Desde o começo da década
de 60, o consumo de papel e papelão do mundo tem aumentado quase
sete vezes. Todo ano, cada pessoa no Reino Unido usa uma média de
mais de 200 quilogramas de papel. Nos EUA, o número é quase 300
quilogramas. O consumo de papel global é massivamente desigual.
No Laos, por exemplo, as pessoas usam em média menos de um quilograma
de papel ao ano. No entanto, as comunidades rurais no Laos estão
enfrentando atualmente a rápida expansão das plantações de eucaliptos
para satisfazer as demandas de matéria prima da indústria global
do papel.
Grande parte do consumo
de papel no Norte é desnecessária. Os funcionários de escritório
no Reino Unido imprimem 120 bilhões de folhas de papel ao ano, suficientes
para criar uma pila de mais de 13.000 quilômetros de altura. Dois
terços desse papel acaba na lixeiras antes do fim do dia. Os norte-americanos
usam 130 bilhões de copos de papel ao ano. Os copos são jogados
fora depois de 15 minutos de uso.
Este mês presencia
o lançamento da campanha “Shrink” (Reduzir) que objetiva
abordar o esbanjamento de papel. “A produção de papel causa uma
ampla variedade de impactos ambientais daninhos” explica Mandy Haggith,
a coordenadora da campanha Shrink. “Usando menos dele podemos
reduzir nossa pressão sobre as florestas, diminuir o uso de energia
e as emissões que causam a mudança do clima, limitar a poluição
da água, do ar e outras e produzir menos lixo. Também há impactos
sociais negativos e abusos aos direitos humanos vinculados com a
produção de papel, especialmente nos países do Sul. “O projeto “Shrink”,
que é apoiado por mais de 50 ONGs ambientais européias convida as
pessoas a comprometer-se a reduzir seu consumo de papel em seu site
na web: www.shrinkpaper.org.
O site sugere diferentes
formas nas que as pessoas podem reduzir seu consumo de papel. “Podemos
deixar de usar papel desnecessariamente, como por exemplo, lendo
informação na tela do computador, ou deixando de usar guardanapos
de papel que não precisamos” diz Haggith. “Podemos achar formas
de usar menos quando o papel é necessário, como imprimir em duas
faces ou reusar envelopes. E podemos tentar resistir o papel que
nos impõem, recusando correspondência não solicitada, pedindo para
sermos removidos de listas de correios e bases de dados, rejeitando
notícias gratuitas ou folhetos e evitando pacotes muito embrulhados."
A campanha Shrink
também objetiva persuadir as empresas e instituições para que reduzam
seu uso de papel. “As organizações e companhias podem tentar entender
onde é gastada a maioria do papel, por exemplo, em sistemas de escritório,
esforços de comunicação ou embalagem de curto prazo e incentivar
e recompensar o pessoal que apresente idéias para poupar papel:
mudando a forma na que as pessoas trabalham para que façam um melhor
uso da tecnologia livre de papel, achando designs mais eficientes
para embalar mercadorias, e assim por diante," diz Haggith.
Em junho de 2008, a
campanha escreveu para os CEO (Diretores Gerais) de 20 companhias
baseadas no Reino Unido: cinco companhias de catálogos; cinco supermercados;
cinco editoras de revistas; e cinco bancos e companhias de seguros.
“As escolhemos porque representam quatro dos maiores setores que
usam papel e são uma amostra representativa desses setores com uma
diversidade de políticas no papel” explica Haggith.
Cada um desses setores
não é, logicamente, exclusivamente responsável pelo esbanjamento
de papel. Os supermercados minam os meios de vida dos granjeiros,
destroem a biodiversidade exigindo produtos homogêneos, são responsáveis
de um enorme aumento nos montões de alimentos, desenvolvem seus
massivos shopping centers fora dos centros das cidades o que leva
a maior uso de carros e à destruição das áreas rurais e liquidam
as lojas locais barateando os preços. Os bancos financiam todo tipo
de projetos ambientalmente e socialmente destruidores. As revistas
se financiam através da publicidade, um dos principais impulsores
do consumo excessivo. Os catálogos existem apenas para promover
mais consumo. Mas como aponta Haggit, “As florestas e as pessoas
que sofrem os impactos negativos da indústria do papel não podem
esperar que as outras coisas erradas sejam resolvidas antes que
nós abordemos o consumo excessivo de papel."
A campanha objetiva
apoiar as lutas de movimentos no Sul contra a expansão da indústria
da celulose e do papel lá. “Quando perguntamos a colegas no Sul
global quais pensam que deveriam ser nossas prioridades em nosso
o trabalho com a indústria da celulose e do papel, eles respondem
que deveríamos abordar o consumo excessivo nos países ricos e tentar
reduzir a demanda de produtos da indústria” diz Haggith.
No ano passado, Haggith
viajou de trem e bote desde sua casa na Escócia para Sumatra, Indonésia
para pesquisar para seu livro "Paper Trails: From Trees
to Trash - The True Cost of Paper". "Eu fiquei horrorizada
de ver quão destruidores são os rastos de nosso papel” diz ela.
“Conheci povoadores indonésios em luta por uma reclamação de terras
com uma companhia de papel que está cultivando acácias em suas terras
comunitárias para fazer papel para cópia para venda em mercados
europeus e norte-americanos. Perguntei-lhes o que poderia fazer
para ajudá-los em sua luta e me disseram que pedisse às pessoas
na Europa que usem menos papel para cópia. Para mostrar real solidariedade
com as pessoas que lutam contra as indústrias extrativas multinacionais
não é suficiente que passemos nosso consumo de uma marca para alguma
outra, esperançosamente uma marca um pouco menos antipática. Isso
apenas desloca o problema. Consumir diferentemente não é suficiente,
precisamos consumir menos E diferentemente."
Comprometa-se a reduzir
seu uso de papel aqui:
Fuente:
Boletim
Nº 131 do MMFT, junho 2008