Iniciamos hoje (24/07/2007) um conjunto de ações pacíficas
como o objetivo de retomar a posse dos 11.009 hectares que nos pertence
e que já foram exaustivamente identificados pela FUNAI como
sendo terras tradicionalmente ocupadas por nós, Tupinikim
e Guarani. Inicialmente pretendemos paralisar o corte de eucalipto
e retirar os não-índios que se encontram ilegalmente
dentro de nossas terras. Em seguida organizaremos mutirões
para reconstruir algumas de nossas aldeias (Olho d´Água,
Macacos e Areal) destruídas pela Aracruz Celulose quando
invadiu nossas terras. Ergueremos casas e faremos plantios de alimentos
e de mudas nativas para reflorestar nossas terras.
Com a paralisação
do corte e retirada dos não-índios queremos resguardar
os plantios de eucalipto para serem utilizados como pagamentos das
indenizações devidas à Aracruz Celulose pelas
benfeitorias existentes nos 11.009 ha. A paralisação
do corte será estendida também a nós, indígenas,
como mais uma demonstração da nossa vontade de colaborar
para uma solução rápida e pacífica do
problema. No entanto, queremos reafirmar que nossas ações
são motivadas pela demora do governo federal em solucionar
uma disputa que já dura quase 40 anos. Sempre cumprimos com
os compromissos assumidos com o governo, mas nem sempre o governo
cumpriu com
os seus. Vale
lembrar que o ex-Ministro da Justiça Márcio Thomas
Bastos, em audiência pública na Assembléia Legislativa
do Espírito Santo, em fevereiro de 2006, prometeu regularizar
nossas terras até o final de 2006. Porém, em janeiro
de 2007, pouco antes de se afastar do ministério, devolveu
de forma irregular os processos para a FUNAI, apesar de ter em mãos
todos os elementos necessários para assinar as portarias
de delimitação de nossas terras. Recentemente, ou
seja, 07 meses depois, o processo retornou ao Ministério
da Justiça.