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BRASIL
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de Setembro: Dia Nacional de Luta Contra Hoje, duas manifestações aconteceram no Espírito Santo em protesto contra os impactos e a violência, causados pelo plantio da monocultura de eucalipto em larga escala no estado. O dia de hoje, como momento de protesto, foi escolhido durante o III Encontro Nacional da Rede Alerta contra o Deserto Verde em maio deste ano em Belo Horizonte, 21 de setembro é o dia da árvore: uma data bastante simbólica para este Dia Nacional de Luta.
Por um lado, as manifestações de hoje mostram a crescente mobilização e organização popular no Espírito Santo contra a monocultura de eucalipto, um plantio que impede a realização da reforma agrária, gera pouquíssimos empregos e destrói direta e indiretamente os meios de subsistência das populações locais. Por outro lado, o caráter das ações de hoje mostra que as populações locais e movimentos sociais do campo estão indignadas e cansadas de esperar por ações concretas dos governos federal e estadual no sentido de impedir o avanço da monocultura de eucalipto. Querem construir seus próprios projetos de subsistência, baseados na diversidade, no agro-ecologia, na reforma agrária, na devolução das suas terras ocupadas por eucaliptos - como no caso dos quilombolas e dos indígenas -, e no estímulo de alternativas de reflorestamento que aproveitem o potencial das centenas de espécies nativas. Movimento Alerta contra o Deserto
Verde Carta Aberta à população Nós, moradores(as) de Vila do Riacho, comunidades indígenas Tupiniquim e Guarani e integrantes da Rede Alerta Contra o Deserto Verde, vimos denunciar todas as formas de violência produzidas pela Empresa Aracruz Celulose contra as populações locais do seu entorno desde a sua instalação há 36 anos. A Aracruz Celulose destruiu todas as formas de subsistência de nossas populações: destruiu os rios, destruiu a mata atlântica, invadiu nossas terras produzindo o caos social e ambiental. Como a Aracruz Celulose que pro meteu desenvolvimento, emprego, melhoria das condições vida, conseguiu, nesses 36 anos, ficar completamente impune? As violências são inúmeras: a população de Vila do Riacho tem sido vítima de abusos constantes das polícias militar, ambiental e da milícia armada da Aracruz Celulose (VISEL). É-lhes cerceado o direito de ir e vir e de trabalhar; Trabalhadores têm seus instrumentos de trabalho apreendidos e/ou destruídos; Moradores são ameaçados; Adolescentes são ameaçados e presos; Famílias têm seus lares invadidos; cidadãos são acusados de furto sem qualquer prova; Pequenos proprietários são violados nos seus diretos, tendo a casa destruída e plantios arrancados. E aí, a população indignada pergunta: o que se deve fazer quando a polícia, que é sustentada pelo dinheiro público, que tem a função de dar segurança ao cidadão, se transforma num instrumento de terror, a serviço de interesses privados da Aracruz Celulose? Os pescadores não têm mais o que pescar; a água de uso doméstico está contaminada, adoecendo crianças e adultos, forçando uma população desempregada a comprar água mineral ou a se deslocar quilômetros de distância para buscar água potável. Tudo isso porque a Aracruz Celulose, na sua produção, consome uma quantidade diária de água que corresponde à mesma quantidade que uma cidade de dois e meio milhões de habitantes gasta por dia, e não paga nada por isso. E mais, para atender ao seu interesse econômico não respeita qualquer princípio ético, ambiental e social: represa rios, faz transposição da bacia do Rio Doce (Canal Caboclo Bernardo), inunda propriedades, inverte cursos de rios (Rio Gimuna) e contamina as águas com uso intensivo de agrotóxico nas suas plantações. Assim produz um desastre ambiental incalculável e irreversível. A população mais uma vez pergunta: por que a Aracruz Celulose, que tem essa prática perversa, consegue ser premiada como empresa defensora do meio ambiente? Nossas populações locais que viviam de forma autônoma como pequenos produtores, lavradores, pescadores e trabalhadores independentes hoje vivem cercadas pelos plantios de eucalipto, sem qualquer perspectiva de trabalho. Para muitos de nossos trabalhadores não resta outra alternativa imediata de sobrevivência senão a produção de carvão. Entretanto, nem isso podem fazer. A empresa com toda sua truculência tem perseguido os catadores de resíduos e os trata como se fossem bandidos, buscando cada vez mais inviabilizar a permanência das comunidades no seu entorno. A população outra vez pergunta: diante de tantos danos causados por que a empresa recebe financiamento público e privilégios fiscais? Enquanto, para nós resta o mau cheiro, a poluição, o risco tóxico e o total descaso por parte do estado e da prefeitura. A Aracruz Celulose quer negar o seu passado destruidor da cultura e do modo de vida das populações locais. Só quer olhar para o futuro e gerar desenvolvimento. Perguntamos: desenvolvimento para quem? Para nós, discutir o passado é vital. "Perguntem aos mais antigos sobre o estrago que ela, a Aracruz Celulose, fez por aqui! Aí então vamos lembrá-la do que perdemos e quanto custa a ela reparar as perdas e danos que ela nos causou".
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