Nota à
imprensa
A Rede Latino-americana solicita aos
governos do Brasil e do Chile que suspendam as pesquisas sobre árvores
transgênicas
16 de janeiro de 2008.
Em carta enviada aos governos do Brasil e do Chile, a Rede Latino-americana
contra as Monoculturas de Árvores (RECOMA), uma rede descentralizada
e com representação em 16 países, solicitou a
estes dois países que ordenem a suspensão das pesquisas
que estão sendo realizadas sobre a modificação
genética de árvores.
Tal solicitação está baseada na decisão
tomada na última Conferência das Partes da Convenção
das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica
que solicita aos governos que adotem “enfoques de precaução
ao tratar a questão das árvores geneticamente modificadas”.
Na sua mensagem, a RECOMA também demonstra preocupação
pelo fato de a manipulação genética realizada
apontar para a consolidação e expansão de um
modelo de monocultura de árvores que já tem resultado
em graves impactos sociais e ambientais. Afirma-se que o uso de árvores
transgênicas agravaria ainda mais os impactos já constatados
sobre a água, dado que uma das características que se
deseja introduzir é um crescimento mais rápido, o que
significaria um uso mais intenso de água pelas plantações.
Na carta enviada ao governo chileno, se complementa que está
sendo investigada a introdução de genes que aumentem
a resistência das árvores ao frio, com o objetivo de
plantá-las mais no sul do território e nas regiões
altas da ‘cordillera’. Isso implicará em impactos
sociais e ambientais em áreas novas.
Também, estão sendo realizadas pesquisas para que as
árvores possuam características inseticidas, com o objetivo
de fazê-las mais resistentes ao ‘polilla del brote’
(Ryacionia buoliana). O resultado poderia ser a mortalidade de uma
quantidade de outras espécies de insetos, com os conseqüentes
impactos sobre as cadeias alimentares da fauna local e possivelmente
o comprometimento da polinização de espécies
da flora nativa vinculada a tais insetos.
Na carta enviada ao governo brasileiro, é ressaltado, além
disso, a tentativa de aumentar a tolerância das árvores
ao herbicida glifosato o que produzirá impactos socioambientais
ainda maiores, como a destruição da flora local e problemas
de saúde nas pessoas. Também, a pesquisa que está
sendo realizada para obter eucaliptos com uma maior quantidade de
celulose e consequentemente uma menor quantidade de lignina, componente
que garante a força estrutural da árvore, a deixará
mais frágil e menos resistente às ventanias, podendo
causar danos graves.
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