O governo do estado brasileiro do Pará – anfitrião da conferência climática COP30 – introduziu uma semana de “Conscientização sobre a Importância do Crédito de Carbono” anual, enquanto o governo indonésio montou um estande de vendas “Vendedor encontra comprador” para créditos de carbono na COP. Esses são os sinais mais visíveis de que as negociações climáticas estão mais preocupadas em criar oportunidades de negócios do que em deter a crise climática.
Boletim 277 - dezembro 2025
Lutas de resistência confrontam corporações que lucram com o caos climático
Boletim WRM
277
dezembro 2025
NOSSO PONTO DE VISTA
LUTAS DE RESISTÊNCIA CONFRONTAM CORPORAÇÕES QUE LUCRAM COM O CAOS CLIMÁTICO
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15 Dezembro 2025O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) é apresentado como uma grande novidade para financiar a proteção das florestas. Lançado durante a Conferência Climática da ONU em Belém, na Amazônia, foi rejeitado por centenas de organizações do Sul Global, que o consideram mais uma ideia que reforça a opressão capitalista-colonialista e explora o endividamento do Sul Global.
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15 Dezembro 2025“Sabemos que esses projetos não são realmente verdes. Quando as turbinas chegarem, os pássaros vão desaparecer. Quando as minas chegarem, a poeira vai cobrir escolas e casas. Quando as florestas forem tomadas em nome da ‘política de recuperação florestal’ do governo, os pobres vão perder tudo”, explica uma organização comunitária de Kham Pa Lai, que resiste a projetos da indústria extrativista.
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15 Dezembro 2025A Costa Rica se apresenta como pioneira mundial na implementação do REDD+ Jurisdicional e divulga isso como um êxito. No entanto, comunidades indígenas denunciam coerção por parte do estado, que condiciona o investimento em saúde e educação à aceitação dessa iniciativa. Neste artigo, um membro do Povo Bribri relata a luta travada por eles.
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15 Dezembro 2025Cansadas de viver rodeadas de eucaliptos, comunidades das províncias de Zambézia, Manica e Nampula levantam a voz contra a ocupação de empresas de celulose como a Portucel Moçambique, que lhes impede de cultivar, acessar a água e levar adiante uma vida digna. Exigem a devolução de suas terras e o respeito aos seus direitos.
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15 Dezembro 2025Mais de 50 organizações, movimentos e comunidades de todo o mundo se uniram para apoiar a Declaração de mulheres contra o REDD e os mercados de carbono.
DOS ARQUIVOS DO BOLETIM DO WRM
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15 Dezembro 2025A conferência anual da ONU sobre o clima “tornou-se, na verdade, uma negociação mais preocupada com quanto dinheiro cada país acha que pode economizar ou obter no curto prazo do que com encontrar soluções verdadeiras para um problema real”. A observação do editorial do boletim do WRM, “Nossas Expectativas para a COP6 da Convenção sobre Mudanças Climáticas”, parece surpreendentemente relevante 25 anos depois.
RECOMENDADOS
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15 Dezembro 2025O artigo “COP: 30 anos de desilusão” (“COP: 30 Years of Disillusionment”) se destaca entre as milhares de páginas escritas sobre a Conferência do Clima (COP) da ONU. O texto disseca o perigo mais profundo de um aparato da COP que impede os movimentos de imaginar e lutar por uma transformação sistêmica. “Nossa tarefa não é reformar a COP. Nossa tarefa é superá-la, é construir algo que não possa ser contido. Redirecionar nossos recursos das salas de convenções para as lutas concretas. Confiar não nas promessas dos políticos, mas no poder das pessoas”.
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15 Dezembro 2025Um recente relatório sobre a transnacional Socfin, que pertence ao grupo francês Bolloré e à família de Hubert Fabri, de Luxemburgo, expõe a violência sexual, a expulsão de populações locais e a poluição enfrentada pelas comunidades que vivem em torno das suas plantações de seringueiras e dendezeiros. A Socfin é uma empresa do agronegócio que opera em 10 países do Sul Global e controla aproximadamente 380 mil hectares de terra, onde cultiva dendezeiros e seringueiras em escala industrial. O relatório revela que as denúncias de abuso sexual e outras violações de direitos humanos contra as comunidades, além da poluição causada pelas plantações, não são fatos isolados, e sim um padrão que se repete sistematicamente em pelo menos 15 plantações localizadas em diferentes países.
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15 Dezembro 2025“Este manifesto é o nosso roteiro neste momento decisivo, o pulso da ação coletiva, uma exigência de transformação sistêmica profunda”. Assim, a Via Campesina faz o chamado para que suas reivindicações expostas no “Manifesto da Via Campesina para a COP30” sejam lidas e, mais do que isso, transformadas em ação conjunta pelos leitores. “Às vésperas da COP30, nós, mais de 200 milhões de camponeses e comunidades rurais, costeiras e urbanas organizadas na La Vía Campesina, declaramos que o tempo das falsas promessas e das soluções baseadas no mercado deve chegar ao fim”. O manifesto está organizado em três partes: as causas estruturais da crise, as reivindicações e as soluções que o movimento propõe. Como a Via Campesina enfatiza, esse manifesto é um chamado à ação coletiva.
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15 Dezembro 2025Uma equipe de comunicadores populares percorreu “mares, rios, selvas, vales, planícies e, claro, comunidades indígenas de cinco estados da República Mexicana” para reportar sobre os impactos de três megaprojetos no México: o Trem Maia, o Projeto Integral Morelos e o Corredor Interoceânico.
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15 Dezembro 2025E se o Banco Mundial estiver usando a urgência da crise climática como desculpa para atender aos interesses financeiros e corporativos que alimentam essa crise? É exatamente isso que mostra o relatório "Climatewash: a nova ofensiva do Banco Mundial aos direitos à terra" ("Climatewash: The World Bank's Fresh Offensive on Land Rights"), lançado pelo Instituto Oakland este ano. O material analisa em profundidade o Programa Global sobre Segurança da Posse da Terra e Acesso à Terra para Metas Climáticas, lançado pelo Banco Mundial, em 2024. A proposta do programa é ´formalizar´ a posse da terra no Sul Global para supostamente viabilizar o que apresenta como ações climáticas, como reflorestamento e projetos de energia renovável.