O governo indonésio quer que o país se torne “verde” aumentando a participação das chamadas “energias renováveis” para 74% da sua matriz energética. Esta nova publicação revela e alerta para o que está por trás dessa promessa de mais energia “verde” na Indonésia, da qual uma parte importante seria gerada supostamente por mega usinas hidrelétricas.
Esta publicação se baseia no relatório Inundando o coração de Bornéu (Swamping the Heart of Borneo Under Water), lançado em 14 de janeiro de 2026 em Jakarta. O relatório trata de um desses projetos hidrelétricos, já com as obras em estágio avançado: a usina de Mentarang, nos rios Tubu e Mentarang, em Kalimantan do Norte. O projeto deixará mais de 22 mil hectares de floresta debaixo d’água, no chamado “Coração de Bornéu” e expulsará um total de dez aldeias e assentamentos, afetando 706 famílias, principalmente do povo Punan, além de causar outros danos sociais e destruição ecológica.
As lições aprendidas com grandes usinas hidrelétricas no Sudeste Asiático, por exemplo, na região do Mekong e em Sarawak, mas também em locais mais distantes, como a usina de Belo Monte na Amazônia brasileira, mostram que não há nada de “verde” na construção de hidrelétricas. A usina de Mentarang, assim como outro projeto, o de Kayan, foi planejada principalmente para fornecer energia à chamada Zona Industrial “Verde” (KIHI), em Kalimantan do Norte. Além disso, as hidrelétricas devem fornecer eletricidade para outro megaprojeto: a nova capital da Indonésia (IKN) em Kalimantan Oriental.
Em vez de promover uma transição verde, como alega a propaganda do governo, esses projetos beneficiam principalmente oligarcas empresariais e políticos, e continuam expropriando a terra das pessoas e as expulsando de seus espaços de vida, além de desencadear conflitos, violações de direitos humanos e destruição ecológica.
A transição energética e seus projetos de energia “renovável”, incluindo as usinas hidrelétricas, estão sendo construídos unicamente para alimentar o metabolismo do extrativismo e do capitalismo, o que, por sua vez, destruirá o metabolismo da natureza e da humanidade.
15 de janeiro de 2026
Nugal Institute for Social and Ecological Studies
Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais