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Boletim do WRM
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NOSSA OPINIÃO - A produção industrial de camarões nas áreas de mangues deve ser proibida A percepção mundial a respeito dos manguezais está mudando para melhor. Em tempos passados, foram tachados de pântanos mal-cheirosos infetados de insetos, mas agora estão sendo chamados, mais adequadamente, de “raizes do mar”, “floresta tropical anfíbia”, ou “berçário litorâneo”. Esta nova atitude constitui um primeiro passo muito positivo para atingir a sua conservação, porque um ecossistema valorizado tem maiores chances de ser protegido que um ecossistema considerado um pântano imprestável. Estas mudanças de atitude
são decorrentes das atividades de inúmeras ONGs que
trabalham em parceria com as comunidades locais com o intuito de proteger
seus mangues e gerar a conscientização em nível
nacional, regional e internacional a respeito da importância
social e ambiental dos ecossistemas dos manguezais. As ações acima mencionadas, infelizmente, são comuns e ainda necessárias em toda a região tropical e subtropical – onde os manguezais são formados – porque fortes interesses comerciais – na maioria relacionados com a produção do camarão, extração de óleo e gás, mineração e desenvolvimento turístico – ameaçam a existência deste ecossistema único. A produção industrial de camarão representa a pior ameaça para as florestas de mangue que ainda existem no mundo e para a vida silvestre e as comunidades por elas sustentadas. No dizer de Alfredo Quarto, diretor do Projeto Mangue em Ação, “ aproximadamente 1 milhão de hectares, no mundo afora, de pântanos litorâneos incluindo manguezais foram clareados para serem transformados em granjas de camarão com extensões de meia até centenas de hectares cada uma. Um sinal representativo desta indústria invasiva é que aproximadamente 250 mil hectares estão agora abandonadas por causa de doenças e poluição. A expansão desta devastadora atividade é agravada por consumidores dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Europa que fazem crescer a procura voraz de camarões baratos. O resultado é que os manguezais, fornecedores de meios de vida para as comunidades pobres locais no Sul, são destruídos para alimentar aqueles que já estão bem alimentados e para aumentar os lucros dos ricos produtores de camarão e de companhias mercantis transnacionais. A situação atual poderia ser assim descrita: Por um lado, o mundo ficou ciente da importância social e ambiental dos manguezais, porém, por outro lado, a produção não sustentável e o consumo estão levando os manguezais à destruição e as comunidades dependentes do mangue a uma crescente pobreza. Esta situação
paradoxal precisa de uma mudança. A produção
de camarão em grande escala deve ser proibida, uma vez que
já foi provado seu efeito negativo tanto na sociedade quanto
no meio ambiente. O manejo dos manguezais deve ficar nas mãos
daqueles que sabem como fazê-lo de maneira sustentável
e que estão interessados por sua conservação
no longo prazo, ou seja, nas mãos das comunidades locais. Obviamente,
o camarão será mais caro nos mercados do norte, mas
poderá estar acessível, mais uma vez, livremente- junto
com os outros recursos para o sustento que os manguezais fornecem
– para aqueles que precisam dele para se alimentarem. |
Movimiento
Mundial por los Bosques Tropicales
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