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BRASIL

PAUTA DE REIVINDICAÇÃO
AO GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Esta “pauta de reivindicação” é fruto do III Encontro Nacional da Rede Deserto Verde, ocorrido em Belo Horizonte nos dias 6 e 7 de Maio de 2004, reunindo dezenas de entidades e movimentos sociais de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. Articulando movimento dos sem terra, campesinato, populações tradicionais indígenas, quilombolas e de geraizeiros, com o apoio de entidades da sociedade civil brasileira, a Rede Deserto Verde exige a reparação de um conjunto de direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, diretamente violentados pelos plantios industriais de árvores em larga escala, seja pra celulose, seja pra siderurgia. Sendo eles:

  • Não renovação dos contratos de arrendamento para as empresas privadas em todo o estado de Minas Gerais;
  • Devolução para as comunidades de 280 mil ha de terras públicas que foram arrendadas para empresas privadas, com programa de reconversão agroextrativista;
  • Discriminatória de terras públicas que foram griladas por empresas “reflorestadoras” na região do Rio Doce e Vale do Aço;
  • Suspensão das licenças de desmatamento e destoca de áreas em regeneração utilizadas para o plantio de eucalipto;
  • Proibição da capina química e fiscalização rigorosa do uso de agrotóxicos na monocultura de eucalipto;
  • Nas áreas da monocultura do eucalipto, aumentar para mil metros as áreas de proteção permanente, incluindo nascentes, córregos, rios e lagoas;
  • Liberação das lagoas localizadas em áreas de monocultura de eucalipto para que as comunidades possam usá-las através de um plano de manejo, visando a segurança alimentar, geração de renda e emprego na região do Rio Doce e Vale do Aço;
  • Reordenamento do entorno do Parque do Rio Doce, convertendo áreas de monocultura de eucalipto em projetos agroflorestais, voltados para a agricultura camponesa;
  • Cumprimento da legislação ambiental, no que se refere aos estudos de impactos socioambientais para projetos de monocultura de eucalipto e seu constante monitoramento;
  • Realização de audiências públicas locais, com a participação das comunidades atingidas, visando debater os problemas relacionados a monocultura do eucalipto;
  • Suspensão dos projetos do PRONAF florestal para o plantio de eucalipto, redirecionando os recursos para projetos agroflorestais;
  • Reestruturação da DRT, visando coibir o trabalho escravo, degradante e infantil, como também fiscalizando os procedimentos legais em caso de acidentes de trabalho;
  • Combater a máfia do carvão, eliminando a venda de notas pelas empresas;
    Combater e penalizar os sistemas de trabalho por tarefa/produção na exploração da monocultura de eucalipto;
  • Penalizar a terceirização dos serviços relacionados à atividade fim da exploração do eucalipto pelas empresas: plantio, capina, corte, carvoejamento etc.

Belo Horizonte, 07 de maio de 2004
Rede Alerta contra o Deserto Verde


 

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