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Brasil

 

MOÇÃO DE APOIO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.

Os que quiserem aderir


A Região Extremo Sul da Bahia, parte integrante do Bioma Mata Atlântica, foi e é uma das bioregiões geográficas mais importantes do país. O desrespeito às populações tradicionalmente existentes e o descaso para com os recursos hídricos, fauna e flora, perdura e é de longa data. Entretanto, apesar das inúmeras formas de preterimento social, ambiental, econômico e cultural as populações remanescentes subsistiram. Há décadas estas populações foram submetidas a um modelo predador e excludente de “desenvolvimento” que em sua essência exploradora não coloca como base de planejamento o ser humano, o meio ambiente, enfim, a vida! E tal modelo, com o mesmo princípio imperialista é chagado pela peste do lucro. Desconsidera, além das pessoas, animais, solo, plantas, águas e paisagens naturais; desconsidera, acima de tudo o quanto mais importante, as instituições e órgãos reguladores que compõe a sociedade pela ação rápida, inconseqüente, maculatória, corruptível que engole qual Dragão Voraz tudo aquilo que realmente se pode denominar de sustentável biológica - ecológica e economicamente.

Por isso, o Fórum Sócio-Ambiental do Extremo Sul da Bahia, e apoiadores abaixo assinados, emitem a presente Moção de Homenagem Pública ao Ministério Público Federal e aos seus representantes instalados na Região Extremo sul da Bahia por acusar, e a JUSTIÇA FEDERAL por CONDENAR, no dia 17 de Junho de 2008, a Empresa VERACEL CULPADA! por desmatar vastas áreas de Mata Atlântica e por ter constatada ilegalidades no seu licenciamento. Diante desta decisão a sociedade brasileira, que está fadada a desacreditar nos órgãos e decisões da Justiça, recebe com muita honra e como incentivo à decisão do Juiz Federal, Marcio Flávio Mafra Leal, para continuar lutando para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, que respeite a vida em seu esplendor de biodiversidade.

Incentivado por seus amplos financiamentos de candidatos políticos, a empresa VERACEL - a despeito da inoperância dos órgãos e autoridades por esta corrompida - nunca foi obrigada a cumprir a Legislação Brasileira, e acumula, por isso, um vasto currículo de ilegalidades pelo descaso como planta o eucalipto em áreas que deveriam ser preservadas conforme estão previstas em Lei Federal como as A.P.Ps. – Áreas de Preservação Permanente, as áreas de RL’s – Reserva Legal e o que é de pasmar qualquer cidadão que pensa ambientalmente com responsabilidade: áreas de entorno de parques nacionais, como é o caso do Parques Nacionais de Monte Pascoal e de Pau-Brasil, todos demarcados e gerido pelo IBAMA no Extremo Sul da Bahia. Além de executarem técnicas que impedem a regeneração da Mata Atlântica por ampla disseminação de herbicidas em vegetações e proximidades de nascentes e córregos.

Elaboramos a presente moção não para dizer que vencemos apenas uma batalha. Mas, para deixar claro que nossa postura de movimento socioambiental do Brasil e do mundo, rechaça toda estrutura corrupta e apodrecida existente no seio do IBAMA, no seio do CRA, no seio das Secretarias de Meio Ambiente, no seio das legislaturas, enfim, de todos os órgãos que deveriam promover ações para defender, preservar, proteger, restaurar as condições existenciais de vida dos biomas de forma a promover o bem estar do planeta!

Queremos lembrar com esta moção de apoio aos dignos representantes do MPF que ao longo de tantas décadas o processo de degradação da exuberância da Mata Atlântica, um Hotspot mundial, ou seja, um dos repositórios de biodiversidade mais importantes e mais ameaçados do mundo, reduziu-o drasticamente chegando aos irrisórios 4,82% no extremo sul da Bahia, da sua área total, ‘coincidentemente’, por ocasião da chegada das empresas de celulose à região. E, hoje, a monocultura está disseminada por cerca de 700 mil hectares de eucalipto plantado. Isso só foi possível graças à estrutura corrupta das empresas privadas representantes do capital existentes dentro dos vários órgãos do meio ambiente e que permeiam e que “constroem” um segundo estado dentro do Estado Nacional, perfilando vicissitudes e degenerando o processo natural, moral e ético contrariando um modelo justo para todas e todos e para o meio ambiente vital.

Nesse sentido, o avanço da monocultura do eucalipto a partir da década de 80 promoveu uma resistência social das populações agravadas pelo “modelo” da “nova?” sociedade. A pressão exercida pelo Movimento Socioambientalista regional possibilitou ao longo dos anos a criação de leis restritivas à expansão desigual das monoculturas em vários municípios, porém tais leis municipais vêm, constantemente, sendo vilipendiadas por processos abertos de cooptação como doações de carros, equipamentos e serviços a particulares e, também, para entidades do Terceiro Setor com as mesmas “doações” como carros, microcomputadores, materiais de construção e elétricos, dentre outros que estão se tornando processos intensivos de cooptação social, econômica, cultural e ambiental que enlaça os representantes das populações tradicionais existentes na Região Extremo Sul da Bahia.

Não fosse apenas estes exemplos de cooptação daquilo já existente é real, constatável a criação de entidades, com cunho social, econômico e ambiental que são criados para confundir ideologicamente as populações locais estabelecendo um processo inculcatório de interesses do capital agronegocista instalado a partir de inúmeras outras ações desumanas tais como expulsão das populações Negras, Indígenas e Ribeirinhas de seus lugares tradicionais, expulsão de famílias de pequenos agricultores por processos de trocas, compras subfaturadas e/ou mesmo extração à força daqueles que produziam e vivenciavam uma sociedade com respeito à natureza e à cultura existente. Essas populações enfrentam ainda as milícias armadas das empresas que perseguem qualquer um que tiver coragem de utilizar as extensas áreas da empresas em busca da sua sobrevivência.

Ressaltamos que há ainda muito que fazer por parte dos ilustres representantes das coletividades – órgãos públicos, servidores, especialmente o Ministério Público Federal - para defender, preservar, proteger e restaurar as condições existenciais de vida das ações nefastas dos grandes empreendimentos tais como as plantadoras de eucalipto na Região Extremo Sul da Bahia.

Frente a esse quadro de destruição ambiental, violações de direitos e a desterritorialização das comunidades do extremo sul da Bahia, expressamos a importância que a sentença do MPF seja mantida e que os crimes da Veracel sejam punidos. E que orientado por essa decisão os governos a nível federal e estadual revejam os recorrentes investimentos públicos em um setor que, diferente do que veicula, não tem contribuído para o desenvolvimento da região, aumentando a pobreza e diminuindo as opções produtivas das comunidades nos territórios onde se instala.


Assinam a presente moção:

CEPEDES - Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul/BA
CDDH – Centro de Defesa dos Direitos Humanos – Teixeira de Freitas
ESPAÇO CULTURAL DA PAZ – TEIXEIRA DE FREITAS
ESPAÇO CULTURAL DA PAZ – CARAVELAS
SEC – SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE ALCOBAÇA
STR – SINDICATO DOS TRABALHDORES RURAIS DE MEDEIROS NETO
SINDEC – SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE TEIXEIRA DE FREITAS


Os que quiserem apoiar a moçao podem fazê-lo aqui

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