Agronegócio

A agricultura industrial orientada para a exportação de algumas commodities comercializadas globalmente (como soja, milho e arroz), bem como a produção de carne, destrói as florestas, a diversidade de sementes e os pequenos sistemas agrícolas. Esses fatores também erradicam padrões de uso da terra há muito estabelecidos e ameaçam a soberania alimentar.

Muitas concessões para plantações de dendezeiros na África Ocidental e Central foram realizadas em terras roubadas das comunidades durante as ocupações coloniais. É o caso da RDC, onde a indústria de alimentos Unilever iniciou seu império de óleo de dendê. Hoje, essas plantações ainda são palco de pobreza e violência contínuas. É hora de acabar com o modelo colonial de concessões e devolver as terras aos seus donos originais.

Incêndios florestais e desmatamento são instrumentos para a consolidação da grilagem de terras que acompanha a expansão da fronteira agrícola capitalista sobre territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais

Os poluidores estão fazendo promessas de ‘emissão líquida zero’ para satisfazer os agentes financeiros que investem neles. As chamadas ‘soluções baseadas na natureza’ estão no centro dessas promessas – um novo nome para as compensações. A ameaça é uma imensa apropriação de terra.

O WRM conversou com aliados próximos, oriundos de Brasil, Gabão, Índia, México e Moçambique para ouvir e aprender sobre suas visões de desenvolvimento.

As comunidades têm um longo histórico de enfrentamento dos desastres impostos por grandes empresas e elites. A “emergência” já fazia parte da vida delas muito antes da pandemia. No entanto, alguns, em busca de lucro, estão abusando da situação para promover a apropriação de terras.

O governo de Bolsonaro - desde seu primeiro dia de governo - está tentando desmontar os direitos constitucionais dos Povos Indígenas e quilombolas. A pandemia é sua cobertura para intensificar ainda mais estes ataques.

Os setores do agronegócio estão ganhando na loteria com a Covid-19. Enquanto os lucros da pandemia continuam altos, o que chega às camadas inferiores da sociedade é devastação. As consequências são mortais. Uma nova onda de ajuste estrutural está a caminho, com foco no aumento dos investimentos estrangeiros no agronegócio e na exportação de commodities agrícolas.

Membros do Comitê Consultivo do WRM foram convidados a contribuir para este Boletim especial com reflexões sobre a situação devastadora do aprofundamento das injustiças que comunidades que dependem das florestas e famílias camponesas estão enfrentando devido à pandemia.

Embora a fumaça dos incêndios florestais no Brasil pudesse ser vista com facilidade nas reportagens da mídia, bem mais difícil era enxergar o que estava por trás da cortina de fumaça do governo brasileiro: ações que levarão a floresta a uma morte rápida.

Choque” é uma reação comum quando surge uma crise... ou quando ela vem à tona. Mas também proporciona uma cortina de fumaça conveniente para governos, instituições financeiras e empresas ocultarem seu papel e sua responsabilidade pelas atuais crises nas florestas.

O governo alega que a pequena agricultura é responsável pelo desmatamento, mas essa declaração ignora as políticas do próprio governo para promover mudanças no uso da terra, os mercados destrutivos e a exclusão dos povos indígenas com a criação de reservas.

É impossível pensar em extração sem pensar em uma vasta rede de infraestrutura complementar e, portanto, em desmatamento e destruição ainda mais amplos.