Quilombolas
e Indígenas do Espírito Santo continuam na retomada
das suas terras
Há oito dias se mantém
a retomada do quilombo Linharinho, no município de Conceição
da Barra, dentro do território de 9.543 ha reconhecidos como
território quilombola pelo Incra. Com apoio de militantes do
MST, MPA e entidades ligadas à Rede Alerta contra o Deserto
Verde, os quilombolas cortaram os eucaliptos do local e construíram
nesses oito dias barracas, montaram uma cozinha, realizaram atividades
culturais e plantio de ervas medicinais, árvores nativas e
frutíferas. 82% do território de Linharinho está
sob a posse da empresa Aracruz Celulose.
Também há sete dias
os índios Tupinikim/Guarani reiniciaram a retomada dos 11.009
hectares, também em disputa com a Aracruz Celulose. Fecharam
o acesso à área para os não-índios que
estavam entrando ilegalmente na área, cortando e retirando
eucalipto, e iniciaram a reconstrução da aldeia Olho
d´Água, que foi destruída violentamente pela Polícia
Federal com todo o apoio da Aracruz Celulose em janeiro de 2006.
A Aracruz Celulose declarou na
imprensa local que já recorreu à Justiça e já
teria conseguido uma reintegração de posse. Na última
quinta-feira, um oficial de Justiça chegou até o quilombo
Linharinho
para entregar uma notificação, mas ela não foi
recebida pelos ocupantes. Na área indígena, nenhuma
notificação da Justiça foi recebida até
agora.
Ambas as ações estão
sendo realizadas para pressionar o governo federal para que regularize
o mais rápido possível os territórios indígena
e quilombola no Espírito Santo. Há 40 anos essas terras
foram invadidas pela Aracruz Celulose, que desmatou a área
e substituiu a mata nativa pela monocultura de eucalipto. Hoje, as
comunidades quilombolas e indígenas lutam pela recuperação
das suas terras, não apenas para abrigar as famílias,
mas também para dar um outro uso à terra, com o reflorestamento
e a produção agrícola diversificada agro-ecológica.
Rede Alerta contra o Deserto Verde
- 30 de julho de 2007