluídas, como as populações indígenas, afrodescendentes e camponeses deste país; temos depositado a nossa esperança nesta administração, pois as políticas de Estado tradicionalmente têm beneficiado e continuam beneficiando os grandes proprietários de terras, os grandes produtores e os agro-exportadores, em detrimento da economia camponesa.

 

No entanto, temos reparado que o programa do atual Ministro da Agricultura segue a mesma linha, a Pátria continua sendo de uns poucos. Ele privilegia os agronegócios, promove as monoculturas e pretende implementar um pacote tecnológico que causa danos aos recursos naturais, aos solos, à água e à biodiversidade, aprofundando as desigualdades no campo e os processos de empobrecimento dos camponeses. Promove-se a produção de monoculturas para biocombustíveis, sem levar em consideração os requerimentos de soberania alimentar ou a defesa dos direitos coletivos das Nacionalidades e dos Povos.

 

Além disso, visa a um reflorestamento antiecológico com monoculturas, sem pesquisas prévias de impacto sobre as formas de vida camponesas e rurais, relacionado com uma abordagem que coloca como única estratégia as plantações florestais destinadas à indústria e à exportação.

 

As organizações rurais, camponesas, afrodescendentes e indígenas do Equador presentes no Encontro, Sujeitos fundamentais das políticas do Estado, requeremos que o Governo Nacional do Economista Correa exija coerência ao Ministro da Agricultura com a proposta de refundação do Equador em benefício da população mais pobre do país.

 

As organizações rurais, campesinas e indígenas do Equador, presentes no Encontro requeremos:

 

1. A Reforma Agrária integral que controle e elimine a concentração das terras, permitindo o acesso de pequenos produtores aos recursos produtivos com justiça.

 

2. A proteção e fomento da produção agroalimentar nacional, privilegiando programas produtivos sustentáveis coadministrados pelas organizações rurais do país.

 

3. A defesa da biodiversidade, os recursos fitogenéticos e os saberes ancestrais, impedindo a promoção de monoculturas agrícolas e florestais que os afetem, impedindo a introdução de sementes transgênicas bem como pacotes tecnológicos violentadores.

 

4. Políticas inclusivas para o setor agropecuário que respeitem a diversidade dos povos e nacionalidades, dos camponeses e camponesas, promovendo a interculturalidade; o reconhecimento da contribuição das mulheres nos processos produtivos soberanos.

 

5. Que toda política agrária e florestal seja elaborada com a participação central das organizações camponesas, indígenas e afro-equatorianas, respeitando suas formas próprias de manejo e garantindo seu controle sobre os recursos naturais dentro de seu território.

 

6. Que a soberania alimentar local e nacional seja garantida, permitindo que recursos tais como a terra e a água sejam utilizados para satisfazer as necessidades alimentares da população antes que qualquer atividade extrativa (mineira, petroleira ou madeireira) e que o uso da água seja para o consumo humano, não para represas hidrelétricas.

 

7. Os recursos do Estado devem ser destinados a garantir o cumprimento das demandas anteriores e não ao fomento dos agronegócios, não devem ser promovidos mecanismos de endividamento que fomentem um mercado de terras injusto.

 

Fazemos um apelo ao Senhor Presidente, para que hoje, 24 de maio, que estamos comemorando a independência do Equador, seja um dia em que as organizações camponesas, indígenas e afrodescendentes comemoremos o fim de uma longa noite neoliberal.”

 

(Seguem assinaturas)”

 

Informação enviada por: Acción Ecológica, email: cbosques@accionecologica.org

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- Indonésia: uma Visão Comum a fim de deter a expansão das plantações madeireiras para celulose

 

Membros de vinte e cinco ONGs  indonésias e organizações comunitárias se reuniram em Riau, Sumatra, no dia 13 de janeiro de 2007, para manifestarem suas sérias preocupações pelo impacto da indústria papeleira e celulósica e das plantações de árvores de crescimento rápido, sobre os povos e as florestas.

 

Sob o programa chamado de HTI (Hutan Tanaman Industri), “Plantações madeireiras industriais e Desenvolvimento da Indústria da Celulose”, lançado pelo governo no início dos anos 80, mais de cinco milhões de hectares foram destinados à monocultura de árvores de crescimento rápido (Acacia mangium e Eucaliptus) a fim de abastecer as indústrias da celulose, do papel e do raiom. Essa expansão maciça está levando à transformação de florestas primárias em plantações madeireiras – além de plantações de seringueiras e dendezeiros.

 

Representantes de organizações da sociedade civil (CSOs), que vêm discutindo as demandas básicas a serem feitas à indústria da celulose e do papel, bem como ao governo, apresentaram e assinaram um documento que expressa sua profunda convicção de a expansão das plantações de madeira para celulose “ter ultrapassado os limites que as florestas e a humanidade podem suportar”.

 

O processo em andamento para incluir o país no mercado mundial do papel como fornecedor de matéria prima barata tem sido sustentado pela exploração da natureza assim como pelo sofrimento e desapropriação dos povos da floresta. Como afirmam no documento: “O uso da floresta para satisfazer a demanda de matéria prima para a indústria da celulose e do papel visando o fornecimento de papel para consumo internacional, tem um histórico terrível de expropriação e violação dos direitos das comunidades, que já deixou cicatrizes. Vimos como a manipulação do mercado, facilitada por várias políticas governamentais, acarretou, direta e indiretamente, práticas de empresas que prejudicam o modo de vida dos povos e o meio ambiente em geral.”

 

Os impactos negativos da indústria da celulose e do papel no meio ambiente e nas comunidades vizinhas priva os habitantes de seu sustento e gera conflitos sociais e pobreza. Portanto, a reivindicação é “salvar as florestas remanescentes  e proteger os direitos das comunidades locais e indígenas de desastres inimagináveis em todas as áreas atingidas pelas plantações madeireiras para celulose e pelas fábricas de celulose e papel.”

 

Entre as partes envolvidas há agora uma “visão compartilhada sobre a reconstrução e transformação necessárias para o desenvolvimento das indústrias papeleira e celulósica na Indonésia.”

 

Eles afirmaram que: “Uma série de tópicos foram levantados à medida que compartilhamos nossas experiências de organizar a forma de dar apoio e ajuda às comunidades afetadas através de discussões sérias sobre a indústria papeleira e celulósica. Isso nos motivou a juntar nossas forças e pressionar para mudar políticas no intuito de deter todas as práticas prejudiciais e qualquer expansão ulterior dessa indústria. Nos próximos anos, pretendemos monitorar de perto todos os instrumentos políticos e pressionar para conseguirmos as mudanças e revisões correspondentes, trabalhando juntos cada um do seu jeito.”

 

Com base nestas experiências, redigimos esta Visão Comum para mudanças na Indústria Indonésia do Papel e da Celulose que trata de políticas, a indústria e condições sociais.

 

INTENÇÕES

Garantir que os direitos e os interesses das comunidades locais e indígenas sejam respeitados e que as prioridades ecológicas sejam protegidas ao ser atendida a demanda de papel indonésio.

 

OBJETIVOS

1.         Intervir nas mudanças das políticas em nível local, nacional e internacional que promovam a expansão de plantações madeireiras para celulose e da indústria papeleira e celulósica na Indonésia.

2.         Ampliar o reconhecimento das práticas florestais sustentáveis das comunidades locais e das comunidades indígenas.

3.         Fechar as fábricas de papel e de celulose que provoquem poluição  ambiental e prejudiquem os interesses comunitários; opor-se à construção de novas fábricas e deter a expansão das plantações de madeira para celulose.

 

A próxima ação das CSOs é fazer uma reunião estratégica de acompanhamento no fim deste ano.

 

Artigo baseado no “CSOs take a stand on the take a stand on pulp”, Down to Earth Nº 73, May 2007, e-mail: dte@gn.apc.org, http://dte.gn.apc.org

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- Tailândia: maquiagem verde da Advance Agro

 

A Advance Agro é uma das maiores empresas de papel e celulose da Tailândia, com uma produção de 427.000 toneladas de celulose e 470.000 toneladas de papel ao ano. A empresa comercializa sua marca “Duplo A” de papel para fotocópias com uma série de alegações ambientais. Em maio de 2007, uma empresa australiana chamada Access Economics corroborou essas alegações com um relatório intitulado “Benefícios Ambientais do Papel Duplo A”.

 

O relatório compara as operações relacionadas com o papel e a celulose em vários países colocando um preço nos impactos ambientais da produção de celulose e conclui que os custos ambientais do papel Duplo A são menores que qualquer outro produzido pelas fábricas de papel examinadas. Como o relatório foi encomendado pela Advance Agro e a Mango Communications (uma empresa de relações públicas australiana contratada pela Advance Agro desde novembro de 2006) não deveríamos ficar tão surpresos. No entanto, resulta revelador observar como os consultores da Advance Agro chegaram a essa conclusão.

 

Primeiramente, a Access Economics ignora os históricos antecedentes da Advance Agro. “Nenhuma floresta nativa é prejudicada com as atividades de elaboração do Duplo A,” afirma o relatório. Mas as florestas foram destruídas a fim de estabelecer as plantações para as atividades da Advance Agro. A Advance Agro faz parte do grupo Soon Hua Seng. Em 1990, uma centena de empregados da Suan Kitti (uma subsidiária da Soon Hua Seng) foram detidos por desmatarem ilegalmente 1.600 hectares da Reserva Florestal na província de Chachoengsao com o intuito de preparar a área para o estabelecimento das plantações destinadas a alimentar as fábricas de celulose para elaborar o Duplo A. A Suan Kitti Reforestation também foi responsabilizada pelo desmatamento ilegal de uma área de 4.800 hectares na província de Prachinburi. A fábrica de celulose do grupo Soon Hua Seng ia ser nomeada “Suan Kitti pulp mill”, mas depois do escândalo, a empresa mudou o nome para Advance Agro.