Congo, República Democrática do: Pigmeus enfrentam empreendimento de corte de madeira do Banco Mundial

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Junto com a United Nations Food and Agriculture Organisation - FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o Banco Mundial está apoiando o desenvolvimento de novas leis florestais abrangentes no Congo, bem como o “zoneamento” de toda a área florestal do país, o que implicaria o corte de aproximadamente 60 milhões de hectares de floresta tropical. Mais de 100 grupos ambientais, de desenvolvimento e direitos humanos tinham impugnado esses projetos em fevereiro do presente ano (vide Boletim do WRM Nº 80).

Esse processo tem sido debatido por algum tempo. Em fevereiro e março de 2003 nós já tínhamos publicado evidência disseminada pelo ativista Karl Ammann, que revelou como um ajuda memória do Banco Mundial constituía realmente assessoria do Banco Mundial sobre a forma de reativar o setor florestal (vide Boletins números 67 e 68 do WRM) para que a República Democrática do Congo virasse o primeiro produtor de madeira na África. O Banco Mundial tem estado portanto estabelecendo as bases para o desenvolvimento do corte industrial de madeira no país.

No entanto, isso não poderia deixar de ter impactos. De acordo com as estimativas do próprio Banco, 35 milhões dos 50 milhões de congoleses dependem das florestas para sua sustentação. As vidas de todas essas pessoas poderiam ser minadas, no melhor dos casos, ou até destruídas.

Em 8 de julho passado, um dos grupos potencialmente mais afetados –os pigmeus- apresentaram seu caso diretamente ao presidente do Banco Mundial James Wolfensohn, solicitando-lhe que detivesse os planos que poderiam desencadear uma onda de destruição nas florestas tropicais onde moram. Essa ação aconteceu durante uma videoconferência organizada pela Rainforest Foundation UK, que também está desafiando os planos do Banco de um aumento massivo no corte industrial de madeira no Congo.

Esse não seria o primeiro caso em que o Banco Mundial perturba a vida dos pigmeus: em Camarões, os Bagyeli –um dos muito diferentes povos pigmeus- estão ameaçados por um oleoduto patrocinado pelo Banco Mundial que será construído através de suas terras. Os pigmeus são habitantes da floresta e conhecem a floresta, suas plantas e seus animais intimamente. Vivem da caça de animais como antílopes, porcos e monos, pescando e colhendo mel, inhames silvestres, bagas e outras plantas. Estão vendo suas casas da floresta ameaçadas pelo corte de árvores e estão sendo expulsados por colonos. Em alguns lugares eles têm sido despejados e suas terras tem sido destinadas a parques nacionais.

“O senhor não deve esquecer que as vidas dos povos indígenas dependem da floresta” disse Adolphine Muley da Congolese Union of Indigenous Women – UEFA (União Congolesa de Mulheres Indígenas) ao Presidente do Banco Mundial. “Para um pigmeu, falar de exploração da floresta é falar de reforçar a miséria e a pobreza. O senhor deve estabelecer estratégias, para que os povos pigmeus não sejam prejudicados pelo sistema que vocês estão desenvolvendo.”

Artigo baseado em informação de: “Congo ‘Pygmies’ meet with World Bank President”, Release da Rainforest Foundation, 8 de julho de 2004, http://www.rainforestfoundation.org.uk , enviado por Simon Counsell, E-mail: SimonC@rainforestuk.com ; “Tribes & People Groups. Pygmies”, The Africa Guide, http://www.africaguide.com/culture/tribes/pygmies.htm