A Costa Rica se apresenta como pioneira mundial na implementação do REDD+ Jurisdicional e divulga isso como um êxito. No entanto, comunidades indígenas denunciam coerção por parte do estado, que condiciona o investimento em saúde e educação à aceitação dessa iniciativa. Neste artigo, um membro do Povo Bribri relata a luta travada por eles.
Artigos de boletim
Cansadas de viver rodeadas de eucaliptos, comunidades das províncias de Zambézia, Manica e Nampula levantam a voz contra a ocupação de empresas de celulose como a Portucel Moçambique, que lhes impede de cultivar, acessar a água e levar adiante uma vida digna. Exigem a devolução de suas terras e o respeito aos seus direitos.
Mais de 50 organizações, movimentos e comunidades de todo o mundo se uniram para apoiar a Declaração de mulheres contra o REDD e os mercados de carbono.
A conferência anual da ONU sobre o clima “tornou-se, na verdade, uma negociação mais preocupada com quanto dinheiro cada país acha que pode economizar ou obter no curto prazo do que com encontrar soluções verdadeiras para um problema real”. A observação do editorial do boletim do WRM, “Nossas Expectativas para a COP6 da Convenção sobre Mudanças Climáticas”, parece surpreendentemente relevante 25 anos depois.
Este Boletim é uma prova de que a luta contra os monocultivos de árvores - e o modelo que representam - pulsa forte no Sul Global, especialmente entre as mulheres. Seja na Indonésia, Tailândia, Libéria, Brasil ou Colômbia, as comunidades resistem e têm conquistado vitórias.
Somos camponeses da Indonésia, o maior produtor mundial de óleo de dendê. Nas últimas décadas, testemunhamos a disseminação de monoculturas de dendezeiros em nosso território, impulsionadas por empresas multinacionais, com apoio de governos. Falsas promessas nos levaram a aceitar esquemas de parceria em plantações, sob risco de perder nossas terras. O que antes era floresta e cultivos tradicionais foi substituído por monoculturas que nos deixaram com escassez de alimentos, dívidas e a ameaça de inundações. Por isso, nós nos organizamos para acabar com essa exploração e restabelecer o nosso modo de vida tradicional. E aqui compartilhamos a história da nossa luta.
Esta é a história de como nós, povos indígenas e camponeses, nos unimos sob o nome Território de Vida, Interétnico e Intercultural de Cajibío (TEVIIC) para enfrentar, na Colômbia, uma das maiores multinacionais produtoras de papel e papelão do mundo: a Smurfit Westrock. Nosso objetivo é fazer avançar a Reforma Agrária a partir da autonomia e da ação concreta.
Seja no Brasil, em meio a monocultivos de eucalipto, ou na Tailândia, cercadas por plantações de dendê, as mulheres sofrem impactos específicos e estão na linha de frente da resistência a esses projetos que exploram e devastam a terra em busca de lucro. É isso que nos contam duas ativistas camponesas em luta pela terra, cada uma de um desses países.
Duas lideranças Joghban que têm atuado na luta contra a invasão de suas terras ancestrais pela Equatorial Palm Oil (EPO) falam sobre seu vitorioso processo de resistência, que culminou em 2018 com o reconhecimento oficial de parte de seu território pelo Estado. No entanto, eles enfatizam que essa luta de longo prazo continua. “Vamos resistir; sempre resistiremos, porque a terra é importante para nós e para as nossas futuras gerações”, afirma Isaac Banwon, uma das lideranças.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) será lançado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), que acontecerá de 10 a 21 de novembro em Belém, Brasil. Esta iniciativa é apresentada como uma "nova esperança" para as florestas tropicais em todo o mundo. No entanto, isso está longe de ser verdade.
Por meio da história de Uma Bai Netam, uma mulher do povo Gond, na Índia, o artigo que recomendamos nos permite entender como as mulheres de comunidades tradicionais estão sendo especialmente impactadas pela política de plantio de monocultura de árvores comerciais para a suposta compensaçãode áreas de florestas destruídas por projetos extrativistas ou de infraestrutura.
Nos últimos anos, a ´energia´ está no centro dos principais debates que buscam soluções para o eminente colapso climático para o qual o mundo ruma. A ´transição energética´ e as ´energias limpas´, até as críticas estruturais que questionam ´para que´ e ´para quem´ se produz energia, são parte desse debate. Entretanto, é preciso dar um passo atrás e refletir sobre a própria ideia do que é ‘energia’. Esta edição do boletim do WRM pretende contribuir com essa reflexão.