NOSSA OPINIÃO
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A mineração é um problema e deve ser tratada
como tal
O conceito de "sustentabilidade"
está sendo cada vez mais esvaziado de conteúdo, principalmente
por aqueles que realizam atividades basicamente insustentáveis.
Entre eles, é necessário mencionar uma atividade que,
por definição, não é sustentável:
a mineração. Pode-se argumentar que a mineração
é necessária para prover os seres humanos de diversos
bens, mas o que, na verdade, não é possível argumentar
é que ela é sustentável, porquanto trata-se de
uma atividade baseada na extração de recursos não
renováveis.
Apesar disso, as corporações
mineiras estão fazendo grandes esforços para convencer
a opinião pública de que são "sustentáveis".
Com esse objetivo em mente, o Conselho Empresarial Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, em inglês) - representante
de várias das corporações mais nocivas do mundo
- contratou o Instituto Internacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento
- o qual se autodefine como uma organização sem fins
lucrativos - para levar a efeito "um projeto independente de
pesquisa e consulta, com duração de dois anos, com o
objetivo de compreender como o setor de mineração e
minerais pode contribuir para a transição mundial para
um desenvolvimento sustentável". É lógico
que o projeto inclui o necessário adjetivo "sustentável":
"Projeto de Mineração, Minerais e Desenvolvimento
Sustentável".
Evidentemente, o projeto tinha
um objetivo político, e foi parte do lobby das corporações
para a inclusão do absurdo conceito de "mineração
sustentável" no relatório oficial da Conferência
Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (CMDS). Apesar da
evidente oposição dos ativistas contrários à
mineração durante o processo da CMDS, as corporações
mineiras conseguiram o seu objetivo, e a mineração foi
oficialmente declarada - como por arte mágica - uma atividade
"sustentável".
Não obstante, no mundo
real, dizer que a mineração é insustentável
é, na verdade, ficar muito aquém. Seus impactos vão
muito além daquilo que as pessoas normalmente considerariam
insustentável. A mineração é responsável
pela perda dos meios de subsistência de milhões de pessoas;
está na base de numerosas guerras civis, ditaduras e intervenções
estrangeiras armadas; é responsável pela violação
generalizada dos direitos humanos; é responsável pelo
envenenamento de pessoas e do meio ambiente; é uma das causas
diretas e subjacentes mais importantes do desmatamento e da degradação
das florestas. Esses e muitos outros impactos relacionados com a mineração
são descritos em detalhe nos artigos do presente boletim.
Certamente, a humanidade precisa
de uma certa quantidade de minerais para satisfazer algumas de suas
necessidades, básicas ou não. Porém, é
igualmente certo que o consumo desmedido de uma parte da humanidade
está destruindo as formas de sustento e o meio ambiente da
outra parte que habita áreas impactadas pela mineração.
Devido aos impactos que provoca,
a mineração é uma dessas atividades que devem
ser submetidas a controle estrito em todas as suas fases, da prospecção
e exploração ao transporte, processamento e consumo.
Em muitos casos, controle estrito significa, simplesmente, proibição.
Achar que as corporações mineiras vão se controlar
elas próprias é mais que ingênuo: é absurdo.
Até o controle dos próprios governos é insuficiente,
considerando o poder econômico e político que as corporações
mineiras demonstraram ter sobre eles. É preciso conferir poder
à sociedade em seu conjunto, para que ela também exerça
diretamente esse controle.
Mas, acima de tudo, os povos
que habitam áreas ricas em minerais devem ter a capacidade
de tomar decisões totalmente informadas, para decidir se permitem
atividades de mineração em seus territórios.
Caso eles aceitem, devem ter poder para decidir como essa atividade
deve ser levada a efeito, de sorte que fiquem garantidas a conservação
ambiental e a justiça social.
Apesar da pretensão
de "sustentabilidade", a mineração é
um grave problema, e como tal deve ser tratado.
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