Camboja

Os movimentos coloniais e anticoloniais influenciaram profundamente a definição dos padrões e impactos das concessões no Sudeste Asiático. Em alguns casos, as comunidades perderam suas terras por meio de apropriações disfarçadas de concessões. Em outros, as concessões fazem parte de uma reconcentração da propriedade da terra. Em ambos, o modelo de concessão se encaixa bem nas ideologias de modernização.
A Semana Ambiental Mekong/ASEAN (MAEW) é uma plataforma regional anual e um processo para um intercâmbio mais profundo entre as pessoas na região do Sudeste Asiático, onde os principais atores podem trocar, analisar e debater informações sobre questões emergentes que os afetam significativamente. Este ano, o foco foi “Redesenhar a ASEAN: Vozes dos Povos em Crises Mundiais”. As discussões englobaram a situação ambiental, bem como os aspectos econômicos, políticos e outros que impactam a região e seu povo.
A produção industrial de borracha natural sempre foi sinônimo de destruição e exploração. Cerca de 70% são para a fabricação de pneus. À medida que aumenta o uso de carros, caminhões e aviões, o uso de borracha também aumenta. E isso não vem sem controvérsias.
Depois que 11 representantes da etnia Bunong, no Camboja, tiveram negados vistos para participar de um processo de denúncia contra a empresa de plantação Bolloré, na França, a audiência foi finalmente adiada para outubro. Em 2015, os camponeses cambojanos do grupo étnico Bunong processaram o grupo Bolloré por destruir vários hectares de floresta para cultivar borracha, privando-os assim dos seus meios de vida e subsistência.
Um plano apoiado pela China para construir a maior barragem do Camboja poderia “literalmente matar” o rio Mekong, segundo uma avaliação confidencial do governo à qual o jornal The Guardian teve acesso e que diz que o local proposto em Sambor é o “pior lugar possível” para uma usina hidrelétrica.
Lançado pela organização tailandesa TERRA, a publicação registra a história das comunidades ribeirinhas do Mekong, em 25 subdistritos de sete províncias do nordeste da Tailândia (Isaan). O objetivo é divulgar o conhecimento singular gerado pelo mais longo rio internacional do Sudeste da Ásia, o Mekong. Ilustra-se a delicada complexidade da hidrologia dos subecossistemas do Mekong e como eles são a base da vida e dos meios de subsistência das pessoas que vivem ao longo do rio.
Introdução atualizada de março de 2017 ao artigo “Camboja: a maldição das concessões“, publicada pela primeira vez no Boletim 193 do WRM, em setembro de 2013 e disponível abaixo.
  “As barragens construídas no Mekong e em outros rios da região resultaram em graves mudanças nos ecossistemas do rio, colocando em perigo a vida, os meios de subsistência e a economia de toda a região. Povos indígenas, mulheres e crianças são os mais afetados por essas mudanças. As barragens também agravaram os impactos das mudanças climáticas que já estamos enfrentando”.
A Rivers Coalition in Cambodia (RCC), em conjunto com organizações nacionais e internacionais, insiste na interrupção imediata de todas as atividades relacionadas à construção da Barragem de Don Sahong após o contrato de concessão ter sido oficialmente aprovado no início de setembro último, em uma decisão unilateral do governo do Laos.