Em tempos de militarização e guerras

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Fumaça no céu da Faixa de Gaza após respostas de Israel ao Hamas (Foto: Mahmud Hams/AFP)

A violência como forma de fazer política é um elemento central na dominação dos povos do Sul global desde os processos de colonização. Até hoje, estes povos enfrentam guerras, militarização e violência que, na maioria das vezes, são ignoradas e invisibilizadas pela mídia global hegemônica.

Dito isso, o que chama a atenção neste momento é como governos imperialistas, com os Estados Unidos à frente, buscam normalizar, cada vez mais, guerras, militarização de territórios, intervenções em outros países, genocídios, embargos, bloqueios, sanções e assim por diante. Essas ações violentas são quase sempre articuladas com corporações que diretamente lucram com isso, como a indústria bélica e a petrolífera.

O petróleo tem sido uma das peças-chave que faz mover as peças desses tabuleiros bélicos. Primeiro, pelo simples motivo de que toda a maquinaria que move as guerras e a ocupação militar de territórios depende dessa fonte de energia para funcionar. Mas, sobretudo, porque o acesso e o controle sobre reservas de petróleo impulsionam guerras, sem dizer que impedir o acesso a petróleo tem sido usado como violenta estratégia política de pressão.  

Falar de crise climática poderia parecer algo menor diante desse cenário, mas não é. Não só porque a queima do petróleo é o que mais acelera o aquecimento global, mas também pela relevância do petróleo para o capitalismo. A atual ideia de energia como uma mercadoria produzida e controlada de forma centralizada por grandes corporações foi criada pelos próprios capitalistas, e o petróleo, como fonte principal de energia, tem sido decisivo para que acumulem ainda mais dinheiro e poder. (1) Na busca por controlar recursos estratégicos como o petróleo, governos imperialistas articulados com corporações, provocam violência e guerras, ao mesmo tempo em que provocam caos climático e crise ecológica, com a destruição das florestas e dos povos que delas vivem e cuidam. 

Chama atenção também a masculinidade dos governos que tem espalhado guerras, militarização e terror pelo mundo. Além de serem comandados por homens, quase sempre brancos, a forma como exercem a política é uma das principais características do patriarcado: a violência. Vale ressaltar que entre as principais vítimas desse sistema e de suas guerras estão as mulheres e as crianças: elas que mais enfrentam violência, abuso sexual, destruição das condições básicas para exercer o importante papel do cuidado, que quase sempre recai sobre as mulheres. 

Nos solidarizamos com todos os povos, especialmente mulheres e crianças, que resistem como podem contra toda essa violência. Ao mesmo tempo, enfatizamos que o enfrentamento à crise climática implica questionar e transformar a lógica de acumulação do sistema capitalista e as estruturas de dominação do patriarcado que se retroalimentam de guerras, de militarização e da exploração destrutiva de corpos e territórios.  

Em um momento em que acabamos de lembrar e celebrar a luta das mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, reiteramos nossa solidariedade com as lutas feministas coletivas que defendem a vida e que abrem caminhos para transformar as estruturas de poder que violentam corpos e territórios e destroem as condições de vida.  

  

Referências:
    (1) WRM, 2025. A matriz do problema: precisamos falar de energia