NOSSA
OPINIÃO
- Espécies invasivas
exóticas: muito além de uma questão técnica
O
Órgão Subsidiário de Assessoria Científica, Técnica e Tecnológica
(SBSSTA) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), celebrará
sua décimo- terceira reunião em Roma de 18 a 22 de fevereiro de
2008.
Na
agenda da reunião há duas questões da maior importância que
preocupam o WRM: biodiversidade florestal e espécies invasivas
exóticas. Mesmo sendo tratadas separadamente (a primeira
pela reunião em plenário e a última por um grupo de trabalho),
nós acreditamos que estão inextricavelmente ligadas.
As
espécies invasivas exóticas são a causa principal da perda da
biodiversidade nas florestas e em outros ecossistemas, mas a questão
das plantações de árvores de espécies invasivas exóticas raramente
é mencionada ou abordada, apesar do fato de várias espécies de
eucaliptos, pinheiros e acácias já terem se tornado invasivas
em muitos países (por exemplo na África do Sul, Chile, EUA, Uruguai,
e outros).
Ainda
que existam muitas definições para o significado do conceito “espécies
invasivas exóticas”, talvez a mais aceita seja aquela que as define
como espécies não- nativas que prejudicam econômica, ambiental
ou ecológicamente os habitats que invadem.
Para
um “habitat prejudicado” não é muito importante a forma em que
ocorreu a invasão: se foi causada pelo vento, a água, as aves
ou os animais que introduziram as sementes das espécies que, posteriormente,
se espalham espontaneamente no habitat ou se essas espécies foram
implantadas por empresas florestais acarretando prejuízos econômicos,
ambientais ou ecológicos.
Conforme
o acima exposto, todas as plantações de monoculturas de árvores
exóticas em larga escala são consideradas como invasivas pelas
comunidades locais cujos habitats- e portanto, também seu sustento-
são afetados negativamente por tais plantações. Devido a esses
impactos sobre a biodiversidade decorrerem das plantações em larga
escala de espécies exóticas como monoculturas, estas deveriam
ser tratadas também como espécies invasivas exóticas perigosas
pela Convenção sobre Biodiversidade.
A
esse respeito, os especialistas do SBSSTA deveriam colocar e responder
a pergunta básica: esse tipo de plantação de árvores exóticas
prejudica os habitats que invadem ou não? Caso a resposta seja
afirmativa, fica claro que sob a perspectiva da conservação da
biodiversidade, essas plantações deveriam ser proibidas da mesma
forma que a comercialização de sementes e plantas de outras espécies
exóticas (por exemplo, Lantana camara, Solanum mauritianum)
que já foram interditadas em muitos países.
Perguntas
semelhantes deveriam ser colocadas e respondidas no tocante a
árvores geneticamente modificadas. Existe o risco de elas prejudicarem
economica, ambiental ou ecologicamente os habitats? Poderiam se
espalhar espontaneamente? Seu pólen poderia contaminar outras
espécies? Se a resposta a essas questões for afirmativa, a decisão
da COP8 de instar pela aplicação do Princípio de Precaução deveria
ser ampliada a uma proibição total da liberação das árvores GM.
Mesmo
que as espécies da plantação possam se espalhar espontaneamente
através do vento, água, aves ou animais- o que também pode ocorrer
com as árvores GM- as plantações não se estabelecem por si mesmas.
As pesquisas sobre as árvores GM também não. Ambas são o resultado
de decisões tomadas pelas empresas que visam incrementar seus
lucros.
Desta
óptica, se observamos a questão da biodiversidade sob uma perspectiva
política e econômica, fica claro que as transnacionais são as
espécies invasivas exóticas mais perigosas. Do mesmo jeito que
suas homólogas naturais, elas invadem terras e florestas e destroem
habitats fornecedores das formas de vida de inúmeras outras espécies
e das comunidades locais.
Neste
boletim (bem como nas 125 edições anteriores), há exemplos suficientes
que provam isso tudo: empresas mineradoras na Índia, Congo, Bangladesh;
empresas de papel e celulose no Chile e EUA; empresas madeireiras
e petroleiras no Equador; empresas dendezeiras na Indonésia; empresas
poluidoras no Zimbáue. Todas elas estão invadindo e destruindo
os habitats ricos em biodiversidade e o sustento das comunidades
locais.
Não
obstante, não contamos com que o SBSSTA aborde esta questão fundamental.
O que nós esperamos é algo mais acorde com seu mandado como órgão
assessor da CBD:
-
que adote uma definição de floresta que não considere as plantações
em larga escala como florestas
-
que inste à CBD a recomendar os governos deterem a expansão das
monoculturas de espécies exóticas em larga escala
-
que recomende à CBD a proibição das plantações de espécies que
já tenham sido comprovadas como invasivas
-
que recomende à CBD a proibição das árvores GM
Seriam
resultados bem positivos desta reunião do SBSSTA tanto para as
pessoas quanto para a biodiversidade.
início
COMUNIDADES E FLORESTAS
-
Resistência à mina de carvão a céu aberto em Phulbari
Em agosto de
2006, Phulbari, uma cidade localizada no distrito de Dinajpur,
assistiu ao assassinato de cinco pessoas por parte da força paramilitar
Bangladesh Rifles (BDR) durante a numerosa manifestação contra
o polêmico projeto de extração de carvão a céu aberto, supervisado
pela empresa britânica Asia Energy. Centenas de pessoas foram
feridas entre uma multidão de cerca de 50.000 pessoas que se opunham
à mina de carvão a céu aberto que iria abranger uma área com mais
de cem povoados de sete unidades em quatro Upazilas (subdistritos)—Phulbari,
Birampur, Nawabganj e Parbatipur—e parte do subdistrito de Phulbari
Sadar, no distrito de Dinajpur.
A mina não apenas
afetaria 17.000 hectares nos quatro subdistritos deslocando, no
mínimo, 350.000 pessoas como também criaria uma fossa de uns 300
metros de profundidade para atingir a camada de carvão (que depois
de 30 anos de extração poderá conter substâncias tóxicas); removeria
a água da mina durante toda a duração do projeto para que a cavidade
da mina não ficasse imersa na água; causaria poluição sonora pela
explosão freqüente com dinamite e o tráfego permanente de caminhões
e trens, poluição do ar pelo pó do carvão e poluição da água pela
lavagem do carvão; e ameaçaria os Sundarbans.
Phillip
Gain explica (1) que o carvão será transportado ao porto de águas
profundas atravessando os Sundarbans (a maior floresta de mangue
da terra) e portanto será necessário construir novos portos e
ferrovias. A poluição sonora e da água já originada pelo Porto
Mongla que prejudica animais, vegetação e outras formas de vida
na floresta de mangue será ainda maior pelo transporte adicional
durante os 30 anos de duração do projeto de mineração.
Os maciços protestos
de 2006 que se estenderam durante vários dias levaram a pequena
cidade a uma paralisação que bloqueou a maior rodovia que passa
pela cidade. Finalmente, o governo fez um acordo com a comunidade
comprometendo- se a retirar a empresa Asia Energy, e a proibir
a mineração a céu aberto em Bangladesh.
Agora, o governo está considerando um rascunho de uma política
sobre carvão que mesmo que proiba as exportações está sendo questionada.
As pessoas acusam o governo provisional de trair o espírito de
seu movimento enquanto permite a mineração a céu aberto como projeto
piloto, o que conforme os habitantes também poderia ser a mina
de carvão de Phulbari.
Um
documentário sobre a resistência de Phulbari intitulado “The Blood
Soaked Banner of Phulbari” [O sangue encharcou as faixas
de Phulbari] pode ser visto on line em:
http://banglapraxis.wordpress.com/2008/01/09/
documentary-film-the-blood-soaked-banner-of-phulbari/
Artigo baseado em: “Residents of Phulbari apprehensive
of coal policy”, The New Age, janeiro de 2008,
http://banglapraxis.wordpress.com/2008/01/09/
residents-of-phulbari-apprehensive-of-coal-policy/;
(1)“Killings in Phulbari Ignite Unstoppable Protest: Local Communities
Stand Strong against Open Cut Mining”, Philip Gain, SEHD,
http://www.sehd.org/phulbari/enreport2.html
início
-
Índia: refinaria ilegal de alumínio em terras
tribais em Orissa
A
nova Lei de Direitos Tribais sobre as Florestas da Índia começou
a vigorar no início de 2008. Conforme ela, as comunidades florestais
indígenas têm direito a continuar sua vida florestal. As comunidades
Adivasi não devem ser deslocadas se elas não concordarem em ser
removidas para o estabelecimento de um “habitat de vida silvestre
crítica” nessa área. Contudo, ainda é comum que a administração
das áreas florestais e as empresas tentem deslocar as comunidades
Adivasi, inclusive para atividades mineradoras em áreas de reservas.
Por
exemplo, nas montanhas de Niyamgiri, um local provadamente apropriado
para ser uma reserva com corredor de elefantes no distrito de
Kalahandi em Orissa, a empresa Vedanta Aluminium (uma subsidiária
da Vedanta Resources- empresa britânica de mineração e metais),
planejou e preparou uma extração de bauxita e inclusive já construiu
uma refinaria ilegal de alumínio em uma área próxima. Em decorrência
da pressão local e internacional, a solicitação da Vedanta para
a extração na área foi rejeitada pela Suprema Corte em novembro
de 2007. A Corte, no entanto, propôs uma entidade de objetivo
específico (Special Purpose Vehicle- SPV) a fim de apossar-se
da jazida, para ser vendida na Bolsa pelo governo do estado de
Orissa, convidando a Sterlite (que também é uma subsidiária da
Vedanta Resources) a entrar em cena.
A
seguir, um relatório produzido em dezembro de 2007 por Veera Rönkkö,
ativista finlandesa e jornalista free- lance a respeito da área
da refinaria ilegal da companhia:
“Antes
de a gente enxergar a refinaria da Vedanta em Lanjigarh, sua presença
pode ser percebida: os olhos começam a queimar e surge uma sensação
desconfortável na garganta.
A
refinaria foi construída nas terras do 5º Programa (terra
classificada como área tribal devido à alta porcentagem de população
tribal). Essa terra "não pode ser transferida a companhias
particulares sem o consentimento dos povos tribais afetados.”
As comunidades tribais não têm dado o consentimento escrito exigido
para validar a transferência das terras à Vedanta, o que significa
que é uma operação completamente ilegal.
Apesar
de ter havido solicitação de terras florestais para o projeto
e visto que o desmatamento da floresta exige uma licença do Governo
da Índia, a Vedanta buscou a autorização para o desmatamento afirmando
que não precisava de terras florestais. O Comitê Central Facultativo
da Suprema Corte observou que “ por causa de uma lacuna grave
nas leis e regulamentações” com “o desmatamento … liberado erróneamente”
e “recomendou que o… desmatamento para o projeto da
refinaria fosse revogado e a mineração… proibida.”
Na
reunião do Gram Sabha (assembléia da aldeia) na qual supostamente
foi acordada a permissão, apenas estava presente o arrecadador
do distrito (principal funcionário público do governo do distrito).
Os moradores- cujas vidas seriam diretamente afetadas pela refinaria-
nunca foram consultados e nem sequer foram informados da reunião.
Próximo
à refinaria, a companhia tem dois tanques: o tanque de cinzas
e o tanque de lama vermelha. O tanque de cinzas é um local fantasmagórico
com metros de cinzas em suas bordas e desde um duto mais nocivo
os ‘restos’ são constantemente vertidos na água.
O
tanque de lama vermelha está escondido por muros que o circundam
e está policiado por um guarda no portão. Está estabelecido nos
bancos do rio Vamsdhara, sendo que uma parte do rio está coberta
pelo tanque de lama vermelha. Uma inundação no rio pode causar
uma fenda no tanque que poderia resultar em um derramamento volumoso
de lama vermelha, que prejudicaria e envenenaria o rio. A lama
vermelha é uma mistura de compostos alcalinos altamente tóxicos
e metais pesados, inclusive com elementos radioativos. Atualmente
o rio está tão poluído que já provocou a morte de animais e de
pessoas.
Em
toda a área também há longos dutos, que pingam em muitos lugares,
envenenando assim o solo.
Mesmo
que a Vedanta tenha se mostrado ávida para explicar a forma em
que investiria dinheiro a fim de melhorar a vida dos moradores
locais, não há qualquer evidência disso ter acontecido em Lanjigarh.
Alguns quadros de avisos e placas de rodovias pintados pela companhia
não fazem muita diferença na qualidade de vida dos moradores locais.
Inclusive, as vagas de emprego geradas pela refinaria foram dadas
a pessoas de fora. Assim, os moradores locais enfrentam o desastre
ambiental provocado pela Vedanta de mãos vazias, já que a companhia
não oferece nem trabalho nem qualquer compensação.
Quase
ao lado da refinaria está a aldeia Chhatrabur, que hoje em dia
tem suas casas e campos cobertos por pó branco de alumínio. Lá,
duas pessoas morreram depois de ter tomado banho no rio, o que
causou grandes furúnculos em sua pele e finalmente a morte. Inclusive,
mesmo que o arrecadador do distrito foi levado lá para
conferir as condições, não foi tomada nenhuma providência. Atualmente,
4 pessoas têm doenças cutâneas importantes. Muitas outras têm
manchas estranhas na pele, que eles mostram levantando suas camisas.
São comuns os problemas oculares que atingem a todos. A refinaria
também teve um sério impacto na agricultura, sendo que a produção
dos arrozais caiu de 200 k a apenas 50k.
Outra
aldeia próxima é Belamba que abriga 35 famílias. Originariamente,
a refinaria da Vedanta ia ser construída em suas terras, mas essas
pessoas rejeitaram a deslocação, mesmo depois de terem experienciado
todo tipo de assédio, inclusive pancadas, surras e ameaças de
morte. Após um ano e meio de oposição, a Vedanta decidiu construir
a refinaria em outro local onde fosse mais fácil forçar os moradores
a sair. As pessoas de Belamba também dizem que suas culturas de
arroz diminuiram quase até a metade desde a construção da refinaria
e onde quer que seja que as cinzas caem, os cultivos ‘pegam fogo’
. As vacas devem ser levadas a locais mais distantes para comer
e beber, já que 17 vacas de outras aldeias morreram depois de
tomarem água do rio. Ao que tudo indica, desde a morte das vacas,
a Vedanta deixou de despejar seus detritos durante o dia, mas
o faz na escuridade da noite.
As
terras da Vedanta estão cercadas por um grosso muro mas a certa
altura se abre repentinamente por um trecho pequeno. Através dele
se desvenda um jardim e uma casa pertencente a um homem que rejeitou
se deslocar de sua terra. Quando paramos para vê-lo, encontramos
sua mãe, que, dominada pelo medo, disse que não lembrava do nome
do filho nem sabia onde ele estava. Para não atemorizá-la mais,
partimos dizendo a ela que apenas queríamos parabenizar o filho
por sua ação corajosa.
Por
trás da refinaria, erguem-se as montanhas Niyamagiri, atualmente
ameaçadas pelo plano da Vedanta de começar a extração de bauxita
em uma área de 750 hectares de reserva florestal. Essas montanhas
cobertas de florestas prístinas têm uma rica variedade de vida
silvestre e muitos dos animais que habitam nelas estão nas listas
vermelhas da IUCM como espécies ameaçadas. Também crescem lá muitas
plantas raras, inclusive mais de 70 espécies de importantes plantas
medicinais. Nas montanhas nascem dois importantes rios, Vamsadhara
e Nawagali, e há 36 cursos d’água.
Na
área de extração planejada há 120 aldeias, habitadas pelas tribos
Jharnca (curso d’água) - Khonds e Donkria (montanha) - Khonds
que estão à beira da extinção, e apenas são encontradas nessas
montanhas. Para esses tribais, as montanhas Nyamagari são
sagradas e por isso, eles não cortam as árvores, mas pelo contrário
eles rezam para as montanhas que eles consideram como a origem
da Vida. Vivendo com sua forma de vida tradicional eles são auto-
suficientes - fora o sal que é trazido de fora. Da floresta eles
retiram produtos não madeireiros e plantam algumas culturas como
abacaxi, manga, banana, açafrão, jacas, grãos pequenos e diferentes
hortaliças para o uso diário.
O
último lugar que visitamos em Lanjigarh foi o reassentametno para
os moradores que já tinham perdido suas terras. As casas são diminutas
e estão posicionadas em fileira. A mulher da última casa construiu
um anexo para conseguir um pouco mais de espaço. Ela disse que
está bem, mas que pensa em sua aldeia. À medida que ela falava
mudava as palavras e considerações de forma confusa. É óbvio que
essas pessoas não falam o que pensam abertamente. Anteriormente,
até havia um guarda nos portões porque nenhum forâneo era permitido
de entrar na aldeia. Nossa visita gerou muito interesse e em questão
de minutos um policial se aproximou para ver o que estava acontecendo.
Quando nos afastávamos de carro na escuridão, o ar começou a ficar
incrivelmente pesado. Quando perguntei sobre isso, o grupo local
de voluntários verdes explicou que, à noite, a Vedanta libera
grandes volumes de gases.”
Por
Veera Rönkkö,
veerapu13@suomi24.fi e Ville-Veikko Hirvelä,
villeveikkoh@gmail.com
Um
apelo enviado pela organização Amigos da Terra Finlândia à Suprema
Corte da Índia em 24 de janeiro de 2008 está disponível em
http://www.wrm.org.uy/countries/India/Appeal_Niyamgiri.pdf
Para maiores informações sobre a extração de bauxita em Niyamgiri,
veja:
http://www.freewebs.com/epgorissa
início
- E então, a quem pertencem
as florestas? Nova publicação do SDI e a FERN
Em
2003, a Libéria saiu de 14 anos de conflitos nacionais e regionais
que deixaram cerca de 270.000 mortes e 1,5 milhão de pessoas deslocadas.
Nas eleições presidenciais de novembro de 2005 foi eleita Ellen
Johnson- Sirleaf, a primeira mulher presidente da África. Há documentos
que provam que o conflito foi alimentado, em parte, pela exploração
e disputa descontroladas pelos recursos da Libéria, especialmente
pela madeira. Esse fator, junto à corrupção associada e à apropriação
indébita de fundos, deu origem a punições, impostas pelas Nações
Unidas em 2003, sobre as exportações de madeira na Libéria. Após
uma revisão que apontou que a indústria madeireira não tinha providenciado
nenhum benefício real para as comunidades locais e que a área
total entregue em concessão tinha sido o dobro do total das propriedades
florestais, o governo de Sirleaf cancelou todas as concessões,
determinou uma moratória sobre todas as atividades de exploração
madeireira, e promulgou uma nova lei florestal.
A
despeito de ter muitos defeitos, essa lei determina que a nova
legislação deve ser promulgada antes do final de 2007, para regulamentar
os direitos florestais comunitários. Isso gerou um novo impulso
para o desenvolvimento de um contexto legal que posibilitasse
a constituição de uma base mais justa para dividir os muitos benefícios
que oferecem as florestas liberianas e outros recursos naturais.
Em
um novo estudo, orientado por Liz Alden Wily e publicado pelo
Instituto de Desenvolvimento Sustentável (SDI) e a FERN, apresentadas
com clareza as etapas para avançar no desenvolvimento dessa legislação.
O relatório, baseado na pesquisa de campo do SDI, documenta o
atual sistema de legislação consuetudinária em vigor e propõe
a forma em que o sistema existente pode e deve ser incorporado
a uma lei estatutária que garanta que as comunidades locais obtenham
a posse legal das terras que habitam.
Este
estudo referencial também apresenta os textos legais existentes
e as novas pesquisas de campo a fim de documentar que o cumprimento
dos direitos territoriais é compatível com o crescimento econômico.
O estudo mostra claramente que o caminho para melhorar e descentralizar
a gestão florestal pode ser baseado em estruturas locais, e alerta
que a liberalização de concessões sobre as terras comunitárias
poderia desencadear novos conflitos.
O
relatório está disponível em
http://www.fern.org/media/documents/document_4078_4079.pdf
e
em
www.loggingoff.info,
clique em Liberia. Para maiores informações:
saskia@fern.org,
director
início
-
Expectativas de ONGs liberianas por um acordo de parceria FLEGT
entre a UE e a Libéria
As
ONGs liberianas esperam que as negociações previstas para começar
nesta primavera entre a União Européia (UE) e a Libéria sobre
um acordo de parceria na Aplicação das Leis, Governança e Comércio
Florestais (FLEGT) irão apoiar seus apelos por uma reforma legal
e respeitarão os direitos territoriais das comunidades locais.
Na base de qualquer acordo de parceria entre a UE e a Libéria
deve haver uma definição de legalidade que garanta a boa gestão
e providencie às comunidades o controle no longo prazo reconhecendo-as
como os guardiões naturais das florestas liberianas. Também é
importante que o contexto institucional e legal da Libéria esteja
em concordância com os princípios constitucionais e realidades
socio- culturais da Libéria bem como com a legislação e as melhores
práticas internacionais. O relatório, “Gestão das Florestas
na Libéria, uma perspectiva das ONGs” publicado pela FERN, detalha
recomendações bem claras para esse tipo de acordo.
Se
o acordo voluntário de parceria se revelar inadequado e não resultar
em uma reforma institucional e legal, isso levará a mais um capítulo
negativo na história da Libéria. Trata-se de um país que precisa
impreterivelmente do progresso visível para impulsionar a confiança
no novo governo presidido por Sirleaf e no processo democrático.
A tentação de gerar receita a partir de seu patrimônio nacional
em uma tentativa de incentivar o crescimento econômico para inflar
o erário público e melhorar a infra- estrutura será forte,
mas as lições do passado e as de outros países provam que a venda
das florestas primárias não produz sequer os resultados esperados
no curto prazo. Em vez disso, a Libéria deve começar a estabelecer
as medidas necessárias para garantir o desenvolvimento no longo
prazo. Em sua recuperação, após 14 anos de conflitos civis e décadas
de mau governo, corrupção e comércio liberado excessivamente sem
um desenvolvimento significativo, a Libéria não pode se permitir
dar mais um passo para trás.
O
relatório estará disponível em breve em
www.fern.org e
www.loggingoff.info.
Para maiores informações:
saskia@fern.org e director
início
-
Peru e Equador: os últimos Povos Livres assediados
por petroleiras e madeireiros
No final
de 2007, o governo peruano deu lugar à exploração de novos lotes
petroleiros na província de Loreto, fronteira com o Equador: os
lotes 67 e 121 à companhia Barrett Resources Corporation
dos Estados Unidos e o lote 39 à Repsol YPF da Espanha.
Esses lotes,
conforme evidências apresentadas pela Associação Inter- étnica
de Desenvolvimento da Floresta Peruana (AIDESEP) em 2003 e 2005,
são território dos "Povos Libres” Tagaeri e Taromenane, que vivem em isolamento voluntário.
As evidências recolhem informações de vários encontros oculares
de soldados e moradores da região, como também azinhagas, sons
e evidência física, incluindo lanças cruzadas e cerâmicas.
A petroleira
Barrett planeja realizar 8.000 K de linhas sísmicas em um espaço
relativamente pequeno, o que implica um nível incrivelmente intenso
e sem precedentes em toda a Amazônia peruana. Também planeja estabelecer
5 bases logísticas, 61 acampamentos, 61 heliportos, e levar mais
de 1.000 trabalhadores, tudo dentro do coração da planejada Reserva
Territorial Napo Tigre. Sem dúvidas, todo esse movimento, barulho,
desmatamento e destruição ameaçaria a existência dos povos indígenas
em isolamento voluntário, já que implicaria a possibilidade de
os indígenas serem enxotados, pelos operários petroleiros, de
suas zonas tradicionais de caça. O deslocamento forçado dos povos
indígenas isolados se constituiria em uma violação a seus direitos
territoriais, de acordo com os artigos 16º e 18º do Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho.
Obviamente
o programa de sísmica não foi desenhado com o intuito de considerar
esses povos. A fase de prospecção petroleira consiste em
pentear a floresta com azinhagas para fazer detonar cargas
sísmicas a pequenos trechos. “Essas prospecções transformam a
floresta em um papel quadriculado, em cada vértice se faz uma
perfuração na floresta e nelas se introduzem cartuchos de dinamite
cujo estouro servirá para desenhar uma espécie de escáner do subsolo”...
“para os habitantes da floresta resulta ser como uma teia de aranha
impossível de driblar”
Por outra
parte, a Barrett planeja contar com tradutores para se comunicar
com os povos indígenas em isolamento voluntário e para isso pretende
“usar” os membros das comunidades Waorani equatorianas, que serão
incluídos no plano de contato como traductores. Essa proposta
planeja levá- los ao Peru e “treiná- los”, e através deles visa
estabelecer contato com os Taromenane. Esse ato viola expressamente
o artigo 3 do convênio 169 da OIT.
O Estudo
de Impacto Ambiental não apresenta nenhuma precaução para evitar
encontros com os indígenas. Muito pelo contrário, só existe um
plano de ações para depois de um encontro “não forçado”. Esses
encontros expõem os povos a uma gravíssima situação devido a sua
extrema vulnerabilidade, já que carecem de defesas biológicas
diante de doenças comuns que poderiam introduzir os trabalhadores
petroleiros, tais como sarampo ou gripe. Epidemias dessas doenças
podem dizimar rapidamente populações inteiras, como já aconteceu
anteriormente.
Repete-se
a história de 1955 no Equador, quando um grupo de evangélicos
americanos do Instituto Lingüístico de Verão, davam presentes
aos grupos indígenas Waorani desde uma cesta suspensa de um teco-
teco em vôo. Com esse método obtiveram sua amizade e finalmente
os confinaram em um espaço que era 10% de seu território
original, para que a Texaco entrasse a explorar impunemente suas
terras, enquanto a população era dizimada pelas doenças introduzidas.
Agora o plano da Barrett é oferecer presentes como colares, cobertores,
fósforos, pentes, etc., enquanto a Repsol planeja se comunicar
com megafones, se forem atacados, com frases como “Alguma coisa
incomoda vocês?”, “Não viemos por suas mulheres, nós temos nossas
mulheres em nossas próprias vilas”.
A petroleira
espanhola Repsol tem uma história negra no Peru: violações dos
direitos dos trabalhadores e demissões massivas, poluição na refinaria
La Pampila. Como a Pluspetrol, despejou 5.500 barris de petróleo
desde uma lancha no Rio Marañon, na floresta norte peruana, afetando
a Reserva Pacaya Samiria e as populações Cocamas-Cocamillas. Durante
o desenvolvimento do projeto Camisea foram denunciadas agressões
às comunidades Machiguengas e conseqüências negativas para povos
indígenas não contatados, assim como à Reserva Nahua e Kugapakori
e locais sagrados como é o canhão Pongo de Mainique e a reserva
Comunal de Vilcabamba “Pavilk Nikitine” (Oilwatch, 2002).
Por outra
parte, os povos indígenas em isolamento voluntário Tagaeri e Taromenane
têm uma importante presença do outro lado da fronteira. A fim
de eles sobreviverem, o governo equatoriano estabeleceu
uma zona intangível de 650.000 hectares entre os rios Curaray
e Nashiño. Apesar da criação desta área, interditada a qualquer
tipo de atividade, os membros deste clã continuam sofrendo a pressão
gerada pela extração de recursos naturais dentro de seus territórios.
As reportagens de avistamentos, pegadas, utensílios e outros
objetos de valor antropológico, ao longo de todo o rio Nashiño
e no meio e alto Curaray (do lado peruano), permitem admitir que
membros deste grupo vêm fugindo do assédio que sofrem pela caçada
e o desmatamento ilegal de madeira dentro de seu território no
lado equatoriano.
A Comissão
Interamericana de Direitos Humanos determinou medidas cautelares
que o Equador devia implementar para a proteção dos Povos Livres.
Até hoje, foram apresentados apenas planos de ação que ainda
estão no papel, enquanto as ameaças continuam presentes no dia-a-dia
da floresta. Além disso, esse cenário se torna cada vez
mais complicado pela presença destas duas petroleiras na fronteira
e pior ainda, com as declarações do governo peruano de não existirem
provas firmes da presença de povos isolados nessa região do país.
Ao permitir a concessão dos lotes 67 e 121 à empresa Barrett e
o 39 à Repsol coloca- se em risco a fragilizada Zona Intangível
estabelecida no Equador para proteger os povos Tagaeri e Taromenane.
Finalmente,
cabe salientar que nenhum mecanismo tem evitado que o contato
com membros forâneos leve à extinção destes grupos humanos devido
à propagação de doenças ou o contato violento largamente documentado.
Portanto, a única medida eficiente para a sobrevivência destas
culturas é evitar o contato; respeitar seu território, o uso que
estes povos fazem de seus recursos e o direito a sua livre auto-
determinação de se manterem isolados.
Por Nathalia
Bonilla, Campanha de Florestas, Ação Ecológica, Equador,
foresta@accionecologica.org
início
-
República Democrática do Congo: a guerra do
saqueio
Matérias
de capa dos principais jornais e revistas descreveram a crise
do Congo com base na “idéia preconcebida de os africanos serem
'selvagens e depravados'”, disseram Maurice Carney e Carrie Crawford,
da organização Amigos do Congo (FOTC), em seu artigo “Casualties
in the Scramble for Congo’s Resources” [Perdas na Luta pelos Recursos
do Congo], (em
http://friendsofthecongo.org/commentaries/congo_casualties.php).
Ao fazer isso, “a mídia dominante de ocidente é cúmplice de um
dos roubos de recursos melhor documentados no século XX e que
persiste no início do século XXI."
Os
autores relembram justificadamente que “O conflito que abrange
estupros brutais e assassinatos horrorosos está vinculado
de forma inextricável ao saqueio do Congo”, e que “Grande parte
da culpa pelo contínuo clima de conflito é atribuído freqüentemente
à milícia Hutu que deixou a Ruanda em 1994 devido ao genocídio
nesse país. Na realidade, isso é só parte da história, o
que não fornece um panorama completo. Convém apontar que, para
todos os efeitos, a Ruanda controlou o leste do Congo de
a 2002, um período em que eles reclamavam estar sob uma intensa
perseguição por parte dos genocidas Hutus conhecidos como Interhamwe.
No entanto, durante esse período, o conflito militar mais marcante
da Ruanda foi com a Uganda dentro do Congo. A origem do confronto
consistiu em determinar quem controlaria as vastas concessões
de diamantes em Kinsangi, a centenas de quilômetros da localização
dos temidos genocidas Hutus. Portanto, mesmo que a presença dos
Hutus no Congo seja um problema, não explica a origem da violência
e dos crimes no Congo.”
O artigo aponta que “Já que os grupos humanitários buscam
recursos para tomar conta das mulheres e crianças estupradas e
tratadas com brutalidade no Congo, eles deveriam começar com as
companhias que estão organizadas para apropriar-se
indebidamente de bilhões de dólares provenientes da riqueza
do Congo enquanto 80 porcento dos congoleses vive com menos de
30 centavos ao dia. Ao lado da situação de estupros e assassinatos
coexiste o que um magnata corporativo chama de festa. Gerhard
Kemp do Rand Merchant Bank de Joanesburgo, disse ‘O Congo é tão
rico em riquezas minerais que você não pode ignorá-las simplesmente.
Você não vai querer ser o último a participar da festa.'"
O
artigo também cita um relatório de ICG de 2007 que afirma que
“os EUA, o Canadá, a África do Sul e a Bélgica são os primeiros
que visam ao controle das estratégicas reservas de cobre, cobalto
e outros minerais e restringem o acesso da China” e que “ a celebração
pública do embaixador dos EUA pela aquisição da Phelps- Dodge
[atualmente, a Freeport-McMoRan Copper & Gold] das concessões
da Tenke- Fungurume em Katanga, em agosto de 2005, e a grandiosa
cerimônia, em junho de 2006, em Kolwezi marcando a reabertura
da mina de Kamoto à qual compareceram representantes belgas, americanos,
canadenses, franceses, angolanos e até das Nações Unidas” revelaram
o principal interesse econômico dos corpos diplomáticos ocidentais
que supostamente estão no Congo para apoiar o processo democrático.
Vale
a pena reproduzir um comentário de um leitor congolês em Los Angeles
a respeito das notícias de um convite pago pelo Diretor Executivo
da Freeport-McMoRan Copper & Gold Inc. ao presidente Joseph
Kabila: “Simplesmente reforça o que as pessoas sempre têm dito
sobre Joseph Kabila: ele está interessado apenas nas empresas
mineradoras. As mineradoras podem oferecer empregos, podem dar
pequenas quantias de dinheiro à comunidade, mas quando acaba o
dia a única coisa que importa às companhias mineradoras são seus
acionistas. Joseph Kabila fará tudo para os acionistas estarem
felizes enquanto os congoleses que precisam da mesma consideração
e proteção se definham até serem exterminados no leste do Congo.”
(vide emhttp://www.eacourier.com/articles/2007/10/29/
local_news/doc47228e6172be8078788651.txt)
Conforme
a Global Witness, o resultado do acordo tem “o Congo como proprietário
de apenas 17,5% de seus próprios recursos e em uma posição que
pode até não obter nenhum lucro do acordo. No entanto, a Overseas
Private Investment Corporation (OPIC), uma entidade governamental
dos EUA, ofereceu um seguro de risco por um projeto de investimento
de 1 bilhão de dólares da Freeport- McMoRan.”
O
artigo da FOTC lamenta que “em decorrência dos grandes interesses
nos recursos do Congo, o povo congolês esteja lutando enfrentando
grandes adversidades. A morte está literalmente estabelecida pelo
contínuo empobrecimento do povo congolês durante várias gerações.
Os contratos detestáveis vigorarão durante 30 a 40 anos e estarão
apoiados pela legislação internacional. Já em 2002, o Banco Mundial
estabeleceu as diretrizes sobre Florestamento e Mineração no Congo.
Essas diretrizes estão determinadas na base de um modelo neoliberal
que preconiza a venda da riqueza do país a interesses particulares”.
O
artigo da FOTC alerta: “Devemos observar o que está acontecendo
no Congo e sentir vergonha ou fechar os olhos mas o antiestético
panorama que freqüentemente não é incluído ou é encoberto, especialmente
pela mídia dominante, é o papel significativo das corporações
que nos fornecem os telefones celulares, as consolas dos jogos,
os laptops e outros modernos dispositivos tecnológicos e que tiram
proveito das tragédias do Congo.”
Os
autores concluíram, "a comunidade global deveria ter um papel
construtivo no Congo, o povo congolês tomará conta do resto e
produzirá líderes que representem seus interesses através da reconciliação,
justiça e prosperidade para esse país vital no coração da África.”
Artigo baseado
em “Casualties in the Scramble for Congo’s Resources”,
por Maurice
Carney e
Carrie Crawford, FOTC,
17 de dezembro de 2007,
e-mail:
info@friendsofthecongo.org,
http://friendsofthecongo.org/commentaries/congo_casualties.php
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COMUNIDADES E MONOCULTRAS DE ÁRVORES
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Chile: Patricia Troncoso, um símbolo da luta
mapuche contra um governo a serviço das empresas florestais
A
jovem dirigente mapuche Patricia Troncoso está fazendo uma greve
de fome desde o dia 10 de outubro de 2007. Patricia está na cadeia,
condenada a 10 anos e um dia de prisão, sob a acusação de incêndio
terrorista contra a propriedade Poluco Pidenco. Tal incêndio ocorreu
em dezembro de 2001 e os supostos autores foram julgados com “testemunhas
sem rostos” (ou seja, anônimos) conforme a Lei Antiterrorista
criada durante a ditadura militar. Isto é, foi um julgamento sem
a menor garantia do devido processo, garantido no Pacto de Direitos
Civis e Políticos, ratificado pelo Chile.
O
caso de Patricia não é único. Nas cadeias de Angol, Victoria,
Lebu, Concepción, Temuco e Traiguén, há mais de 20 presos políticos
mapuche, a maioria julgados sob a legislação antiterrorista da
época de Pinochet.
A
isso tudo, soma-se a atrocidade, ocorrida muito recentemente (3
de Janeiro de 2008), do assassinato de Matias Catrileo- um rapaz
mapuche de 22 anos, baleado pelas costas por parte do pessoal
de Carabineiros do Chile.
Nada
disso é por acaso. O governo chileno está a serviço das empresas
florestais e ao tempo que a polícia reprime, tortura e mata; o
poder judiciário criminaliza a luta mapuche. A esse respeito,
o historiador Víctor Toledo Llancaqueo diz que, “o caso mapuche
é ilustrativo da criminalização do protesto social, como um processo
político, midiático e jurídico, que ao etiquetar os atos de protesto
como crimes, visa tirar o conflito social da arena política, e
transferi-lo ao âmbito penal. O objetivo dos impulsores da criminalização
é colocar em andamento o poder punitivo do Estado, para neutralizar,
disciplinar ou aniquilar o protesto”.
Toledo
Llancaqueo acrescenta que “a mídia e os setores de direita foram
atores chave do processo de criminalização do protesto mapuche.
Diante da emergência da mobilização indígena, promoveram ativamente
sua deslegitimação, penalização e seu enquadramento como uma questão
de segurança. Por sua vez, o conflito com as comunidades mapuche
abalou a imagem corporativa das empresas florestais que,
sindicadas por danos ecológicos e repressão a indígenas através
de guardas privados, ficaram expostas a perder alguns mercados.
Perante essa situação, os grandes grupos florestais pressionam
o governo e a opinião pública, para que os conflitos sejam resolvidos
penalmente. Foram magnificados os efeitos econômicos do protesto
mapuche, e a figura do crime de incêndio” (vide documento na íntegra
em:
http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/osal/osal22/CDH22Toledo.pdf)
A situação de repressão e criminalização
do povo mapuche, que luta pela recuperação de seus territórios
ancestrais hoje ocupados por empresas florestais, se agrava a
cada dia, enquanto o Governo e a mídia tentam torná-la invisível.
No entanto, também cresce a solidariedade por parte de um conjunto
cada vez maior de chilen@s, que vêm se mobilizando em defesa dos
direitos desse povo. Em uma declaração recente afirmam que, “tanto
a morte de Matias- cujo autor material esperamos que seja punido
exemplarmente pela Justiça- quanto o tratamento injusto dado aos
presos mapuche, são fruto de uma política de repressão sistemática
do Governo chileno contra as comunidades mapuche e a serviço dos
interesses de empresas florestais, elétricas e latifundiárias,
que não condiz com a posição de nosso país nos organismos e foros
internacionais” e exigem “que o Governo termine com essa situação
de injustiça institucionalizada, assumindo uma política ativa
de respeito e defesa dos direitos humanos e ancestrais do povo
mapuche.” (vide declaração na íntegra em
http://www.wrm.org.uy/paises/Chile/Declaracion_2008.html).
Desde
a cadeia e após mais de 3 meses de iniciada a greve de fome, Patricia
Troncoso diz ao povo chileno e ao mundo: “… que a violência ilegítima
do dinheiro, do poder; que a perseguição; que a criminalização
de nossa causa; que a brutalidade policial não é a forma para
resolver o problema histórico e político com nosso povo. Porque
enquanto os senhores, senhores políticos, passam, continuam germinando
e crescendo para as futuras gerações Mapuches. E os Mapuche continuarão
resistindo à arrogância e à dominação. Nós continuaremos lutando,
continuaremos resistindo e sabemos que se um de nós cair, dez
se levantarão.” (É possível assistir à mensagem no vídeo:
http://www.wrm.org.uy/Videos_Esp/Patricia_Troncoso.html )
Hoje,
Patricia se tornou o símbolo da luta de um povo que uma e outra
vez tem demonstrado que as palavras de Patricia são verdadeiras:
por cada um que caiu, dez se levantaram. E enquanto não se fizer
justiça, continuarão se levantando!
Por
Ricardo Carrere, WRM,
rcarrere@wrm.org.uy
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Indonésia: líder em produção de dendê. Líder em emissão de
carbono?
A
Indonésia, um dos maiores produtores de óleo de dendê, atingiu
uma produção de 16 milhões de toneladas em 2006, tendo triplicado
a área de terras destinadas às plantações de dendezeiros entre
1995 e 2005.
Ainda que o governo
indonésio tenha determinado uma moratória da transformação das
florestas em culturas de fazenda – sem ficar claro, porém, por
quanto tempo a moratória devia ser mantida e se era uma moratória
sobre a transformação atual da cobertura florestal ou uma moratória
sobre a mudança do status das terras florestais para permitir
as plantações (vide Boletim Nº 124 do WRM) – a política do país
quanto ao desenvolvimento do óleo de dendê parece continuar a
tendência crescente. Existem planos de adicionar cerca de 10 a
11 milhões de hectares aos seis milhões de hectares de terra ocupada
com plantações de dendezeiros, em resposta à demanda global cada
vez maior de óleo de dendê.
O oleo de dendê
é usado em inúmeros produtos alimentícios e bens de consumo e
é uma das matérias- primas principais para a nova corrida do biodiesel.
No início de 2007, a União Européia aprovou uma meta mínima para
o biocombustível que deve constituir 10% do combustível usado
em transporte até 2020.
A meta de incrementar
a produção de óleo de dendê para 40 milhões de toneladas na Indonésia
até 2020 concorda com a necessidade de adicionar cerca de 300.000
hás de novas propriedades a cada ano. Um relatório do Ministério
Florestal da Indonésia e da União Européia citado em um artigo
de Hilary Chiew (1) afirma que, inevitavelmente, a maioria das
novas propriedades estariam localizadas em terras alagadas, já
que as terras secas mais desejáveis já estão ocupadas.
Recentemente,
a empresa indiana refinadora de óleo comestível Jhunjhunwala Vanaspati
Ltda. anunciou seus planos de comprar 20.000 hectares de plantações
de dendezeiros na Indonésia no valor de mais de US$ 38 milhões.
Conforme Reuteurs (2), o diretor da empresa S.N. Jhunjuhunwala
disse que estavam “examinando tanto as plantações virgens quanto
as desenvolvidas na Indonésia”. Para a empresa indiana, a operação
tem dois propósitos. Primeiro, reduzir custos. Os custos para
produzir óleos comestíveis estão aumentando muito e por isso para
as empresas indianas a oportunidade de comprar plantações no exterior
é uma forma de diminuir as despesas através da importação de óleo
de dendê cru (CPO).
Além
de cortar custos, as empresas indianas na Indonésia podem evitar
a legislação que em seu país limita a aquisição das vastas áreas
que elas necessitam. É por isso que estão se dirigindo aos países
do Sudeste ou da América do Sul, que têm regulações menos protetoras.
Contudo,
esse bom negócio representa uma carga pesada para as comunidades
e o meio ambiente. Quase um quarto das plantações de dendê na
Indonésia está estabelecido na província de Riau, onde as turfeiras
são abundantes. As turfeiras ricas em carbono são drenadas e queimadas
para fazer caminho às plantações de dendê e assim são liberados
enormes volumes de dióxido de carbono na atmosfera. Conforme a
Wetland International, por causa disso, a Indonésia é o terceiro
colocado como emissor de carbono que contribui para o aquecimento
global, depois dos Estados Unidos e a China.
O
organismo indonésio Technology Assessment and Application Agency
(BPPT) afirmou que o cálculo não inclui o poder de absorção de
carbono das florestas indonésias, o que reduz a quantia total.
Seja na terceira seja na décimo- quarta
colocação como emissor de carbono, a destruição de florestas tropicais
para o estabelecimento de plantações de dendezeiros representa,
como indica o Relatório de Desenvolvimento Humano do PNDU de 2007/
2008 “a erosão de um recurso que tem um papel crucial na vida
da população pobre, no fornecimento de serviços de ecossistemas
e na conservação da biodiversidade.” O relatório do PNUD também
reconhece que a “rápida expansão do mercado [do óleo de dendê]
tem ido de mãos dadas com a erosão dos direitos dos pequenos agricultores
e dos povos indígenas." Portanto, bom
negócio para quem?
Artigo
baseado em informações retiradas de: (1) “, Hilary
Chiew, The Star Online,
http://thestar.com.my/lifestyle/story.asp?file=/
2008/1/1/lifefocus/19561783&sec=lifefocus;
(2) “India firm eyes oil palm plantations in Indonesia”,
Reuters,
http://in.news.yahoo.com/071121/137/6nj6g.html;
“Indian firms scout for farms overseas”, M.R. Subramani, The Hindu
Business Line,
http://www.thehindubusinessline.com/2007/12/03/stories/2007120350860500.htm;
Human Development Report 2007/2008, UNDP,
http://hdr.undp.org/en/media/hdr_20072008_en_complete.pdf
início
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Indústria do papel e Plantações de pinheiro no Sul dos Estados
Unidos
Estados
Unidos é lendário por nossa capacidade para consumir. Mesmo que
tenhamos a terceira maior população no mundo bem atrás da China
e da Índia, nós consumimos mais que qualquer outra nação no mundo.
Isso não é diferente quando se trata de papel; deixamos para trás
o resto do mundo com uma média de consumo de 300 k de papel ao
ano. Para contextualizar a questão, as Nações Unidas estimam que
o mínimo necessário para satisfazer as necessidades básicas da
alfabetização e da comunicação é de 30 a 40 k.
O
que a maioria das pessoas não sabe é que ao tempo que importamos
papel do resto do mundo, especialmente do Brasil, Canadá e Indonésia,
o Sul dos Estados Unidos é, de longe, a região do mundo com maior
produção de papel, fabricando acima de 15% do papel mundial. Junto
a essa escala maciça de produção de papel existem todas as práticas
florestais destrutivas associadas, desde os desmatamentos em grande
escala que em alguns casos atingem milhares de hectares, a exploração
madeireira de florestas ameaçadas até a transformação de nossas
florestas nativas e naturais em plantações estéreis de pinheiros.
Existem
mais de 32 milhões de acres (aproximadamente 13 milhões de hectares)
de plantações de pinheiros nos Estados Unidos. Nos últimos anos,
a maioria destas plantações tem sido estabelecida às custas das
florestas nativas. Além de transformar nossas florestas incrivelmente
diversas em cultivos, acrescentamos ofensas e prejuízos com o
uso maciço de fertilizantes químicos e herbicidas para administrar
essas plantações. Em 1999, os EUA usaram mais produtos químicos
para controlar suas plantações que o resto do mundo em conjunto,
provocando o envenenamento dos nossos rios, o abastecimento
de água, o gado e as pessoas.
Como
os leitores do Boletim do WRM sabem, a Dogwood Alliance, uma coalizão
de mais de 70 organizações, está trabalhando para deter as práticas
destrutivas da indústria do papel. Nosso foco atual é na região
pantanosa do Sul sobre a planície costeira atlântica que se estende
de Virginia a Georgia, onde os impactos da indústria madeireira
têm sido particularmente severos.
A
planície costeira atlântica dos EUA é uma das regiões mais diversas
da América do Norte, incluindo savanas de pinus palustres, florestas
de pântano, e ecosistemas únicos como a Baía da Carolina. Essa
região abriga inúmeras plantas e animais que não são encontradas
em outras partes do planeta.
O
exemplo único de comunidades florestais são nossas savanas de
pinus palustres que levaram 100 a 150 anos para chegar a seu tamanho
atual. Essas florestas resistentes ao fogo incluem mais de 30
espécies ameaçadas que dependem delas para sua sobrevivência.
A
única espécie vegetal que é a Venus Flytrap (dionéia), uma planta
carnívora que captura e come moscas e arácnidos. É apenas
encontrada em uma região pantanosa no sudeste da Carolina do Norte
e no nordeste da Carolina do Sul.
Essa
região de incrível diversidade está seriamente ameaçada pela indústria
do papel e da celulose, especialmente por empresas como a International
Paper que tem aí três fábricas de papel de embalagem. Nossas florestas
da região Pantanosa do sul estão sendo derrubadas, lascadas e
reduzidas a polpa para a fabricação de embalagens de papel para
produtos como lanches rápidos. Isso é trágico.
A
escavação e a drenagem são as causas principais da perda das áreas
alagadas florestas de pântano de água doce no Sul dos EUA. Essa
região tem sido afetada em forma severa . As terras alagadas são
cruciais para o controle de inundações, para impedir tempestades
de ondas, filtrar a água para beber e como hábitat de inúmeras
espécies de vida silvestre. Em seu lugar, têm sido escavados canais
durante décadas para drenar a água dos pântanos a fim de secar
o solo e permitir que a plantação de pinheiros loblolly [Pinus
taeda] que são colhidos a cada 12 anos aproximadamente.
Nos
últimos meses, nossa região vem enfrentando uma seca severa, que
tem dado lugar a entrada de ainda mais exploração madeireira nesse
pântano en áreas que nunca antes tinha sido tocadas. Estamos enfrentando
uma crise ecológica aquí com menos de 10% dessas florestas protegidas,
colocando em dúvida o futuro da vida silvestre, dos pântanos e
das pessoas que dependem delas.
Durante
os próximos anos, nós, da Dogwood Alliance e nossos aliados trabalharemos
para protegermos esse local criticamente importante e determos
outras invasões de plantações de pinheiro. Faremos campanhas
para que as maiores empresas do mundo, como a McDonalds, a Taco
Bell, a Unilever e outras deixem de comprar embalagens de papel
provindas desse local especial e comecem a usar menos embalagens
e quando necessário troquem pelo papel reciclado. Nossa esperança
é que ao enfrentar essas grandes companhias, não apenas protegeremos
as florestas de nossa região, mas também forçaremos as companhias
a considerar a forma em que desempenham suas atividades a fim
de proteger importantes florestas e as comunidades que delas dependem
no mundo inteiro.
Por
Scot Quaranda, Dogwood Alliance,
scot@dogwoodalliance.org
início
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Zimbáue: Plantações de árvores para acumular créditos de emissões
de gases de efeito estufa
No
boletim Nº 125 do WRM do mês passado, e vinculado à 12ª Conferência
das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
Climática que ocorreu em Bali, Indonésia, em dezembro de 2007,
demos um alerta sobre algumas decisões da Diretoria Executiva
do MDL que podiam atrair mais projetos de plantações de árvores
ao MDL- a eliminação de restrições que proibiam que fosse oferecido
um incentivo perverso para desmatar as florestas a fim de substituí-las
por monoculturas apoiadas pelo MDL, e que aumentasse o tamanho
dos projetos de plantações de árvores que podia ser solicitado
ao MDL através de procedimentos simplificados e com exigências
menores quanto à avaliação dos impactos sociais e ambientais.
Parece
que a tendência anunciada está atingindo o Zimbáue.
As
últimas notícias do jornal The Herald, de 11 de janeiro de 2008,
anunciam que “o governo zimbabuano começou a receber indagações
por parte de investidores dos países industrializados que querem
acumular créditos de emissões de gases de efeito estufa sob o
Protocolo de Kioto da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança Climática, disse um funcionário nessa semana.”
Conforme
o jornal, a fonte disse que “os investidores expressaram interesse
em implementar projetos de florestamento e reflorestamento em
áreas como Murehwa, Mutoko e Uzumba-Maramba-Pfungwe na Província
Central de Mashonaland”.
No
dia 6 de dezembro de 2007, o parlamento zimbabuano votou por unanimidade
a aprovação da ratificação do protocolo, e antes e depois da ratificação,
as indagações começaram a chegar.
Parece
que o governo zimbabuano está completamente envolvido no mercado
de carbono e mostra entusiasmo pelas divisas que poderia receber
no curto prazo ao oferecer enormes extensões de terras para
plantações de árvores exóticas e nativas que venderia como créditos
de carbono. O jornal The Herald informa que uma tonelada de dióxido
de carbono salvo atualmente é vendido por 5 a 7 euros.
Já
foi provado que estas estimativas são bastante nocivas para os
povos que dependem da terra e da água para se sustentarem. Se
não determos a avalanche de plantações de monoculturas de árvores
sobre as terras agrícolas, florestas, terras alagadas, infelizmente
também ficará provado que serão nocivas para todo o planeta em
um futuro não muito distante.
(1)
'Country to Reap Investment From Protocol',
The Herald
(Harare), 11 de janeiro de 2008,
http://allafrica.com/stories/200801110193.html
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ÁRVORES GM
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Aotearoa/
Nova Zelândia: Derrubem as árvores GM da Scion!
Desde
2003, a neozelandesa Scion vem desenvolvendo ensaios de campo
com plantações de pinheiro radiata e abeto norueguês geneticamente
modificados (GM) em suas instalações para pesquisa de Rotorua.
As árvores GM contém genes marcadores, genes resistentes a herbicidas
e genes que conforme a Scion estão “pensados para afetar o desenvolvimento
floral”. Há planos de os ensaios serem desenvolvidos durante 22
anos, mesmo que nenhuma das árvores irá permanecer no solo por
mais de 10 anos.
Em
janeiro de 2008, alguém entrou no campo de experimentação das
árvores GM escavando por baixo da cerca. Foram danificadas 19
árvores mas aparentemente ninguém soube se alguma parte das árvores
GM tinha sido removida. O ator (ou os atores) da protesta deixou
uma pá com uma etiqueta dizendo “Nova Zelândia Livre de Engenharia
Genética”.
A
ONG neozelandesa Soil and Health Association, fundada em 1941,
vem fazendo campanhas com o intuito de deter os ensaios com árvores
GM e retirar as árvores. Pouco depois de as árvores
terem sido danificadas, a Soil and Health Association publicou
um comunicado de imprensa no qual afirmava que a Scion devia derrubar
as árvores GM e apontava que a cerca que contornava o local de
ensaios tinha sido escavada por coelhos, criando assim o risco
de o material vegetal GM ter sido removido da área de ensaios.
A
Scion reconhece que há coelhos dentro do campo de ensaios das
árvores GM, mas argumenta que os coelhos não podem sair do local
porque a cerca está enterrada a uma profundidade de 1,5 m. A Scion
não explica como os coelhos poderiam ter atravessado a cerca e
entrado ao local. Em novembro de 2007, Steffan Browning da Soil
and Health Association visitou o campo de ensaios das árvores
GM. Encontrou evidências da existência de coelhos dentro e fora
do campo de ensaios. Ele tirou fotos de “um buraco na cerca, que
evidentemente tinha sido feito há algum tempo.”
A
fim de cumprir as exigências da Autoridade de Manejo de Riscos
Ambientais (Environmental Risk Management Authority, ERMA), a
Scion deve realizar uma fiscalização da cerca cada semana. O relatório
que a Scion apresentou à ERMA em 2007 não menciona a existência
de coelhos.
Em
um comunicado de imprensa, Claire Bleakley da GE Free New Zealand
disse, “todo ano, a GE Free (NZ) cria preocupações sobre as questões
relacionadas com a conformidade-e nós sempre somos enganados.
Devemos esperar que nenhum material GM tenha sido retirado das
instalações. A responsabilidade por essa negligência e desatenção
que causaram a brecha deveria recair, em parte, nos órgãos de
fiscalização e monitoramento.”
Browning
observa que “a ERMA nunca rejeitou nenhuma solicitação para ensaios
de campo com engenharia genética.” Ele salienta que há conflito
de interesses, já que “alguns encarregados de tomar decisões da
ERMA [são] empregados de outras entidades de pesquisa que experimentam
com engenharia genética (CRIs, Crown Research Institutions)”.
Os
Verdes da Nova Zelândia não se surpreenderam por os ensaios com
engenharia genética terem atraido esse tipo de protesto. “É como
um exibicionista em dia de jogo,” afirma uma mensagem no blog
dos Verdes. Browning aponta que a Soil e Health Association não
condena atos ilegais, mas, ele disse à Rádio Nova Zelândia, “Luto
para discordar dos motivos de quem quer que seja que tenha feito
o que for. Depende do que eles fizeram realmente e de quão responsáveis
eles tenham sido com o material.”
Os
cientistas estão indignados, informa a New Zealand Press Association.
“A destruição deliberada das árvores geneticamente modificadas
da Scion é eco-terrorismo e destrói o conhecimento e as oportunidades
para todos os neozelandeses,” disse o Dr. William Rolleston, presidente
da Life Sciences Network, um grupo de pressão em prol da engenharia
genética. A Scion é membro da Rede Life Sciences.
Em
um artigo de 2002 da revista neozelandesa Forest Industries, Christian
Walter, um cientista sênior da Scion, explica a justificativa
da organização para seu experimento com árvores GM: “Devemos obter
um completo entendimento dos potenciais riscos associados com
engenharia genética em florestamento e na forma em que podem ser
mitigados, antes de qualquer comercialização ter possibilidade
de acontecer. Isso envolve inevitavelmente testes de campo.”
Elspeth
MacRae, disse que “o propósito manifesto desse ensaio é avaliar
os impactos, se houver algum, das árvores transgênicas sobre o
ambiente. Até agora, os resultados mostram que as populações microbiais
do solo e a biodiversidade de insetos em um teste de campo de
pinheiros GM não foram afetadas.” Mas o ensaio consta apenas de
umas poucas dezenas de árvores. Com certeza o impacto ambiental
de plantações industriais de árvores de pinheiros GM seria um
experimento completamente diferente e ainda mais perigoso. Felicity
Perry da People’s Moratorium Enforcement Agency aponta que, os
ensaios de campo de árvores GM são como “começar um incêndio florestal
para averiguar os danos que provoca o fogo”.
A
Scion assinou um acordo com a empresa de pesquisas em árvores
GM Arbo