Mulheres da Via Campesina ocupam fazenda da Votorantim e cortam
eucalipto
Cerca de 700 mulheres da Via Campesina ocuparam na manhã de
hoje a fazenda Ana Paula, de propriedade da Votorantim Celulose e
Papel (VCP). A ocupação foi iniciada com o corte de
eucalipto na área. A ação faz parte da Jornada
Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina e pretende denunciar
as conseqüências da monocultura do eucalipto na região
(desertificação e ameaça à biodiversidade
da região que conta com cerca de 3 mil espécies de plantas).
Em muitas áreas, diz a Via Campesina, já falta água
para o consumo humano e para a criação de animais. A
organização cita uma pesquisa da UFRGS, segundo a qual,
a monocultura de plantas exóticas na região consumirá
20% mais água do que chove no pampa.
A ocupação
também denuncia o envolvimento da VCP em operações
de especulação financeira. Uma nota divulgada pela Via
Campesina afirma:
"Depois
de especular contra a moeda brasileira e ter prejuízos com
a crise financeira, a VCP recebeu R$ 6,6 bilhões do governo
brasileiro para adquirir a Aracruz Celulose, através da compra
de metade da carteira do Banco Votorantim e de um empréstimo
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O custo da compra foi de R$ 5,6 bilhões. A VCP havia prometido
gerar 30 mil empregos no estado e mesmo recebendo recursos e isenções
fiscais dos governos federal, estadual e de municípios, a Aracruz
causou a demissão de 1,2 mil trabalhadores em Guaíba,
entre trabalhadores temporários e sistemistas, e a VCP outros
2 mil trabalhadores na metade sul. O agronegócio foi o segundo
setor que mais demitiu com a crise financeira. Apenas em dezembro,
o agronegócio demitiu 134 mil pessoas em todo país".
"...A suficiência
é uma relação mais livre que a necessidade..."
Viveiros de Castro
09/03/2009
Cíntia Pereira Barenho
Bióloga e Mestre em Educação Ambiental/FURG