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Boletim do WRM
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| Número
87 - Outubro
2004 |
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- Índia: onda de roubo de caça e pesca e exploração afeta tribos isoladas Estranhos estão invadindo a reserva da isolada tribo Jarawa nas Ilhas Andaman, na Índia, e estão roubando a caça da que dependem para sua sustentação. Há um crescente número de denúncias de exploração sexual das mulheres Jarawa. Apesar da ordem da Suprema Corte à administração das ilhas de fechar a rodovia que atravessa a reserva, ela continua aberta, o que traz doenças e dependência. Os Jarawa são uma das quatro tribos “Negrito” que acredita-se que viajaram às Ilhas Andaman desde a África há 60.000 anos. Duas das tribos, os Great Andamanese e os Onge, foram dizimadas depois da colonização de suas ilhas, no início pelos britânicos e depois pela Índia. A população da tribo Great Andamanese caiu de 5.000 habitantes em 1848 para apenas 41 atualmente. Tanto os Great Andamanese quanto os Onge dependem agora das doações do governo. Os Jarawa resistiram o contato com os colonizadores do continente indiano até 1998. A quarta tribo, os Sentinelese, vive em sua própia ilha e continua evitando qualquer contato. Os Jarawa são caçadores-coletores e incluem aproximadamente 270 pessoas. Usam arcos e setas para caçar javalis e lagartos monitores e apanhar peixes e tartarugas. Agora, centenas de colonizadores indianos e caçadores e pescadores furtivos birmaneses estão caçando e pescando ao longo do caminho e a costa, desapossando os Jarawa de caça vital. O problema tem virado tão sério que em algumas áreas os javalis e os peixes são escassos atualmente. A tribo Sentinelese também está experimentando o roubo de suas fontes de alimentos, particularmente de lagostas das ricas águas ao redor de sua ilha, North Sentinel, e a tribo Onge diz que não pode caçar suficientes javalis, já que estão sendo roubados por estranhos. A rodovia principal que atravessa a reserva Jarawa, conhecida como a rodovia principal de Andaman, também está levando a exploração aos Jarawa. Há várias denúncias de caçadores e pescadores furtivos e outros estranhos que exploram sexualmente as mulheres Jarawa. Estranhos também estão introduzindo o álcool, o tabaco e alimentos alienígenas, dos que os Jarawa estão começando a depender. Aquelas pessoas que ingressam à terra Jarawa também introduzem doenças desconhecidas para as que os Jarawa não tem imunidade. A tribo já tem experimentado uma epidemia de sarampo e a ação imediata das autoridades ajudou a prevenir uma catástrofe. A administração das Ilhas Andaman está fazendo alguns esforços para restringir o contato entre os Jarawa e os usuários da rodovia. Esse é um passo na direção correta, mas isso apenas não será suficiente para garantir o futuro dos Jarawa. Os participantes de um seminário do governo indiano sobre o futuro dos Jarawa concluiu que a intervenção nas vidas dos Jarawa deveria ser minimizada e que seu desenvolvimento deveria ter seu próprio ritmo na direção que eles mesmos escolham. No entanto, algumas autoridades ainda favorecem a assimilação forçosa. O Ministro do Bem-Estar Tribal da época disse em 2003 que seu ministério planejava “reformar os povos tribais e assimilá-los com a generalidade” porque “não é correto deixá-los como estão”. Até que os direitos dos Jarawa a sua terra e a tomar decisões sobre seu futuro sejam respeitados, eles continuam estando em sério perigo. Lichu, um dos poucos Great Andamanese sobreviventes, receia pelo futuro dos Jarawa. “Acho que o que aconteceu conosco vai acontecer aos Jarawa também...muitos colonizadores estão caçando na área Jarawa. Não resta suficiente caça para os Jarawa. Seus peixes também estão sendo roubados. A interação pública com os Jarawa deveria acabar. A rodovia principal de Andaman deve ser fechada.” Para apoiar os Jarawa das Ilhas Andaman, una-se à ação de Survival International no site http://www.survival-international.org/jarawa_action.htm Por: Miriam Ross, Survival
International, e-mail: mr@survival-international.org - Indonésia: o povo Baduy de Java ocidental – uma tradição viva Na região Banten de Java ocidental, Indonésia, existe uma comunidade indígena em pequena escala que tem podido em grande medida evitar o avanço da globalização da tecnologia moderna e outras influências do mundo exterior, incluindo a degradação ambiental. O povo Baudy é um grupo tribal retirado que tem vivido um estilo de vida relativamente imperturbado e tradicional, numa sociedade fechada por mais de 400 anos até a recente invasão de pressões econômicas e sociais do mundo exterior. Apesar de que vivem numa área isolada de floresta tropical de montanha, a apenas 100 quilômetros ao sudoeste de Jakarta, a capital da Indonésia, os Baduy têm sido capazes no passado de fechar efetivamente sua comunidade para o resto do mundo. A população de aproximadamente 7.200 pessoas vive em dois clãs separados e habita uma reserva especial de aproximadamente 5.200 hectares destinadas ao povo Baduy pelo governo indonésio. Os Baduy do Interior (Baduy Dalam), que totalizam apenas 350 em três vilas (kampung) na área central, são os mais estrictos aderentes às crenças espirituais Baduy, enquanto a remanescente população vive na área Baduy do Exterior (Baduy Luar). O Baduy Dalam é o ponto central da cultura e adesão religiosa e o foco de rituais e lugares sagrados dentro do território Baduy. Simbolicamente os membros do clã Baduy Dalam podem usar a cor branca com a roupa preta tradicional, enquanto os membros do clã Baduy Luar usam caracteristicamente roupas pretas ou azuis escuras. A área Baduy Luar serve como zona de amortecimento entre o Baduy Dalam e o mundo exterior, atuando determinados membros do clã exterior como intermediários para os mais puros membros do clã interior. As casas Baduy são uniformemente simples, construídas apenas com materiais naturais, como por exemplo bambu e colmado de palma, sem janelas, e não têm quaisquer móveis, cadeiras, mesas ou outros acessórios. Eles não utilizam utensílios modernos, equipamento mecanizado ou materiais fabricados, tais como vidro ou plástico e não se usa qualquer aparelho moderno nem animal doméstico em suas técnicas migratórias tradicionais de cultivo de arroz. Dentro do território Baduy não há eletricidade nem outros confortos modernos, e não se permite a entrada de equipamento eletrônico, veículos a motor ou outros instrumentos do mundo exterior. Portanto, a comunidade Baduy rejeita todas as formas de modernização e ainda segue práticas culturais e religiosas únicas, conforme definido pelos sistemas de leis adat (leis locais) dos Baduy, transmitidas por seus antepassados há mais de quatrocentos anos. Um aspecto extraordinário da sociedade Baduy é sua origem, que ainda hoje continua sendo um mistério. De acordo com uma lenda, quando os muçulmanos começaram a espalhar a religião islâmica através de Java ocidental e outras partes do arquipélago no início do século 16, um grupo asceta de pessoas alegaram que tinham originado do antigo Reino indiano de Pajajaran e se recusaram a adotar a nova religião. Em lugar disso, essas pessoas fugiram para as regiões mais altas de uma cordilheira vizinha (Montanhas Kendeng), formando seu próprio clã religioso, em base a adesão estricta a crenças religiosas únicas; talvez influenciados de alguma forma pela religião indiana do Reino de Pajajaran antes de que caísse em mãos dos invasores muçulmanos. Apesar de que tem havido literatura erudita sobre a forma de vida dos Baduy desde os começos do colonialismo holandeses, muito do que tem sido escrito é informação de segunda mão, às vezes contraditória, e talvez intencionalmente enganosa. Os Baduy parecem ter percebido há muito tempo que uma das fortalezas da sobrevivência de sua cultura é permanecer escondidos em uma atmosfera de mistério. Eles guardam zelosamente o conhecimento da espiritualidae e dos rituais dentro de sua comunidade, e não permitem aos estranhos ingressar aos lugares sagrados ou estar presentes em ritos tradicionais dentro da região Baduy do Interior. Os Baduy acreditam numa deidade central, à que chamam Batara Tunggal, e se consideram a si mesmos como descendentes de sete deidades menores enviadas à terra por Batara Tunggal no começo da humanidade no planeta. Os Baduy consideram como o lugar mais sagrado uma área afastada, próxima ao centro do território Baduy, conhecido como Sasaka Domasa, onde se diz que aconteceu esse evento e onde os espíritos de seus antepassados são protegidos e venerados. No entanto, todo o território Baduy é considerado protegido e sagrado, particularmente as mais significativas áreas de florestas cuja perturbação ou alteração está proibida. Portanto, essas florestas incluem uma reserva ambiental valiosa e um recurso perpetuo para uso sustentável pela comunidade. Atualmente o povo Baduy existe como uma comunidade tradicional isolada, em pequena escala, cercada pela sociedade prevalecente indonésia, que em Java ocidental somente abrange aproximadamente 40 milhões de adeptos da fé islâmica. Apesar das forças externas da modernização e da pressão para que essa pequena comunidade se assimile com a sociedade indonésia moderna, a tribo Baduy ainda controla seu baluarte na montanha onde as práticas religiosas e culturais têm permanecido inalteradas até recentemente. Apesar de que eles têm podido manter um estilo de vida relativamente tradicional até há pouco tempo, o povo Baduy está começando a ser influenciado por desenvolvimentos no mundo circundante, incluindo as forças da modernidade da industrialização e da globalização. Ironicamente, o estilo de vida Baduy até agora tem sido culturalmente e ecologicamente sustentável e eles têm vivido em relativa harmonia com o meio ambiente. A sociedade Baduy reúne muita sabedoria e conhecimento sobre a conservação e sustentabilidade dos ecossistemas e as inter-relações de todos os seres vivos com a terra e o cosmo. Atualmente uma incipiente população Baduy e os crescentes contatos com o mundo exterior têm levado ao desenvolvimento de uma economia de vila mais baseada no mercado, dependente de cultivos comerciais e venda de artesanato. Nos últimos anos os Baduy têm acentuado crescentemente a produção agroflorestal, incluindo a plantação madeireira de Albizia, frutas, açúcar mascavo e outros produtos cultivados quase exclusivamente para sua venda em mercados locais em vez de o arroz cultivado nas colinas (ladang) que antigamente era auto-suficiente. Essas mudanças têm
começado a causar alguns impactos culturais, sociais e ambientais,
que são mais evidentes no uso crescente de roupas não
tradicionais ocidentais, o consumo de fast foods embalados e o uso
de outros produtos manufaturados que são comprados com dinheiro
obtido dos cultivos comerciais. Apesar de que são proibidos
pelas leis adat Baduy, outros artigos modernos importados de fora
do território Baduy, tais como garrafas térmicas, rádios
e até telefones celulares estão virando comuns nas casas
Baduy. Por David Langdon, E-mail: davidlangdon@flinders.edu.au ou davidlangdon@bdg.centrin.net.id |
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